Nélson Évora terminou esta quinta-feira a carreira de atleta, aos 42 anos, com um "último salto" de 16,72 metros realizado no Estádio Universitário de Lisboa, num momento carregado de simbolismo.
O adeus acontece apenas duas semanas depois de o triplista se ter sagrado campeão nacional pela 13.ª vez, encerrando um percurso de mais de 20 anos entre a elite do atletismo internacional.
No regresso à competição, após três anos de ausência, Évora alcançou este ano a marca de 16,03 metros, a segunda melhor marca nacional da temporada, apenas superada pelos 17,71 metros de Pedro Pichardo.
"Chegou o momento"
O antigo campeão olímpico explicou que o regresso nunca teve como objetivo voltar aos grandes títulos, mas sim recuperar o prazer de competir.
"Foi um projeto que não foi planeado para ser assim. Correu muito bem. Sinceramente esperava saltar mais, mas tive muito poucas provas para ganhar ritmo competitivo. Foi um desafio muito bom, soube a pouco, mas com a idade que eu tenho tinha de chegar este momento."
O atleta recordou que o evento desta quinta-feira teve apenas um caráter simbólico.
"Os nacionais foram uma prova oficial. Aqui foi um evento simbólico do 'último salto'. As pessoas tiveram a oportunidade de me voltar a ver saltar. Não esperava que ficassem tão felizes com o meu regresso. Eu queria apenas voltar a sentir alegria ao saltar."
Admitiu ainda que a exigência física pesou na decisão de terminar a carreira.
"É difícil trabalhar o corpo para responder da melhor forma e fazer um bom triplo salto. Mas estou feliz e sinto-me completo."
O ouro olímpico continua a ser o momento mais marcante
Sem qualquer hesitação, Nélson Évora apontou a medalha de ouro conquistada nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, como o ponto mais alto da carreira.
"Sem dúvida, o momento mais alto da minha carreira é o título olímpico. É o máximo que um atleta pode atingir. Sonhei com isso quando era mais jovem e nunca imaginei entrar para a história do desporto nacional."
Ao longo da carreira conquistou ainda títulos mundiais, europeus e várias medalhas em competições internacionais, tornando-se uma das maiores figuras do atletismo português. O percurso completo do atleta pode ser consultado no perfil oficial da World Athletics.
A lesão e a morte do pai marcaram o momento mais difícil
O antigo atleta recordou também aquele que considera ter sido o período mais duro da sua vida desportiva, em 2011, quando sofreu uma grave lesão e perdeu o pai poucos meses depois.
"O momento mais baixo foi quando me lesiono na perna e poucos meses depois perco o meu pai. Era quem me apoiava incondicionalmente. Senti vontade de desistir. Achei que era o fim da minha carreira. Tive de ter muita força e muita resiliência para dar a volta por cima."
Futuro ainda por decidir
Sobre o próximo capítulo da vida, Nélson Évora garante que ainda não tomou uma decisão.
Entre as possibilidades admite continuar ligado ao desporto, seja como treinador ou dirigente, mas prefere refletir antes de dar esse passo.
"Agora é tempo de fechar ciclos e começar outros projetos. Tenho muitas coisas em cima da mesa, mas prefiro decidir com calma."
Questionado sobre se todo o percurso valeu a pena, respondeu sem qualquer dúvida.
"Valeu a pena a cada segundo. Estou orgulhoso de mim e de todo o percurso. Aprendi muito, muitíssimo."