Relacionados
O Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira manter as taxas de juro diretoras nos 2%, numa decisão unânime do Conselho de Governadores, marcada pelo aumento da incerteza económica após a escalada do conflito envolvendo o Irão.
Trata-se da sexta reunião consecutiva sem alterações na taxa de referência, numa altura em que a autoridade monetária reconhece que o atual contexto geopolítico representa um novo choque para a economia da zona euro.
Lagarde garante prontidão para agir
A presidente do BCE, Christine Lagarde, assegurou que a instituição está preparada para intervir caso o cenário se deteriore.
“Estamos bem posicionados e equipados para lidar com o grande choque que se está a desenvolver”, afirmou, sublinhando que o banco central continuará a agir “reunião a reunião, com base nos dados”.
A responsável revelou ainda que o Conselho de Governadores promoveu “discussões profundas” sobre o impacto do conflito, tendo inclusive recorrido a especialistas em cenários de guerra para avaliar os riscos económicos.
Inflação revista em alta e crescimento em baixa
As novas projeções do BCE apontam para uma subida da inflação para 2,6% em 2026 — acima dos 1,9% estimados anteriormente — refletindo o impacto da subida dos preços da energia.
Já o crescimento económico da zona euro foi revisto em baixa, com a instituição a prever uma expansão de apenas 0,9% este ano.
Segundo o BCE, perturbações prolongadas no fornecimento de petróleo e gás poderão agravar este cenário, levando a inflação mais elevada e a um abrandamento económico mais acentuado.
Guerra no Médio Oriente agrava riscos
A escalada militar no Médio Oriente, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, está no centro das preocupações do banco central.
O BCE admite que este contexto pode gerar “efeitos de segunda ordem”, com impacto mais duradouro nos preços e nas expectativas de inflação.
Foram mesmo traçados cenários alternativos — adverso e severo — que consideram desde aumentos temporários até uma subida prolongada dos preços da energia.
Subida de juros continua em cima da mesa
Apesar da pausa atual, o mercado antecipa novas subidas das taxas de juro, dependendo da evolução da inflação.
Christine Lagarde não se compromete com um calendário, mas admite que, caso o choque energético persista, o BCE poderá avançar com uma política monetária mais restritiva.
“O aumento dos preços da energia pode alargar-se a outros setores, exigindo uma monitorização rigorosa”, alertou.
Apoios públicos devem ser temporários
A presidente do BCE deixou ainda um recado aos governos europeus, defendendo que eventuais medidas de apoio às famílias e empresas devem ser “temporárias, direcionadas e adaptadas”.
Lagarde sublinhou também a necessidade de reforçar a resiliência económica da zona euro e acelerar a transição energética, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.