Dezassete equipas e 118 ciclistas alinharam para a Volta a Portugal em bicicleta, o acontecimento desportivo do verão no nosso país, que aproxima o ciclismo das pessoas. Os corredores têm pela frente um percurso com 1.388 quilómetros, que atravessa o país, passando por cidades, vilas e aldeias. Os ciclistas vão disputar nove etapas em linha, um contrarrelógio e um prólogo. No total, há 23 contagens de montanha, 22 metas volantes e dois sprints bonificados.
Sempre que o pelotão sai para a estrada a população agita-se para ver os corredores, foi precisamente isso que acontece nos dois primeiros dias de prova que tiveram lugar entre Lisboa e a Lourinhã. A UAE Team Emirates XRG é atualmente a melhor equipa do mundo e dominou o prólogo (6,5 km), realizado em Lisboa. Julius Johansen foi mais rápido 4 s do que Rui Oliveira, o campeão olímpico de Madison. «Estou muito contente por bater o ‘mister prólogo’ de Portugal. É mesmo muito especial», frisou o dinamarquês numa referência a Rafael Reis, que tinha ganho o prólogo nas últimas cinco edições. Em 2024, os dois ciclistas tinham feito o mesmo tempo ao segundo, mas Rafael Reis ganhou pelos centésimos de segundo…
A primeira etapa em linha (157,1 km) ligou Lourinhã ao imponente Palácio Nacional de Queluz. Foi um percurso rompe-pernas com praticamente 2.400 metros de desnível acumulado. Nesta etapa, os corredores desafiaram a sempre difícil subida de Montelavar antes de passarem pelo Alto de São Pedro de Sintra, duas contagens de terceira categoria para o prémio da montanha.
No final do prólogo, Julius Johansen disse que esperava passar a camisola amarela para o seu colega Rui Oliveira no dia de hoje, e o objetivo foi cumprido. A etapa ficou marcada pela fuga de um grupo de ciclistas, que chegou a ter minuto e meio de avanço, só que foi apanhado antes de Sintra. A subida a São Pedro era o ponto quente da etapa e foi importante para as contas finais, já que provocou uma reviravolta na classificação geral. O ritmo imposto foi fortíssimo e o ex-camisola amarela, Julius Johansen, perdeu o contacto com a frente da corrida e terminou a mais de quatro minutos dos primeiros.
Os derradeiros 19 quilómetros foram feitos num percurso muito técnico e rápido (os ciclistas chegaram aos 56 km/h), a caminho do Palácio Nacional de Queluz. Estavam criadas as condições para um final ao sprint, onde Francisco Campos (Tavira Crédito Agrícola) foi o melhor, ganhando a etapa, com uma média de 43 km/h. Rui Oliveira (UAE Team Emirates XRG) foi quarto classificado, com o mesmo tempo do vencedor da etapa, e é o novo líder da Volta a Portugal, com 3 s de vantagem sobre Rafael Reis (Anicolor/Campicarn) e 9 s para Carlos Salgueiro (Tavira Crédito Agrícola). «Estou sem palavras. Vestir de amarelo na primeira participação na Volta a Portugal é a concretização de um sonho. A equipa acreditou em mim, deu-me muita confiança e ajudou-me bastante na parte final. Tive boas pernas na subida, estava motivado e aguentei bem os ataques. Vou defender esta camisola dia a dia», disse o líder da prova.
No prémio da montanha, o espanhol Oscar Rota (Boavista) é o primeiro classificado, e Francisco Campos é o primeiro na classificação por pontos. Na classificação por equipas, o Tavira Crédito Agrícola tem 14 s de vantagem sobre a Euskaltel Euskadi.
A etapa de hoje liga Sines a Albufeira (177 km). Percorre uma parte da Costa Alentejana e da Costa Vicentina, tem duas pequenas subidas nos dois últimos quilómetros e pode ter uma chegada ao sprint. É a oportunidade de os velocistas brilharem, já que nas etapas seguintes aparecem as primeiras dificuldades, com a subida à Torre, no domingo.