Os quatro maiores bancos - Caixa Geral de Depósitos, BCP, Santander Totta e BPI - lucraram cerca de 4.395 milhões de euros em 2025, valor correspondente a mais de 12 milhões de euros por dia. Estes resultados surgem numa altura em que o governador do Banco de Portugal revelou que está a ponderar a aplicação de uma taxa de supervisão ao setor para reforçar os recursos humanos e tecnológicos do regulador. Até aqui, o financiamento era feito sobretudo através dos rendimentos com dívida pública e de resultados das operações do Eurosistema.
Mais uma vez, o campeão dos resultados foi a Caixa Geral de Depósitos, ao apresentar um lucro de 1,9 mil milhões de euros, um aumento de 9% face ao ano anterior. Trata-se de um resultado histórico do banco público que irá permitir à instituição financeira liderada por Paulo Macedo o pagamento «do maior dividendo de sempre da banca portuguesa, no valor de 1.250 milhões de euros», o equivalente a 66% do resultado líquido.
A margem financeira consolidada - diferença entre os juros cobrados nos empréstimos e os juros pagos nos depósitos -atingiu 2,5 mil milhões de euros, traduzindo uma redução de 276 milhões de euros (-10%) face a 2024. Um comportamento que está relacionado essencialmente com a descida das taxas de juro de mercado. Ainda assim, este efeito foi compensado pelo aumento de 3,9 mil milhões de euros no crédito concedido em Portugal, bem como pelo reforço do investimento em instrumentos de dívida.
O resultado de serviços e comissões estabilizou nos 587 milhões de euros, enquanto os resultados de operações financeiras ascenderam a 335 milhões de euros, um aumento de 201 milhões de euros face ao ano anterior. É certo que os ganhos registados no ano passado foram fortemente influenciados pelo ganho não recorrente no valor de 188 milhões de euros, relativo à venda da participação da Caixa na ADP - Águas de Portugal.
Por seu lado, os custos de estrutura registaram um acréscimo de 9 milhões de euros (+1%) face ao ano de 2024, no entanto, os custos com pessoal recorrentes estabilizaram face ao período homólogo. A Caixa fechou o ano com 512 balcões (número inalterado face ao ano passado) e 6.067 trabalhadores (menos 211).
Mais resultados históricos
O BCP apresentou um resultado de 1.018,6 milhões em 2025, uma subida de 12% face a igual período do ano passado. Só a atividade em Portugal aumentou 10,6%, tendo-se situado nos 869,4 milhões de euros em 2025, o que compara com 786,4 milhões de euros em 2024. Trata-se, de acordo com o CEO Miguel Maya, «dos melhores resultados de sempre» no ano em que a instituição financeira completou 40 anos e quando se prepara para distribuir cerca de 500 milhões de euros em dividendos. Ao mesmo tempo, prepara-se para avançar com um programa de recompra de ações de 40% do resultado, acima dos 25% que previa o plano anunciado em 2024, tendo já pedido autorização e caso tenha luz verde destinará 400 milhões à aquisição de títulos.
Na atividade em Portugal, a taxa de margem financeira, influenciada principalmente pela redução das taxas de juro subjacentes ao crédito concedido a clientes, evoluiu de 2,21% em 2024, para 2,10% no ano corrente. Já as comissões líquidas totalizaram 626 milhões de euros, traduzindo-se num crescimento de 5,6% face ao ano anterior.
Por seu lado, os custos operacionais situaram-se 8,3% acima dos 1.306,1 milhões de euros apurados no ano anterior, somando 1.415,1 milhões de euros no final de 2025. Só no mercado nacional, os valores totalizaram 718,9 milhões de euros em 2025, situando-se 7% acima dos 671,9 milhões de euros apurados em 2024, em que os custos com o pessoal totalizaram 415,9 milhões de euros no final do ano passado.
O número de colaboradores na atividade em Portugal fixou-se em 6.046 no final de 2025, menos 157 do que em 31 de dezembro de 2024. Em relação aos balcões, a instituição financeira liderada por Miguel Maya viu a sua estrutura cair de 398 para 389.
O crédito a clientes (crédito bruto) fixou-se em 43.211 milhões de euros em 31 de dezembro de 2025, situando-se 9,3% acima dos 39.517 milhões de euros apurados no final de 2024. Já o crédito a empresas registou um aumento de 7,5% face ao final de 2024, cifrando-se em 18.741 milhões de euros no final de 2025.
No conjunto do crédito concedido a empresas e clientes institucionais, o crescimento em 2025 foi de 1,1 mil milhões de euros, tendo a carteira alcançado os 22 mil milhões de euros (+5%), enquanto a produção de crédito à habitação aproximou-se dos 5,8 mil milhões de euros, um aumento de 40% face ao período homólogo de 2024 e que se traduz num crescimento do volume em carteira (+2,6 mil milhões de euros), face a dezembro de 2024, para um total aproximado de 28,2 mil milhões de euros.
Contas inalteradas
O lucro do Santander Portugal no ano passado manteve-se praticamente inalterado em relação a 2024, com a instituição financeira a apresentar um resultado de 963,8 milhões de euros. Estas foram as últimas contas apresentadas por Pedro Castro e Almeida enquanto CEO, já que se prepara para assumir as funções de administrador com o pelouro do risco a nível do grupo, em Madrid. Isabel Guerreiro irá assumir as rédeas da instituição financeira a partir de 1 de março, o que levou o atual líder a fazer uma espécie de balanço na apresentação de resultados: «Somos de longe o banco mais rentável em Portugal e um dos mais rentáveis na Europa», afirmou Castro e Almeida, 24 horas antes de serem conhecidos os resultados da CGD.
A margem financeira ultrapassou 1,3 mil milhões, uma queda de 12%, refletindo a descida das taxas de juros. Ainda assim, esta descida foi compensada pelo aumento das comissões cobradas, que registaram um crescimento de 7,1% para 484,3 milhões com o banco a justificar estes valores com a subida da base de clientes.
Os resultados com operações financeiras (mais 77% para 37,3 milhões) e a redução das provisões, que passou de uma perda de 64 milhões para um valor positivo de 3,4 milhões, ajudaram a compensar a queda da margem financeira.
Já os custos operacionais subiram 0,6% para 530,7 milhões de euros, com as despesas com pessoal a crescerem 3,8% para 302,4 milhões. O banco fechou 2025 com 278 balcões (menos 50 face ao ano anterior) e 4.666 trabalhadores (um aumento de 56 em relação a igual período do ano anterior).
Quanto ao crédito (bruto) ascendeu a 54,1 mil milhões de euros (+7,5% face ao período homólogo, em que a carteira de crédito à habitação disparou 8,6% para 25,3 mil milhões de euros, enquanto o crédito às empresas subiu 6,5% para 26,5 mil milhões.
No que respeita à garantia pública para jovens, o Santander já recebeu 37 mil pedidos e já concedeu 1,1 mil milhões de euros em crédito para a compra de casa por parte de jovens - faixa que representou metade das novas operações de crédito no ano passado, o que levou a instituição financeira a pedir um reforço da sua quota de garantia pública.
Em queda
O BPI registou um lucro de 512 milhões de euros em 2025, uma descida de 13% face ao ano anterior, pressionado pela quebra na margem financeira (10%) e pelo desempenho em África. Apesar da desaceleração, o banco liderado por João Pedro Oliveira e Costa prepara-se para entregar um dividendo de 428 milhões de euros ao acionista espanhol Caixabank. Também as comissões líquidas recuaram 6% para 307 milhões de euros.
Na atividade em Portugal, o BPI registou um crescimento homólogo de 7% no crédito e de 9% nos recursos de clientes. No entanto, o crescimento do volume de negócio não conseguiu compensar o impacto da descida das taxas de juro de mercado sobre a margem financeira, o que explica a redução homóloga de 8% do produto bancário. «Este exercício fica marcado por um crescimento consistente do volume de negócios do banco, apoiado pela dinâmica comercial e pelo enquadramento favorável da economia portuguesa», revelou o CEO.
No crédito à habitação, as novas operações atingiram os 3,9 mil milhões de euros, mais 35% em relação a 2024, referindo que, no que diz respeito à garantia pública, foram concedidos 1,1 mil milhões de euros através de 5,6 mil contratos junto de jovens. Já no crédito a empresas, a carteira aumentou 3% para 12,4 mil milhões de euros, o que não impediu, ainda assim, uma perda de quota.
Os custos subiram 4% para 508 milhões de euros, em que as despesas com pessoal a registarem um aumento de 5% para 259 milhões. No final do ano passado, a instituição tinha 4.476 trabalhadores, mais 242 trabalhadores do que tinha um ano antes.