Relacionados
Os atrasos nos pagamentos estão a provocar um efeito dominó nas cadeias de abastecimento europeias, com 62% das empresas a admitirem pagar fora de prazo aos fornecedores devido a recebimentos tardios. Em Portugal, a realidade é semelhante, afetando 60% das empresas, segundo o mais recente relatório da Intrum.
De acordo com a 29.ª edição do European Payment Report, divulgada esta quinta-feira, cerca de 12% das receitas das empresas na Europa são recebidas fora de prazo — um valor acima do considerado sustentável para a gestão operacional. Em Portugal, essa proporção situa-se nos 10,27%, refletindo uma tendência alinhada com o panorama europeu.
O estudo revela ainda que 57% das empresas europeias falharam objetivos de crescimento devido a atrasos nos pagamentos, num contexto em que 64% apontam a expansão como principal prioridade para 2026.
O impacto estende-se às cadeias de abastecimento, onde os atrasos criam um efeito em cascata. No segmento B2B, o desfasamento entre o prazo acordado e o pagamento efetivo aumentou de 16 dias, em 2023, para 20 dias em 2026, evidenciando um agravamento das condições de pagamento entre empresas.
Mais de metade das empresas inquiridas antecipa um aumento do risco de atrasos ou incumprimentos nos próximos 12 meses, num cenário marcado pela incerteza económica.
Perante este contexto, 58% das empresas afirmam estar a reforçar a disciplina de pagamento, enquanto 66% já recorrem à Inteligência Artificial para otimizar processos, melhorar a eficiência e reduzir custos.
O presidente executivo da Intrum, Johan Åkerblom, alerta que os atrasos nos pagamentos “estão cada vez mais a afetar a estabilidade do dia-a-dia das empresas e a limitar a capacidade de concretizar ambições de crescimento”.
Já a economista sénior da empresa, Anna Zabrodzka-Averianov, sublinha que estes atrasos criam “um ciclo vicioso”, propagando-se ao longo das cadeias de abastecimento e impactando a economia no seu conjunto.
O European Payment Report 2026 baseia-se em respostas de 8.385 empresas de 20 países europeus, analisando a gestão de pagamentos, o risco financeiro e os efeitos da atual conjuntura económica.