quarta-feira, 15 abr. 2026

Revistas abusivas, pirotecnia e arremesso de objetos: os acontecimentos que marcaram o clássico

O empate na Luz mantém o FC Porto na liderança, com mais cinco pontos que o Sporting e sete que o Benfica. Mas o que marcou o clássico não fez parte das quatro linhas.

O clássico do passado domingo, que acabou com o empate entre as duas equipas, teve alguns precalços que não foram vistos durante a partida.

Ainda à porta do Estádio da Luz, o FC Porto tinha requisitado à Liga de Portugal um acompanhamento da revista feita na entrada dos adeptos portistas na Luz. O motivo baseou-se em queixas anteriores de adeptos azuis e brancos: queixaram-se sobretudo de uso de força excessiva por parte das autoridades e de apalpação de zonas íntimas de forma inadequada na zona de revista. Desta vez, toda a operação de revista foi ser coberta com recurso a fotografias e vídeos.

Durante a "caixa de segurança" até à chegada ao estádio dos adeptos do FC Porto, foi registado o momento em que um dos portistas foi assistido pelo INEM. No entanto, o motivo é ainda desconhecido.

Mais tarde, veio a público a detenção de uma Assistente de Recinto Desportivo (vigilante de segurançaprivada especializada em garantir a segurança e o conforto dos adeptos) após uma revista abusiva. A assistente terá alegadamente colocado as mãos dentro do sutiã de uma adepta, de acordo com o jornal Observador.

O jogo ficou marcado por vários episódios de pirotecnia, que chegou a interromper a partida por falta de visibilidade. Foi ainda erguido um "estendal" com adereços do FC Porto, como tarjas e camisolas, que acabaram por ser queimados com tochas, num episódio novamente marcado por muito fumo.

A expulsão do treinador benfiquista, José Mourinho, e de outro elemento da equipa do FC Porto nos minutos finais do jogo voltou a acender os ânimos, mas na zona dos bancos. Mourinho terá mesmo feito o "gesto de pequenino" para Lucho González, adjunto portista. O técnico do Benfica revelou mais tarde que o argentino lhe terá chamado traidor "umas 50 vezes". "Ele quando foi para o Marselha traiu o FC Porto? Podia ter-me insultado de outra maneira, talvez achasse melhor, mas acho que é um ataque ao meu profissionalismo", lamentou Mourinho mais tarde, na conferência de imprensa.

Enquanto a tensão aumentava nos bancos, Pepê, jogador do FC Porto, foi atingido por um objeto arremessado das bancadas. O objeto, um isqueiro, foi mais tarde entregue ao árbitro para descrever a situação no Relatório de Jogo. Já o roupeiro dos azuis e brancos, Jardel, foi atingido por uma pedra. Parte dos acontecimentos foram captados pela transmissão em direto na BTV, o canal do SL Benfica.

Por fim, o autocarro do FC Porto saiu do Estádio da Luz com um atraso de mais de duas horas, devido a uma "conversa longa" por uma nova regra do Conselho de Arbitragem. O antigo árbitro Lucílio Baptista foi o "mentor" que se reuniu com o árbitro da partida João Pinheiro para analisar os principais lances do jogo. O delegado do Porto teve de esperar pela concretização desta nova regra para poder ler e assinar o relatório do jogo.

O clássico acabou com um empate (2-2), mantendo o FC Porto na liderança da I Liga com 66 pontos, quatro à frente do Sporting e sete do Benfica.