terça-feira, 21 jul. 2026

BdP mantém previsão de crescimento de 1,8% e aponta para défice de 0,2% em 2026

"Apesar da deterioração na situação orçamental, Portugal mantém-se como um dos poucos países da área do euro com um saldo orçamental próximo do equilíbrio ou em excedente", explica o regulador.
BdP mantém previsão de crescimento de 1,8% e aponta para défice de 0,2% em 2026

O Banco de Portugal (BdP) manteve a previsão de crescimento da economia portuguesa em 1,8% em 2026, ainda assim, é mais pessimista do que a meta estipulada pelo Governo que aponta para um crescimento de 2% para este ano.

Já para os próximos anos as projeções são de um crescimento de 1,6% em 2027 e 1,8% em 2028, enquanto a inflação "deverá subir para 3,1% em 2026 e retornar a valores próximos de 2% nos anos seguintes".

Em relação ao défice, o banco central prevê que atinja os 0,2% do PIB este ano, mais pessimista do que a previsão de um saldo nulo do Governo, e um saldo negativo de 0,5% em 2027 e 2028.

De acordo com o regulador, esta projeção reflete a "incorporação de novas medidas, no âmbito do pacote da habitação (0,1% do PIB), dos apoios a famílias e empresas afetadas pelas tempestades e das decorrentes despesas de reconstrução (0,4% do PIB) e da mitigação do aumento dos preços da energia (0,1% do PIB)".

Recorde-se que, em dezembro, o BdP previa um défice de 0,4% para este ano, de 0,9% em 2027 e de 1% em 2028.

Segundo Álvaro Santos Pereira, esta revisão surgiu depois de no ano passado se ter verificado um excedente superior ao que era estimado, tendo um "efeito 'carry-over' significativo", ainda que os apoios relacionados com as tempestades e a subida nos produtos energéticos também tenham impacto.

"Apesar da deterioração na situação orçamental, Portugal mantém-se como um dos poucos países da área do euro com um saldo orçamental próximo do equilíbrio ou em excedente", salienta.

Já a dívida pública deverá continuar a trajetória de redução, para 85,7% do PIB este ano, 82,5% em 2027 e 79,5% em 2028, segundo as estimativas do banco central.

Mesmo com esta diminuição do rácio da dívida pública, o governador alertou que o país não deve ser "complacente e relaxar o esforço de desendividamento da economia".

Este esforço é necessário numa altura em que ainda "torna vulneráveis a possíveis choques", e também tendo em conta o impacto que se irá verificar do envelhecimento da população.

"É importante reiterar e todos perceberem que o esforço do desendividamento público tem de continuar nos próximos anos", salientou.