segunda-feira, 17 ago. 2026

Bruxelas aprova compra da Warner Bros pela Paramount, mas impõe condições. Saiba o que isto significa para Portugal

A Comissão Europeia deu luz verde à operação, mas obrigou a Paramount a alterar a forma como distribui filmes na Europa durante os próximos 10 anos para proteger a concorrência.
Bruxelas aprova compra da Warner Bros pela Paramount, mas impõe condições. Saiba o que isto significa para Portugal

A Comissão Europeia aprovou esta quarta-feira a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance, impondo um conjunto de condições destinadas a evitar problemas de concorrência no mercado europeu da distribuição cinematográfica, incluindo em Portugal.

Segundo Bruxelas, a autorização fica dependente do cumprimento integral dos compromissos assumidos pela Paramount.

O que muda com a decisão

A principal preocupação da Comissão Europeia prendia-se com o facto de a Paramount e a Universal distribuírem atualmente filmes em conjunto, através da United International Pictures (UIP), em vários países do Espaço Económico Europeu.

Com a integração da Warner Bros., Bruxelas considerou que essa concentração poderia reduzir a concorrência e resultar em "piores condições de aluguer e distribuição para os operadores de cinema", prejudicando também os consumidores.

Condições impostas durante 10 anos

Para obter a aprovação, a Paramount comprometeu-se a abandonar a sua participação na UIP no Espaço Económico Europeu até 13 meses após a conclusão da operação.

Além disso, durante uma década, a empresa não poderá celebrar acordos com a Universal para distribuir filmes em conjunto nos países abrangidos pelas condições impostas pela Comissão Europeia.

As restrições aplicam-se também à reorganização da distribuição dos filmes da Warner Bros. e da Paramount sempre que envolvam distribuidores que trabalhem igualmente com a Universal ou a Disney.

Portugal integra a lista de países abrangidos por estas medidas, juntamente com outros mercados europeus.

Segundo Bruxelas, estas condições "respondem integralmente às preocupações de concorrência" identificadas e serão acompanhadas por um administrador independente, sob supervisão da Comissão Europeia.

Fusão continua a enfrentar obstáculos nos EUA

Apesar da aprovação europeia, a operação continua a enfrentar dificuldades nos Estados Unidos.

Na segunda-feira, um tribunal norte-americano ordenou a suspensão temporária da fusão, na sequência de uma ação apresentada por 12 estados que alegam riscos de monopólio. A decisão definitiva será analisada numa audiência marcada para 3 de agosto.