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O preço do petróleo Brent prolongou a correção iniciada na quinta-feira, depois de ter atingido um máximo de várias semanas na quarta-feira, negociando agora pouco acima dos 75 dólares por barril. A descida reflete o alívio dos receios de um agravamento do conflito entre os Estados Unidos e o Irão, nomeadamente quanto ao risco de um encerramento prolongado do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo.
Segundo Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe, "os receios de que os Estados Unidos e o Irão possam voltar a mergulhar num conflito em larga escala, um cenário que poderia conduzir a um encerramento prolongado do Estreito de Ormuz, diminuíram". O responsável acrescenta que, "apesar da continuação das trocas de ataques militares entre os dois lados, os investidores mantêm a esperança de que as hostilidades sejam de curta duração, permitindo a estabilização do tráfego marítimo através do Estreito".
Ainda assim, Ricardo Evangelista considera que "é pouco provável que os preços recuem de forma significativa face aos níveis atuais enquanto ambas as partes permanecerem ativamente envolvidas no conflito". Por isso, sublinha que "os investidores no mercado petrolífero continuarão atentos ao progresso das negociações diplomáticas e aos desenvolvimentos no terreno, reagindo rapidamente a quaisquer novos acontecimentos, numa dinâmica que poderá manter a volatilidade em níveis elevados".
Nos mercados acionistas, a evolução do conflito continua igualmente a influenciar o sentimento dos investidores. Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe, refere que "foi uma semana volátil para as bolsas, marcada pela nova escalada do conflito entre os EUA e o Irão, seguida de alguma descompressão depois de Donald Trump ter afastado, para já, um regresso a uma guerra em grande escala e mostrado otimismo quanto a uma possível redução das tensões".
Apesar desse alívio, o analista destaca que "os investidores continuam preocupados com os desenvolvimentos em torno do Estreito de Ormuz e com as consequências que uma subida sustentada do petróleo poderá ter nos custos energéticos e na inflação". Henrique Valente observa ainda que "os preços permanecem relativamente contidos, com o Brent perto dos 75 dólares por barril, embora acumule uma valorização semanal próxima de 5%".
Para a próxima semana, o foco dos mercados estará nos indicadores económicos dos Estados Unidos. Como salienta Henrique Valente, "as atenções estarão centradas nos dados da inflação norte-americana, com o IPC na terça-feira, o índice de preços no produtor na quarta-feira e as vendas a retalho na quinta-feira".