A União Europeia e o Mercosul assinaram este sábado, em Assunção, no Paraguai, um acordo comercial histórico que cria a maior zona de livre-comércio do mundo, após mais de 25 anos de negociações. O tratado promete ter impacto direto na economia portuguesa, sobretudo nas exportações agroalimentares e industriais.
A assinatura decorreu na capital paraguaia, sob a presidência do chefe de Estado Santiago Peña, e contou com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, do presidente do Conselho Europeu, António Costa, e de vários líderes sul-americanos. O acordo foi formalmente rubricado pelos ministros dos Negócios Estrangeiros dos países do Mercosul e pelo comissário europeu do Comércio.
Com este entendimento, serão eliminadas tarifas para cerca de 91% das exportações da União Europeia para o Mercosul e para 92% das exportações sul-americanas para o espaço europeu, criando um mercado comum com mais de 700 milhões de consumidores e um PIB conjunto estimado em cerca de 22 biliões de dólares.
O que muda para Portugal
Para Portugal, o acordo representa uma abertura relevante a mercados tradicionalmente protegidos, em particular no Brasil. Produtos como o vinho e o azeite, duas das principais exportações portuguesas para a região, vão beneficiar de uma redução gradual — e em alguns casos eliminação total — das tarifas aduaneiras.
Também setores industriais com peso na economia nacional, como a maquinaria, os componentes automóveis, o setor químico e farmacêutico, poderão ganhar competitividade num mercado onde as taxas de importação chegam atualmente a valores elevados.
O tratado prevê ainda a proteção de produtos europeus com denominação de origem, o que poderá reforçar o posicionamento de marcas portuguesas no mercado sul-americano.
A assinatura do acordo surge num contexto de crescente protecionismo internacional e é vista por Bruxelas como uma aposta estratégica para reforçar as cadeias comerciais da União Europeia. O texto terá agora de ser ratificado pelos parlamentos nacionais antes de entrar plenamente em vigor.