quarta-feira, 13 mai. 2026

Banco Mundial prevê subida de 23,6% nos preços da energia 

Instituição prevê impacto mais severo nas populações mais pobres e nos países mais endividados.
Banco Mundial prevê subida de 23,6% nos preços da energia 

O Banco Mundial prevê que os preços da energia aumentem 23,6% em 2026, impulsionados pela guerra no Médio Oriente, atingindo o nível mais elevado desde o conflito na Ucrânia. Segundo o relatório ‘Perspetivas dos mercados de produtos básicos’, a fase mais crítica das perturbações no abastecimento deverá terminar em maio, com uma recuperação gradual do transporte marítimo no Estreito de Ormuz até ao final do ano.

Ainda assim, o preço do petróleo Brent deverá subir para uma média de 86 dólares por barril em 2026, face aos 69 dólares em 2025, antes de recuar para cerca de 70 dólares em 2027. O cenário base assume danos limitados nas infraestruturas petrolíferas e retoma das exportações do Golfo Pérsico.

O impacto estende-se a outros setores: os preços dos fertilizantes deverão aumentar 31%, com destaque para a ureia (+60%), atingindo níveis de acessibilidade mínimos desde 2022. Esta situação poderá reduzir rendimentos agrícolas e colocar em risco a produção alimentar. De acordo com o Programa Alimentar Mundial, até 45 milhões de pessoas adicionais poderão enfrentar insegurança alimentar aguda se o conflito se prolongar.

Também os metais básicos, como alumínio, cobre e estanho, deverão subir cerca de 42%, pressionados pela procura ligada à transição energética e digital. No conjunto, o custo das matérias-primas deverá crescer 15,5% em 2026.

O Banco Mundial antecipa ainda um aumento da inflação nas economias em desenvolvimento para 5,1%, podendo atingir 5,8% num cenário de agravamento do conflito ou atraso na reabertura de Ormuz, caso em que o petróleo poderá oscilar entre 95 e 115 dólares por barril.

A instituição alerta para um efeito em cadeia: subida da energia, seguida pelo aumento dos preços dos alimentos e da inflação, com impacto mais severo nas populações mais pobres e nos países mais endividados, sublinhando que a guerra representa um retrocesso no desenvolvimento global.