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As famílias de rendimento mediano em Portugal estão, na prática, afastadas da compra de casa, já que o peso da prestação do crédito à habitação ultrapassa níveis considerados sustentáveis.
Segundo um estudo do Banco de Portugal, o rácio entre prestação e rendimento (taxa de esforço) atingiu 53% no final de 2023 e 48% em 2025, o que representa uma ligeira melhoria.
Ainda assim, valores acima de 40% já são considerados sobrecarga, o que mostra que a maioria das famílias enfrenta dificuldades reais.
Para comparação, entre 2009 e 2021 este indicador estava abaixo dos 30%.
Prestação mais do que duplicou
Entre 2019 e 2021, a prestação média passou de 350€ para 855€, resultado da subida dos preços das casas e dos juros. Mesmo com alguma descida das taxas de juro depois disso, o problema mantém-se porque os preços da habitação continuam a subir e o aumento dos rendimentos (+34%) não foi suficiente para compensar.
A situação é particularmente grave no litoral, sobretudo em:
Lisboa
Prestação: 907€ → 1.811€
Taxa de esforço: 102%
Porto
Prestação: 550€ → 1.339€
Taxa de esforço: 84%
Ou seja, uma família média não consegue comprar casa nestas cidades sem apoio ou poupanças significativas.
O estudo conclui que apenas famílias com rendimentos elevados (percentis 80 e 90) conseguem comprar casa nas grandes cidades e em várias zonas, como o Algarve, a compra é praticamente inacessível
Na prática, o mercado está a ser sustentado por famílias com poupança acumulada, compradores com rendimentos mais elevados e não residentes (incluindo estrangeiro)
Problema também no arrendamento
O arrendamento não é alternativa fácil já qye o rácio renda/rendimento: 36% (2019) → 47% (2025). Em Lisboa, chega a 72% do rendimento mediano e no Porto, cerca de 66%. Segundo o BdP, entre 2019 e 2023 a renda mediana subiu de 1.001€ para 1.274€
O estudo aponta ainda que a acessibilidade deteriorou-se rapidamente com os muncípios acima do limite de 40% a subirem de 9 em 2019 para 104 em 2023.
O litoral concentra a maior pressão, devido a e falta de oferta e aumento da procura, com o estudo a indicar ainda que os preços da habitação subiram 140% entre 2016 e 2025 e as rendas por m² aumentaram cerca de 65% desde 2019.