quinta-feira, 16 abr. 2026

Barómetro. 17% dos portugueses estão em sufoco financeiro

De acordo com o Barómetro anual da Deco Proteste, quase quatro em cada dez famílias (cerca de 40%) revelam ter dificuldades em cumprir com os gastos essenciais do dia a dia.
Barómetro. 17% dos portugueses estão em sufoco financeiro

A situação financeira das famílias portuguesas registou uma nova deterioração em 2025, com um número crescente de agregados a enfrentar sérias dificuldades para pagar despesas essenciais. De acordo com o Barómetro anual da Deco Proteste, quase quatro em cada dez famílias (cerca de 40%) revelam ter dificuldades em cumprir com os gastos essenciais do dia a dia. Mais alarmante ainda, 17% das famílias estão em situação de sufoco financeiro, o maior valor desde o início da monitorização pela Deco Proteste, em 2018.

Embora a descida da inflação e a redução das taxas de juro do crédito à habitação tenham oferecido alguma esperança, estes fatores não foram suficientes para aliviar o peso do orçamento das famílias. Pelo contrário, o estudo aponta para um agravamento das dificuldades financeiras, com muitas famílias a lutarem para conseguir pagar até as despesas mais básicas.

As despesas com o automóvel são apontadas como uma das maiores fontes de pressão financeira, com 51% dos agregados a considerá-las difíceis de suportar. Logo a seguir, com 50%, surge o desafio de pagar as férias grandes, um gasto tradicionalmente associado a momentos de lazer, mas que, no atual contexto económico, tornou-se uma dificuldade para metade das famílias. Outras despesas, como tratamentos de saúde oral (46%), encargos com óculos e aparelhos auditivos (42%) e a compra de carne, peixe ou alternativas vegetarianas (40%) figuram também entre as mais difíceis de gerir para as famílias portuguesas.

Além disso, vários outros gastos têm pesado significativamente no orçamento familiar. Ir a restaurantes ou bares, manter a casa e fazer pequenas viagens de fim de semana são apontados como dificuldades por muitos agregados, tal como a compra de roupa. Até as atividades culturais, como concertos, cinema, teatro ou museus, são vistas como inacessíveis para cerca de um terço das famílias.

O Índice de Capacidade Financeira da Deco Proteste, que mede a capacidade das famílias para enfrentar as despesas essenciais, caiu de 46,2 pontos em 2024 para 41,6 pontos em 2025. Este é o valor mais baixo registado desde o início da monitorização, em 2018, e reflete a crescente dificuldade das famílias em manter o equilíbrio financeiro.

A análise regional revelou desigualdades significativas no país. Os Açores apresentam o índice de capacidade financeira mais baixo, enquanto no Continente, os distritos da Guarda e Aveiro destacam-se com uma maior proporção de famílias em dificuldades financeiras.

O estudo da Deco Proteste também revela que as dificuldades financeiras são mais acentuadas entre famílias monoparentais e agregados familiares mais numerosos. Estes grupos enfrentam maiores desafios para fazer face às despesas essenciais, o que agrava ainda mais a desigualdade económica no país.

O Barómetro Deco Proteste, que avalia anualmente a capacidade das famílias portuguesas para pagar despesas essenciais em áreas como alimentação, saúde, habitação, lazer e mobilidade, baseia-se em mais de 5.500 respostas válidas de famílias portuguesas. A pesquisa foi realizada entre novembro de 2025 e janeiro de 2026 e permite acompanhar a evolução da saúde financeira das famílias ao longo do tempo.