segunda-feira, 14 set. 2026

Álvaro Beleza renova liderança na SEDES com Sines na linha da frente

Reeleito por unanimidade, Álvaro Beleza renova SEDES e envia relatório estratégico sobre a refinaria de Sines ao Presidente e ao primeiro-ministro
Álvaro Beleza renova liderança na SEDES com Sines na linha da frente

Álvaro Beleza foi reconduzido na presidência do Conselho Coordenador da SEDES por mais dois anos. A eleição ficou marcada pela aprovação unânime da lista única e por um voto de louvor à direção cessante, proposto pelo fundador Guilherme d’Oliveira Martins.

Para este novo mandato, Álvaro Beleza conta com uma equipa renovada no Conselho Coordenador, que inclui figuras como Miguel Poiares Maduro, e Estela Barbot. A mesa da Assembleia Geral continua a ser presidida por José Roquette, enquanto José António Barreiros assume a liderança do Conselho Fiscal.

Sines no topo da estratégia

A nova direção não perdeu tempo a marcar a agenda política e económica do país. A SEDES_já preparou um documento estratégico sobre as implicações do acordo Galp - Moeve para a refinaria de Sines. No documento, enviado ao Presidente da República e ao primeiro-ministro, a associação defende que o negócio «tem implicações complexas e sérias do ponto de vista estratégico para Portugal», alertando para os impactos que poderá ter na autonomia energética, na capacidade industrial e na soberania nacional.

Segundo a carta, a operação prevê que a refinaria de Sines seja integrada numa nova sociedade detida «em até 80%» por um consórcio formado pela Mubadala (70%) e pela Carlyle (30%), ficando a Galp com «um máximo de 20%». A SEDES assinala que esta estrutura suscita dúvidas, uma vez que a capacidade de refinação da Galp justificaria, nas contas apresentadas pela associação, uma participação de 33,9% na nova empresa.

A associação contextualiza que a Galp tem capacidade para processar 226 mil barris de petróleo por dia na refinaria de Sines, enquanto a Moeve processa cerca de 440 mil barris diários nas refinarias de Huelva e Cádis. Em conjunto, o novo operador teria uma capacidade de 666 mil barris por dia, aproximando-se da dimensão da Repsol, que processa cerca de 700 mil barris diários.

Na distribuição de combustíveis, a carta refere que a nova empresa passaria a operar com a marca Galp em Portugal e com a marca Moeve em Espanha, levando ao desaparecimento da marca Galp no mercado espanhol. A SEDES considera que este movimento representa a perda de «uma das poucas marcas portuguesas com relevância no estrangeiro».

A principal preocupação da associação centra-se, contudo, na refinaria de Sines, atualmente a única em funcionamento em Portugal. A SEDES sublinha que as refinarias são ativos de elevada complexidade tecnológica e afirma que «é difícil exagerar a importância atual deste tipo de ativos para a autonomia estratégica de um país».

Segundo a carta, «graças à refinaria de Sines, Portugal é hoje em dia autossuficiente em capacidade de refinação». A concretizar-se a operação descrita, a associação considera que «Portugal ficará totalmente dependente de decisões tomadas fora do país (e da UE), no que toca ao abastecimento de produtos refinados».

A associação alerta igualmente para o risco de perda de conhecimento técnico, capacidade de investigação e inovação ligados à transição energética, bem como para a possibilidade de os futuros investimentos na refinaria passarem a obedecer a uma lógica de otimização do conjunto das refinarias do grupo, sem garantias de que sejam asseguradas «a sua funcionalidade e operacionalidade no futuro».

A SEDES destaca ainda que a refinaria de Sines está atualmente a desenvolver investimentos em hidrogénio verde, combustível vegetal hidrotratado (HVO), combustíveis sustentáveis para a aviação (SAF) e biocombustíveis de segunda geração produzidos a partir de resíduos alimentares e agrícolas, defendendo que estes projetos estão a transformar a refinaria numa biorefinaria, enquadrada na transição energética.

O documento recorda ainda o encerramento da refinaria de Matosinhos e os impactos que essa decisão teve no complexo petroquímico de aromáticos e na unidade de Estarreja, defendendo que Portugal não deve aumentar a sua dependência externa em matéria de combustíveis refinados.

Sem propor uma solução concreta, a associação pede que «tudo seja feito para assegurar que a refinaria de Sines continuará a dispor de adequadas condições de viabilidade para desempenhar a sua função estratégica de assegurar, em qualquer contexto geopolítico, o abastecimento de produtos refinados ao país».