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O Banco de Portugal (BdP) manteve a previsão de crescimento da economia portuguesa em 1,8% em 2026, ainda assim, é mais pessimista do que a meta estipulada pelo Governo que aponta para um crescimento de 2% para este ano.
Já para os próximos anos as projeções são de um crescimento de 1,6% em 2027 e 1,8% em 2028, enquanto a inflação "deverá subir para 3,1% em 2026 e retornar a valores próximos de 2% nos anos seguintes".
Em relação ao défice, o banco central prevê que atinja os 0,2% do PIB este ano, mais pessimista do que a previsão de um saldo nulo do Governo, e um saldo negativo de 0,5% em 2027 e 2028.
De acordo com o regulador, esta projeção reflete a "incorporação de novas medidas, no âmbito do pacote da habitação (0,1% do PIB), dos apoios a famílias e empresas afetadas pelas tempestades e das decorrentes despesas de reconstrução (0,4% do PIB) e da mitigação do aumento dos preços da energia (0,1% do PIB)".
Recorde-se que, em dezembro, o BdP previa um défice de 0,4% para este ano, de 0,9% em 2027 e de 1% em 2028.
Segundo Álvaro Santos Pereira, esta revisão surgiu depois de no ano passado se ter verificado um excedente superior ao que era estimado, tendo um "efeito 'carry-over' significativo", ainda que os apoios relacionados com as tempestades e a subida nos produtos energéticos também tenham impacto.
"Apesar da deterioração na situação orçamental, Portugal mantém-se como um dos poucos países da área do euro com um saldo orçamental próximo do equilíbrio ou em excedente", salienta.
Já a dívida pública deverá continuar a trajetória de redução, para 85,7% do PIB este ano, 82,5% em 2027 e 79,5% em 2028, segundo as estimativas do banco central.
Mesmo com esta diminuição do rácio da dívida pública, o governador alertou que o país não deve ser "complacente e relaxar o esforço de desendividamento da economia".
Este esforço é necessário numa altura em que ainda "torna vulneráveis a possíveis choques", e também tendo em conta o impacto que se irá verificar do envelhecimento da população.
"É importante reiterar e todos perceberem que o esforço do desendividamento público tem de continuar nos próximos anos", salientou.