Relacionados
A Comissão Europeia (CE) reviu em baixa as previsões para o crescimento da economia portuguesa, antecipando agora uma expansão de 1,7% em 2026 e de 1,8% em 2027. O cenário é marcado pelos efeitos das tempestades que atingiram o país no início do ano e pela escalada dos preços da energia associada ao conflito no Irão.
Nas previsões económicas de primavera divulgadas esta quinta-feira, Bruxelas alerta que “a economia portuguesa enfrentou uma série de choques inesperados no início de 2026”, começando com fenómenos meteorológicos severos em janeiro e fevereiro, seguidos por uma forte subida dos custos energéticos em março e abril.
Segundo o executivo comunitário, o sentimento económico deteriorou-se nos primeiros meses do ano, levando a uma desaceleração da atividade. O Produto Interno Bruto (PIB), que tinha crescido 0,9% em cadeia no quarto trimestre de 2025, entrou em estagnação no primeiro trimestre deste ano.
As novas projeções representam uma revisão em baixa face às estimativas divulgadas em novembro de 2025, quando a Comissão Europeia previa um crescimento de 2,2% para 2026 e de 2,1% para 2027.
Os números de Bruxelas são também mais pessimistas do que os do Governo português. No Relatório Anual de Progresso de 2026 entregue à Comissão Europeia em abril, o Executivo reviu igualmente em baixa as previsões económicas, mas continua a apontar para um crescimento de 2% este ano.
Apesar da desaceleração, a CE acredita que a economia portuguesa deverá recuperar gradualmente ao longo dos próximos trimestres. Bruxelas prevê que as obras de reparação relacionadas com os danos provocados pelas tempestades e a aceleração da execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) contribuam para melhorar a atividade económica.
“Prevê-se que o crescimento económico melhore gradualmente em termos trimestrais ao longo do horizonte de previsão, impulsionado pelas obras de reparação após os danos causados pela tempestade e pelo pico esperado na utilização dos fundos do PRR em 2026”, refere o relatório, citado pela agência Lusa.
Ainda assim, a instituição europeia alerta que os elevados preços da energia deverão continuar a pressionar a economia portuguesa, sobretudo durante o segundo trimestre deste ano.
No investimento, Bruxelas antecipa um impacto positivo do PRR, considerando que os projetos financiados por fundos europeus deverão compensar parcialmente o abrandamento do investimento privado e o clima de incerteza entre as empresas.
Já para 2027, a Comissão Europeia espera uma recuperação dos fundos estruturais da União Europeia e uma melhoria do sentimento empresarial, fatores que poderão sustentar uma aceleração moderada do crescimento económico.