Altice deu um primeiro passo na reorganização do seu portefólio europeu ao acordar a venda da operadora francesa SFR por cerca de 20,35 mil milhões de euros, incluindo dívida. O negócio, anunciado no início de junho e fechado agora, envolve um consórcio formado pela Bouygues Telecom, Orange e Iliad, que pretendem dividir entre si os ativos da SFR, numa das maiores operações de consolidação do setor europeu das telecomunicações dos últimos anos.
A venda surge após vários anos de pressão financeira sobre a Altice France, cuja dívida foi reestruturada em 2025, reduzindo-se de cerca de 24 mil milhões para 15,5 mil milhões de euros. A alienação da SFR é vista como o culminar de uma estratégia de desalavancagem conduzida por Patrick Drahi, fundador do grupo Altice.
Esta venda – por valores abaixo dos incialmente estimados – vem na linha dos resultados igualmente pouco auspiciosos do grupo também em Portugal.
Embora a Altice Portugal continue a ser um dos ativos mais importantes do grupo, o mercado nacional apresenta um perfil de crescimento mais limitado desde a saída dos sócios portugueses.
Mas se a Altice optou por uma venda estrutural do seu principal negócio de telecomunicações em França, em Portugal o grupo mantém o controlo da operação e, nos últimos anos, recusou propostas de aquisição que considerou insuficientes. Em 2022, a Altice chegou a avaliar uma eventual venda da operação portuguesa, mas abandonou o processo por divergências de valorização com potenciais compradores.
Enquanto isso, a operação francesa continuava a perder escala comercial. Os resultados mais recentes da Altice France mostram receitas de 2,16 mil milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, uma queda homóloga de 9,1%, e um EBITDA de 583 milhões de euros, menos 13,1% do que no período homólogo. Estes indicadores reforçaram a pressão para uma solução estratégica para a SFR.
A concretizar-se após aprovação regulatória, a venda da SFR reduzirá de quatro para três o número de grandes operadores móveis em França, alterando profundamente a estrutura do mercado francês. Para a Altice, a operação representa uma das mais significativas alienações da sua história recente e poderá marcar o início de uma nova fase, mais focada na redução do endividamento do que na expansão internacional que caraterizou o grupo na última década.