quarta-feira, 10 jun. 2026

Talento à solta

Com o aproximar do fim da era Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, o Mundial da América do Norte marca também o início de um novo ciclo no futebol mundial. Há vários jovens que podem ser protagonistas neste torneio.
Talento à solta

O Campeonato do Mundo deste ano é o primeiro da história com 48 países, que podem inscrever 26 jogadores. Durante 39 dias, vamos ver as principais estrelas do futebol mundial a lutar por grandes conquistas. Esta competição é também a confirmação definitiva de uma geração que transformou o futebol moderno através de uma liderança forte, talento e mentalidade ganhadora, sendo Cristiano Ronaldo o melhor exemplo. No torneio disputado nos Estados Unidos, Canadá e México, vamos ver também uma nova geração de jogadores que, certamente, vai dar muito que falar e realizar grandes proezas. Mais do que promessas, estes jogadores são já verdadeiras soluções pela criatividade, capacidade de decisão e qualidade do futebol que apresentam. Estes adolescentes jogam com a maturidade tática de veteranos, pois já acumularam minutos importantes na Liga dos Campeões, conquistaram títulos nacionais e quebraram recordes que duravam décadas. Por vezes, os jogadores que definem os torneios não são aqueles que fazem manchetes na imprensa. A expectativa é grande para ver o que fazem os miúdos.

Jovens estrelas 

Da estreia de Pelé no Mundial da Suécia, em 1958, onde encantou o mundo com apenas 17 anos, ao primeiro Mundial de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, na Alemanha, em 2006, esta competição tem sido palco para os mais jovens se apresentarem ao mundo. No torneio da América do Norte, Lamine Yamal, João Neves, Désiré Doué, Pau Cubarsí e Franco Mastantuono são alguns dos rostos de uma geração que faz a sua estreia num campeonato do mundo depois de terem sido protagonistas no futebol europeu. 

Lamine Yamal, extremo direito do Barcelona, atingiu o estrelato antes da maioridade. Foi campeão europeu pela Espanha com 17 anos e passou a ser visto como um dos grandes talentos dos últimos anos. Tem excelente visão de jogo, uma capacidade de drible fora do comum e grande acerto no passe. Aos 18 anos, é peça central no modo de pensar o jogo do selecionador Luis de la Fuente e um calvário para alguns dos melhores laterais do futebol europeu. A Espanha tem outra estrela em ascensão que é o defesa central Pau Cubarsí. Formado nas escolas do Barcelona, vai disputar o seu primeiro Mundial, com apenas 19 anos. Afirmou-se rapidamente como titular na equipa catalã pela segurança defensiva em contexto de grande exigência competitiva, pela leitura de jogo e qualidade e sangue frio na saída com bola. É dos defensas mais talentosos da Europa e revela grande maturidade tática, vai ser um jogador fundamental para garantir a estabilidade da equipa. Foi campeão olímpico em Paris 2024 e pode voltar a subir ao pódio na América do Norte.

Aos 21 anos, João Neves vai disputar o seu primeiro Mundial. O médio do PSG ganhou rapidamente espaço no futebol europeu pela qualidade na saída com bola, leitura tática, critério no passe e capacidade de recuperação de bola. Começou por se afirmar no PSG e faz parte da (tímida) renovação encetada por Roberto Martínez – a seleção que vai disputar o Mundial não tem nenhum jogador da categoria Sub 21. Apesar da juventude, tornou-se num dos jogadores mais importantes do meio campo, demonstrando grande maturidade e responsabilidade. Vai ser fundamental para a organização e equilíbrio da equipa no meio campo.

Désiré Doué, de 20 anos, é um bom exemplo da nova geração francesa e um dos jovens mais entusiasmantes de ver jogar a nível europeu. A sua criatividade, capacidade de drible e imprevisibilidade fazem dele uma ameaça para as defesas contrárias. O avançado do PSG tem capacidade para decidir jogos e pode ser uma das grandes revelações do Mundial.

Há outros nomes que podem confirmar o seu talento nesta competição, caso de Florian Wirtz, médio ofensivo que ganhou notoriedade com a conquista do título pelo Bayer Leverkusen em 2023/2024. Aos 23 anos, chega ao Mundial com mais experiência e grande liberdade ofensiva, sendo um dos jogadores mais influentes na construção de jogo da Mannschaft. Destaca-se pela capacidade de drible e intensidade que coloca em cada partida. Ainda na Alemanha, destaque para Lennart Karl, extremo direito do Bayern Munique, de 18 anos, que faz parte da nova geração e procura recuperar consistência competitiva. É um jogador com boa técnica, inteligente a explorar os espaços vazios e ofensivo, que se enquadra perfeitamente na dinâmica de jogo da seleção alemã. Apresenta a média de um golo e uma assistência a cada 120 minutos no campeonato alemão; na Liga dos Campeões tem uma precisão no passe de 89% e foi o jogador mais jovem a marcar em três jogos consecutivos da liga milionária. Estes dois jogadores são dignos sucessores dos consagrados Müller e Kroos.

Franco Mastantuono foi o jogador mais jovem a estrear-se pela seleção argentina, mas não joga como um adolescente. O extremo direito do Real Madrid tem 18 anos e destaca-se pela inteligência de jogo, qualidade de passe e controlo de bola. Pode ser determinante na ligação entre o meio campo e o ataque, oferecendo soluções criativas em zonas interiores. É uma mais valia na defesa do título mundial da seleção celeste.

Conhecido por ‘Messinho’ quando estava nos escalões de formação do Palmeiras, Estevão mostrou o seu talento como extremo direito na primeira época no Chelsea. Tem grande capacidade de drible, um remate forte e é bom finalizador, tendo marcado nas três primeiras partidas na Liga dos Campeões, superiorizando-se a colegas de equipa mais experientes. O Brasil espera que Estevão seja determinante para a seleção ‘canarinha’, tal como Neymar foi para a geração anterior.

Equipa de luxo… em casa

Por opção dos selecionadores ou por terem contraído uma lesão grave, há grandes jogadores que vão ficar de fora do Mundial 2026. 

A lista dos não convocados dava para fazer uma equipa de luxo, capaz de chegar a uma fase adiantada da prova. Em relação à baliza, a ausência mais sonante é a de Donnarumma (Itália/Manchester City), na posição de lateral-direito temos Alexander-Arnold (Inglaterra/Liverpool), no centro da defesa podemos colocar Maguire (Inglaterra/Manchester United) e Foyth (Argentina/Villarreal) e no lado esquerdo Dimarco (Itália/Inter). No meio campo, aparece Hjulmand (Dinamarca/Sporting), Szoboslai (Hungria/Liverpool) e Tonali (Itália/Newcastle) e no ataque destaque para as ausências de Foden (Inglaterra/Manchester City), Rodrygo (Brasil/Real Madrid) e Lewandowski (Polónia/Barcelona). 

Os suplentes desta (não) equipa são igualmente jogadores de grande nível, casos de Ter Stegen (Alemanha/Girona), Bastoni (Itália/Nápoles), Grealish (Inglaterra/Everton), Sesko (Eslovénia/Manchester United), Gnabry (Alemanha/Bayern Munique), Samu (Espanha/FC Porto) e Kvaratskhelia (Geórgia/PSG).

Apesar de terem sido brilhantes nos seus clubes, há grandes nomes que nunca disputaram a fase final de um Mundial devido a lesão ou porque as suas seleções não se qualificavam. E há nomes surpreendentes, como Alfredo Di Stéfano, que foi internacional por três países (Argentina, Colômbia e Espanha), George Best (Irlanda do Norte), Ryan Giggs (País de Gales), Eric Cantona (França) e George Weah (Libéria).