Afastar a Huawei das redes europeias pode custar 40 mil milhões de euros

Um novo estudo da GSMA Intelligence, encomendado por sete grupos de operadoras europeias, entre as quais a MEO, aponta para um valor muito superior ao inicialmente estimado por Bruxelas para a exclusão de fornecedores considerados de alto risco.
Afastar a Huawei das redes europeias pode custar 40 mil milhões de euros

A proposta de revisão do Cybersecurity Act da União Europeia, conhecida como CSA2, prevê a remoção obrigatória de equipamento fornecido por chamados fornecedores de alto risco (HRV, na sigla em inglês), como a Huawei e a ZTE, das redes de telecomunicações europeias num prazo de três anos após a entrada em vigor da lei. A medida visa reforçar a segurança das infraestruturas críticas do continente, mas o custo associado poderá ser muito mais elevado do que o previsto pela Comissão Europeia.

Custo direto pode chegar aos 40 mil milhões

Segundo o estudo, a substituição física do equipamento das redes móveis, fixas e de transporte na União Europeia deverá custar entre 30 e 40 mil milhões de euros, com uma estimativa central de 35 mil milhões. As redes móveis representam a fatia mais significativa deste valor, entre 16 e 22 mil milhões de euros, seguidas pelo transporte, entre 9 e 12 mil milhões, e pelas redes fixas, até cinco mil milhões.

Estes números dizem respeito apenas à substituição direta de equipamento e não incluem custos como o abate de ativos ainda em utilização, a disrupção de serviços ou o impacto em futuros planos de investimento, pelo que o valor total do processo poderá ser ainda mais elevado.

A estimativa da GSMA Intelligence contrasta com a avaliação inicial da Comissão Europeia, que apontava para um custo anual de três a quatro mil milhões de euros durante três anos, apenas para as redes móveis.

Menos concorrência, preços mais altos

Para além do custo direto da substituição, o estudo alerta para o impacto da redução do número de fornecedores disponíveis no mercado. Com a saída dos fornecedores de alto risco, a concorrência entre os restantes fabricantes de equipamento tende a diminuir, o que deverá traduzir-se em subidas de preços: 24% no equipamento de redes móveis, 19% nas redes fixas e 10% nas redes de transporte.

Este efeito deverá gerar um custo adicional de cerca de 8,5 mil milhões de euros até 2030, e de aproximadamente 24 mil milhões até 2035, sobretudo devido ao encarecimento do investimento em redes móveis.

O estudo aponta ainda que o equipamento de rádio (RAN) usado para substituir o das operadoras tende a ser menos eficiente do ponto de vista energético, o que poderá aumentar os custos operacionais a longo prazo, além dos riscos de disrupção associados aos prazos apertados impostos pela nova legislação.

Um défice de investimento que se agrava

A Europa já enfrenta um défice significativo de investimento em infraestrutura digital. Segundo o mesmo estudo, seriam necessários cerca de 475 mil milhões de euros para garantir conectividade de excelência no continente, mas apenas 270 mil milhões estão atualmente previstos, deixando um défice de 205 mil milhões de euros. Encargos regulatórios adicionais, como os associados à exclusão de fornecedores de alto risco, arriscam alargar ainda mais esta lacuna, com consequências para a modernização das redes, o desenvolvimento do 5G standalone e da fibra, e para a competitividade digital europeia.