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Depois da entrada em falso frente à RD do Congo, Portugal encontrou o ponto de equilíbrio entre o excesso de confiança e a falta de atitude e obteve uma vitória clara sobre o Uzbequistão (5-0). A seleção nacional tem jogadores para grandes feitos e isso ficou bem demonstrado neste jogo, onde tudo se resumiu a uma abordagem e dinâmica completamente diferentes frente à seleção treinada por Fabio Cannavaro, campeão do mundo e Bola Ouro em 2006. Depois da depressão africana, esta goleada aumentou a confiança e praticamente garantiu a passagem aos 16 anos de final, resta saber em que lugar.
O selecionador nacional fez duas alterações, com a entrada de Rúben Dias e João Félix, que trouxe maior criatividade ao ataque. Portugal realizou uma exibição convincente, teve uma atitude dominadora quando tinha a bola e muito pressionante quando a perdia, não deixando os uzbeques respirar. As estatísticas confirmam isso mesmo, com 56% de posse de bola e nove remates à baliza, contra apenas dois da modesta seleção do Uzbequistão (50.ª no ranking FIFA). Marcou cedo por Cristiano Ronaldo e manteve o foco na baliza contrária. Num livre de antologia, Nuno Mendes fez o segundo golo e o capitão bisou ainda no primeiro tempo – foi o golo 975 da sua carreira! Portugal manteve o domínio do jogo no segundo tempo e marcou mais duas vezes, num autogolo do guarda-redes uzbeque e por Rafael Leão.
Foi uma exibição coletiva muito bem conseguida, que agradou ao selecionador Roberto Martínez. «Há momentos em que precisamos de jogos como o primeiro para crescer», começou por dizer. «Vimos uma equipa com maturidade, que deixou de fora a emoção da estreia. Fico contente porque mereceram este resultado. Gerimos muito bem as emoções depois de marcarmos o primeiro golo», salientou. O selecionador garantiu ainda que o «grupo está muito forte e unido e que há coesão no balneário». Sobre a importância de Cristiano Ronaldo no desenrolar do jogo, afirmou: «Era uma questão de momento. Os movimentos do Cris são os melhores de um ponta de lança dentro da área e, desta vez, a bola entrou, mas ele continua a criar oportunidades em todos os jogos».
Mais dois recordes
Este jogo teve muita coisa boa a nível pessoal, com destaque para Cristiano Ronaldo, que virou a história a seu favor depois de uma semana difícil e foi eleito pela FIFA o melhor jogador em campo, aos 41 anos. Depois de dez jogos em branco, foi bonito ver CR7 a marcar e foram dois golos com grande significado, já que é o primeiro jogador a marcar em seis Mundiais consecutivos (Lionel Messi não marcou no Mundial de 2010) e, simultaneamente, o melhor marcador de sempre da seleção nacional com 10 golos, suplantando o registo de Eusébio com nove golos no Mundial de Inglaterra, em 1966. CR7 é único!
O capitão de Portugal acabou o jogo a gritar «I’m back», e explicou o porquê: «Era só para não se esquecerem! Sempre a responder assim, há 23 anos. Estou muito feliz, mas o mais importante foi o trabalho que a equipa fez, a confiança que tivemos. Levámos muita porrada durante a semana. A crítica foi muito forte, principalmente para comigo, parecia que já estava retirado do futebol. Mas consigo suportar bem. Foi difícil, tenho que confessar, mas estamos de volta e sabíamos que isto ia acontecer. Há males que vêm por bem. É impossível controlar tudo o que vem de fora, mas temos uma grande virtude que é sabermos controlar as emoções», disse. Sobre os recordes, salientou: «Fiquei satisfeito por marcar, é sempre bonito batê-los, mas o meu objetivo é ajudar a seleção».
O empate da primeira jornada ficou para trás, a vitória caiu bem, mas ainda falta o desafio mais difícil. Na madrugada de domingo (00h30), Portugal vai decidir o primeiro lugar do Grupo K com a Colômbia, que está apurada para a fase seguinte após derrotar a RD Congo (1-0). A seleção sul-americana não é muito forte na defensa, mas privilegia o futebol ofensivo, intenso e de posse. O meio campo é agressivo e rápido nas transições, muito por ação de James Rodrigues – o antigo jogador do FC Porto continua a ser o pensador de jogo dos ‘cafeteros’ – e de Richard Ríos (Benfica). No ataque, Luis Díaz (ex-FC Porto), está no auge da carreira, e Luis Suárez (Sporting) são uma ameaça para qualquer defesa. Portugal tem tudo para ganhar, mas, mesmo que perca, tem o apuramento praticamente garantido. Com quatro pontos e um goal average positivo (+ 5), teria de haver um descalabro e perder por sete golos para ficar fora do Mundial. A questão do apuramento até pode ter ficado resolvida nos jogos que se realizaram nesta madrugada.
Depois da depressão africana, esta goleada aumentou a confiança para uma partida que pode ser determinante para o futuro, sendo certo que o primeiro lugar deixa a vida mais facilitada para a fase a eliminar. O vencedor do grupo vai defrontar um dos terceiros classificados do Grupo D (Austrália ou Paraguai), Grupo E (Costa do Marfim ou Equador), Grupo I (Senegal ou Iraque), Grupo J (Áustria ou Argélia) ou Grupo L (Inglaterra, Gana ou Croácia). O segundo classificado vai defrontar o segundo do Grupo L e o terceiro classificado joga com o vencedor desse mesmo grupo. Com as classificações atuais, Portugal iria defrontar (dia 3 de julho) o Gana, treinado por Carlos Queiroz.
Hora das decisões
Na segunda semana de Mundial assistimos a jogos bem disputados, caso do Inglaterra-Croácia (4-2), de goleadas impensáveis como aconteceu nos Países Baixos-Suécia (5-1) e de um momento histórico quando Lionel Messi marcou dois golos à Áustria e passou a ser o melhor marcador em fases finais, com 18 golos – neste torneio já marcou cinco em apenas dois jogos.
Há muita coisa em jogo na terceira e última jornada da fase de grupos e pode haver grandes surpresas. Neste momento, estão apuradas para os 16 avos de final as seguintes seleções: México, Suíça, Canadá, Bósnia e Herzegovina, Brasil, Marrocos, Estados Unidos, Alemanha, França, Noruega, Argentina, Colômbia e África do Sul, que pela primeira vez passa à fase seguinte. Depois de realizadas 56 partidas, a Europa venceu apenas 17, as seleções sul-americanas nove e as africanas sete.
Carlos Queiroz é o único treinador português presente nesta competição e fez história ao ser o selecionador mais velho a vencer um jogo num Mundial. O técnico, de 73 anos, lidera a seleção do Gana, que derrotou (1-0) o Panamá e empatou (0-0) com a poderosa Inglaterra. Vai para a última jornada com grandes possibilidades de apuramento.
Cabo Verde surpreendeu ao impor um empate ao Uruguai (2-2), num jogo frenético onde os tubarões azuis até estiveram a ganhar – o primeiro golo marcado num Mundial motivou uma explosão de alegria dentro e fora do relvado. A surpresa é ainda maior se tivermos em atenção que Cabo Verde pode ficar em segundo lugar do grupo caso empate com a Arábia Saudita e o Uruguai seja derrotado pela Espanha na última jornada, que se realiza nesta madrugada.
A Turquia foi a primeira equipa a ser eliminada do Mundial após a surpreendente derrota frente ao Paraguai (0-1). Curiosamente, era a seleção que tinha realizado mais remates (62) à baliza… sem conseguir marcar. Este jogo ficou também marcado pela primeira expulsão motivada pela ‘Lei Prestianni’: o paraguaio Miguel Almirón foi apanhado a falar com Mert Muldur com a mão a tapar a boca e viu o cartão vermelho direto.