terça-feira, 09 jun. 2026

Banco de Portugal quer apertar regras do crédito à habitação e baixar taxa de esforço

O Banco de Portugal vai propor regras mais rígidas no crédito à habitação, incluindo a redução da taxa de esforço máxima de 50% para 45%, numa tentativa de reforçar a estabilidade financeira
Banco de Portugal quer apertar regras do crédito à habitação e baixar taxa de esforço

O governador do Banco de Portugal anunciou esta quarta-feira um reforço das regras aplicadas ao crédito à habitação, incluindo a redução da taxa de esforço máxima exigida aos clientes de 50% para 45%.

A medida foi apresentada por Álvaro Santos Pereira durante a divulgação do relatório de estabilidade financeira, em Lisboa.

Atualmente, os bancos devem garantir que os clientes não destinam mais de metade do rendimento líquido mensal ao pagamento de dívidas. Com a alteração proposta, esse limite passará para 45%, tornando mais exigente o acesso ao financiamento bancário.

Além da redução da taxa de esforço, o Banco de Portugal pretende diminuir o número de exceções permitidas às instituições financeiras e reduzir a maturidade média dos empréstimos à habitação.

De acordo com a agência Lusa, o regulador quer ainda que as recomendações macroprudenciais deixem de ser apenas orientações e passem a ter caráter vinculativo.

“Está na hora de regras macroprudenciais serem vinculativas”, afirmou Álvaro Santos Pereira, defendendo uma alteração legislativa semelhante à já adotada noutros países europeus.

Apesar do endurecimento das regras, o governador admitiu a possibilidade de serem equacionadas soluções específicas para facilitar o acesso à habitação por parte dos mais jovens.

O Banco de Portugal tem vindo a demonstrar preocupação com o aumento do crédito concedido pelos bancos e com os riscos associados ao endividamento das famílias, especialmente após a entrada em vigor da garantia pública no crédito à habitação para jovens.

O reforço das exigências poderá dificultar o acesso à compra de casa para algumas famílias, sobretudo num contexto de preços elevados no mercado imobiliário e taxas de juro ainda pressionadas.

A Deco já tinha manifestado apoio a medidas que promovam um crédito mais responsável e reduzam o risco de sobre-endividamento dos consumidores