Brent. Preços do petróleo "com margem para subir em direção aos 150 dólares"

Cenário é apontado por analistas tendo em conta que não há "perspetivas realistas de normalização".
Brent. Preços do petróleo "com margem para subir em direção aos 150 dólares"

Os preços do petróleo Brent subiram na abertura dos mercados, iniciando a semana acima dos 115 dólares por barril. "As perspetivas de uma desescalada a curto prazo no conflito que envolve os Estados Unidos, Israel e o Irão esvaneceram-se, e a maioria dos operadores do mercado petrolífero espera agora que o conflito se prolongue até abril e, possivelmente, para além dessa data", alerta Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe.

De acordo com o responsável, tendo em conta que não existe um calendário "realista" para a reabertura do Estreito de Ormuz admite que é provável que as restrições na oferta nos mercados globais de petróleo se agravem ainda mais, prevendo-se que a produção do Golfo demore mais tempo a recuperar e que a normalização do congestionamento no transporte marítimo, que se agrava de dia para dia, seja mais lenta. "Neste contexto, é expectável que os preços do crude se mantenham elevados durante mais tempo, com margem para subir em direção aos 150 dólares na ausência de perspetivas realistas de normalização", salienta.

O conflito também está a ter impacto nas bolsas norte-americanas e no ouro que têm desvalorizado com a escalada das tensões no Médio Oriente. "As bolsas americanas encerraram a sessão de sexta-feira com perdas significativas, atingindo mínimos de cerca de sete meses, numa fase em que os investidores reavaliam o impacto do choque energético no crescimento económico", disse

Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe, acrescentando ainda que "a subida acentuada do preço do petróleo está a alimentar receios de inflação mais persistente, o que complica o enquadramento para a política monetária".

E chama a atenção para o facto de nem os ativos de refúgio escaparem totalmente com o o ouro a recuar, "refletindo alguma realização de mais-valias e a necessidade de liquidez num contexto de aversão ao risco".

O analista lembra ainda que "este comportamento sugere que, no curto prazo, a necessidade de liquidez está a sobrepor-se à procura por proteção".