quinta-feira, 16 abr. 2026

BCE mantém juros nos 2% e alerta para impacto da guerra com o Irão na economia

A escalada militar no Médio Oriente, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, está no centro das preocupações do banco central
BCE mantém juros nos 2% e alerta para impacto da guerra com o Irão na economia

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira manter as taxas de juro diretoras nos 2%, numa decisão unânime do Conselho de Governadores, marcada pelo aumento da incerteza económica após a escalada do conflito envolvendo o Irão.

Trata-se da sexta reunião consecutiva sem alterações na taxa de referência, numa altura em que a autoridade monetária reconhece que o atual contexto geopolítico representa um novo choque para a economia da zona euro.

Lagarde garante prontidão para agir

A presidente do BCE, Christine Lagarde, assegurou que a instituição está preparada para intervir caso o cenário se deteriore.

“Estamos bem posicionados e equipados para lidar com o grande choque que se está a desenvolver”, afirmou, sublinhando que o banco central continuará a agir “reunião a reunião, com base nos dados”.

A responsável revelou ainda que o Conselho de Governadores promoveu “discussões profundas” sobre o impacto do conflito, tendo inclusive recorrido a especialistas em cenários de guerra para avaliar os riscos económicos.

Inflação revista em alta e crescimento em baixa

As novas projeções do BCE apontam para uma subida da inflação para 2,6% em 2026 — acima dos 1,9% estimados anteriormente — refletindo o impacto da subida dos preços da energia.

Já o crescimento económico da zona euro foi revisto em baixa, com a instituição a prever uma expansão de apenas 0,9% este ano.

Segundo o BCE, perturbações prolongadas no fornecimento de petróleo e gás poderão agravar este cenário, levando a inflação mais elevada e a um abrandamento económico mais acentuado.

Guerra no Médio Oriente agrava riscos

A escalada militar no Médio Oriente, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, está no centro das preocupações do banco central.

O BCE admite que este contexto pode gerar “efeitos de segunda ordem”, com impacto mais duradouro nos preços e nas expectativas de inflação.

Foram mesmo traçados cenários alternativos — adverso e severo — que consideram desde aumentos temporários até uma subida prolongada dos preços da energia.

Subida de juros continua em cima da mesa

Apesar da pausa atual, o mercado antecipa novas subidas das taxas de juro, dependendo da evolução da inflação.

Christine Lagarde não se compromete com um calendário, mas admite que, caso o choque energético persista, o BCE poderá avançar com uma política monetária mais restritiva.

“O aumento dos preços da energia pode alargar-se a outros setores, exigindo uma monitorização rigorosa”, alertou.

Apoios públicos devem ser temporários

A presidente do BCE deixou ainda um recado aos governos europeus, defendendo que eventuais medidas de apoio às famílias e empresas devem ser “temporárias, direcionadas e adaptadas”.

Lagarde sublinhou também a necessidade de reforçar a resiliência económica da zona euro e acelerar a transição energética, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.