segunda-feira, 13 abr. 2026

Bancos portugueses dizem estar preparados para impacto da guerra

Responsáveis da banca garantem que o setor está hoje mais capitalizado e resiliente para enfrentar choques externos, mas admitem riscos se a crise energética se prolongar
Bancos portugueses dizem estar preparados para impacto da guerra

Os principais responsáveis da banca portuguesa consideram que o setor está preparado para enfrentar eventuais impactos económicos provocados pela escalada do conflito no Médio Oriente, sublinhando que os bancos estão hoje mais robustos do que em crises anteriores.

No Fórum Banca 2026, realizado em Lisboa, o presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo, afirmou que as empresas e o sistema financeiro português demonstraram forte resiliência nos últimos anos. Segundo o responsável, muitos setores registaram bons resultados em 2024 e 2025, o que contribui para uma maior capacidade de resposta perante novos choques.

Ainda assim, Macedo reconheceu que um eventual aumento prolongado dos preços da energia e dos transportes poderá pressionar a inflação. Nesses casos, alertou, os custos acabam muitas vezes por chegar aos consumidores.

Também o líder do Millennium BCP, Miguel Maya, destacou que o atual contexto internacional obriga a banca a trabalhar com maior prudência e a preparar múltiplos cenários de risco. A volatilidade global, disse, tornou os ciclos económicos mais curtos e imprevisíveis, exigindo mais capital e planeamento.

Na mesma linha, a presidente executiva do Santander Portugal, Isabel Guerreiro, sublinhou que a rapidez de adaptação se tornou essencial num mundo marcado por incerteza e mudanças rápidas. A responsável admitiu que um eventual bloqueio prolongado do estreito de Ormuz poderia ter consequências económicas, mas defendeu que a banca nacional está hoje muito mais preparada do que há uma década.

Já o presidente do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, considerou difícil antecipar a evolução do atual contexto geopolítico, alertando para possíveis impactos do aumento dos preços da energia no comércio e no turismo.

Outros responsáveis do setor destacaram igualmente a necessidade de maior agilidade e adaptação das instituições financeiras e das empresas, num cenário internacional cada vez mais instável.

A escalada de tensão no Médio Oriente ganhou nova dimensão após a ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão no final de fevereiro, seguida de ataques de retaliação e do encerramento do estreito de Ormuz — uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo e gás.