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A última convocatória de Roberto Martínez – o seu contrato termina após o Mundial – não teve história, mas teve uma grande surpresa que foi a chamada de um quarto guarda-redes… para ficar na bancada. Numa conferência de imprensa bastante tranquila, na qual teve uma palavra de apreço para os jogadores que ficaram de fora e lembrou Diogo Jota, o selecionador nacional garantiu que foi «uma escolha responsável e profissional», e que esta é a melhor seleção para o Campeonato do Mundo, que se realiza nos Estados Unidos, Canadá e México, entre 11 de junho e 19 de julho.
Como sempre acontece, há quem questione as escolhas de Roberto Martínez, é assim em todos os países, mas ninguém estava à espera da chamada de Ricardo Velho para ajudar no processo de treino de forma a tirar carga ao guarda-redes principal. «Cada sessão de treino tem grande intensidade. Há muita finalização e precisamos de mais um guarda-redes», explicou o selecionador, que escolheu ainda nove defesas, seis médios e oito avançados. Numa competição tão longa e desgastante como é o Mundial de futebol, é arriscado levar apenas quatro defesas centrais, é verdade que há laterais que podem jogar no centro da defesa, mas não é a mesma coisa. Numa lista previsível, as entradas de Tomás Araújo, Samu Costa e Gonçalo Guedes implicaram as ausências de outros selecionáveis, como António Silva, Palhinha, Pote, Mateus Fernandes ou Ricardo Horta.
Quando olhamos para as internacionalizações e experiência em grandes competições da maioria dos jogadores, podemos dizer que Portugal tem matéria-prima para fazer um grande Mundial – o Transfermarkt avalia a seleção nacional em 864,5 milhões de euros. Recorde-se que Portugal já foi campeão europeu em 2016 e venceu a Liga das Nações em 2019 e 2025, só falta mesmo o título mundial. «É o início de uma luta contra a história. Temos de estar juntos e usar os nossos valores. Queremos sonhar em grande e fazer aquilo que nunca foi feito», frisou o selecionador.
Nada garante a Roberto Martínez o sucesso na viagem à América do Norte, mas a experiência coletiva e a dinâmica em campo vão ser determinantes para o resultado final. «Portugal é candidato, mas não é favorito. Para vencer um Mundial não basta ter talento e jogar bem. Há muitos desafios e o aspeto psicológico é muito importante. Por essa razão, só uma seleção que tenha ganho a competição pode ser considerada favorita», explicou.
Roberto Martínez mostrou-se satisfeito com a situação atual da equipa das quinas. «Acho que conseguimos um grande equilíbrio e podemos preparar o Mundial ao pormenor», disse. E adiantou: «Respeitamos muito a RD Congo, conheço alguns jogadores que cresceram na Bélgica e trabalhei com eles, e o Uzbequistão. As equipas que disputam um Mundial pela primeira vez têm uma vontade e um sonho que não se pode controlar. Depois, veremos como estaremos frente à Colômbia».
Aos 41 anos, Cristiano Ronaldo vai disputar o sexto mundial consecutivo e é uma peça fundamental na estratégia do selecionador. «Espero que ele tenha a mesma importância que teve nos últimos três anos. Há o ícone Cristiano Ronaldo, que todos os adeptos do mundo conhecem, e há o nosso capitão, que tem grande exigência e é muito competitivo. É um capitão exemplar dentro do balneário. Foi fundamental para ganharmos a Liga das Nações e agora queremos o mesmo nível de responsabilidade», disse Roberto Martínez.
Recorde-se que Portugal esteve presente em oito Campeonatos do Mundo: Inglaterra (1966), México (1986) Coreia do Sul e Japão (2002), Alemanha (2006), África do Sul (2010), Brasil (2014), Rússia (2018) e Qatar (2022), tendo como melhor classificação o terceiro lugar, em 1966, com a famosa equipa de ‘Os Magriços’.
Vencer o grupo
A seleção portuguesa ocupa atualmente a quinta posição no ranking da FIFA e figura entre as candidatas a ganhar o Mundial 2026. Na fase de preparação, a equipa das quinas vai defrontar o Chile e a Nigéria, dois jogos para seguir com muita atenção já que estas equipas têm algumas semelhanças com os adversários da fase de grupos, que são a República Democrática do Congo, Uzbequistão e Colômbia, seleções que Portugal nunca defrontou. Se a seleção nacional for competente, vencer o seu grupo e as duas eliminatórias seguintes, atinge os quartos de final, onde pode defrontar a Argentina, a atual campeã. O 100.º jogo do torneio proporcionaria um duelo épico entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi e Kansas City seria o cento do mundo, a 11 de julho.
A Colômbia é uma seleção muito forte e como é o último adversário pode definir o primeiro lugar do grupo K. Os ‘cafeteros’ ocupam o 13.º lugar no ranking da FIFA e estão avaliados em 300,5 milhões de euros. É uma equipa talentosa e descomplexada quando defronta rivais mais fortes e foi terceira classificada no apuramento sul-americano. Tem jogadores de grande qualidade em todos os setores, a maioria joga na Europa, caso de Luís Suárez (Sporting), o melhor marcador da liga portuguesa, Richard Ríos (Benfica), Luiz Diaz, Johab Aria e o capitão James Rodriguez.
A República Democrática do Congo (RD Congo) volta a um Mundial passados 52 anos, a primeira vez que competiu foi com o nome de Zaire. A seleção africana é conhecida pelos ‘leopardos’, ocupa atualmente a 46.ª posição no ranking da FIFA e tem um valor de mercado de 153,4 milhões de euros. A RD Congo apurou-se no playoff intercontinental ao vencer a Jamaica. É uma equipa experiente, lutadora, com grande disciplina tática e coesão coletiva, que procura fazer história e passar à fase seguinte da competição.
O Uzbequistão qualificou-se pela primeira vez para um Mundial ao ficar em segundo lugar nas eliminatórias asiáticas. Ocupa a 50.ª posição na tabela da FIFA e está avaliado em 79,2 milhões de euros. Os ‘lobos brancos’ têm uma geração de ouro, que joga na Europa e nos principais campeonatos asiáticos. É uma equipa muito física, com uma defesa de ferro e muito rápida no contra-ataque, mas falta-lhe experiência ao mais alto nível.