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O Mundial 2026 de futebol terminou no domingo com números inéditos de público e audiência, segundo a FIFA, que confirmou que a competição disputada nos Estados Unidos, Canadá e México bateu recordes tanto nos estádios como nas transmissões televisivas.
A competição terminou com a Espanha como campeã do mundo, depois de vencer a Argentina por 1-0 na final, mas os números alcançados ao longo do torneio também fizeram história.
Antes da final, a FIFA já contabilizava 6,6 milhões de adeptos nos estádios dos três países anfitriões. Após o último jogo, alguns meios de comunicação avançaram um total de 6,81 milhões de espectadores nos 104 encontros, numa média de 65.490 pessoas por partida.
A fasquia dos cinco milhões foi ultrapassada ainda nos oitavos de final, durante o encontro entre França e Suécia, superando largamente o anterior recorde de 3.587.538 espectadores, registado no Mundial de 1994, também disputado nos Estados Unidos.
A comparação ganha ainda maior dimensão porque o torneio de 1994 contou com apenas 52 partidas, metade dos 104 jogos realizados no atual formato.
Estádios com 99,7% de ocupação
O Mundial 2026 decorreu entre 11 de junho e 19 de julho e registou uma taxa de ocupação dos estádios de 99,7%, apesar da polémica relacionada com os preços elevados dos bilhetes.
"Sete milhões de pessoas nos estádios, dez milhões nas ruas dos Estados Unidos, Canadá e México, e milhares de milhões em frente às televisões", afirmou o presidente da FIFA, Gianni Infantino.
A competição foi disputada em 16 cidades, 11 nos Estados Unidos, três no México e duas no Canadá. Dos 104 jogos, 78 realizaram-se em território norte-americano.
Segundo a revista Forbes, a final entre Espanha e Argentina teve os bilhetes mais caros de sempre para um evento desportivo realizado nos Estados Unidos, num torneio marcado pela dimensão da procura e pela forte mobilização dos adeptos.
FIFA garante recordes de audiência televisiva
Apesar de ainda não ter divulgado números finais, a FIFA garantiu que também foram batidos recordes de audiência televisiva, tanto nos países anfitriões como a nível mundial.
O anterior máximo pertencia à final do Mundial 2022, no Qatar, que terá sido acompanhada por 1,5 mil milhões de telespectadores. Em 2018, na Rússia, a final tinha alcançado 1,12 mil milhões de espectadores.
Nas plataformas digitais, a FIFA estimava que, até ao final dos oitavos de final, 5,2 mil milhões de pessoas — quase dois terços da população mundial — tinham interagido com a competição pelo menos uma vez.
FIFA previa receitas superiores a sete mil milhões de euros
A dimensão do Mundial 2026 também se refletiu nas previsões financeiras da FIFA.
O organismo antecipava receitas superiores a sete mil milhões de euros, um aumento de 56% face ao Mundial de 2022 e de 67% em comparação com 2018.
As previsões apontavam ainda para um crescimento de 34% das receitas provenientes dos direitos televisivos, para perto de quatro mil milhões de dólares (cerca de 3,5 mil milhões de euros), e de 21% nas parcerias comerciais.
As despesas projetadas ascendiam a cerca de 3,7 mil milhões de dólares (3,2 mil milhões de euros), com aproximadamente um quarto desse valor destinado às seleções e aos clubes que cederam jogadores.
Prémios aumentaram 15%
O valor total dos prémios distribuídos às seleções também aumentou, subindo 15% para 871 milhões de dólares, cerca de 763 milhões de euros.
A Espanha, que conquistou o título, arrecadou 50 milhões de dólares, aproximadamente 43,8 milhões de euros.
Cada seleção participante garantiu, por sua vez, um mínimo de 12,5 milhões de dólares (10,9 milhões de euros), embora os valores não eliminem o impacto dos custos associados à dimensão geográfica inédita do torneio.
Mundial 2030 pode voltar a ter mais seleções
A FIFA já olha para o próximo ciclo da competição. O Mundial 2030 será organizado por Espanha, Portugal e Marrocos, com os primeiros três jogos a realizarem-se no Paraguai, Uruguai e Argentina, numa edição que assinalará o centenário do Campeonato do Mundo.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, admitiu em junho que existem discussões sobre uma eventual expansão para 64 seleções já em 2030.
A hipótese, contudo, enfrenta oposição. O presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, já classificou um eventual aumento do número de participantes como "mau para o Mundial e para as qualificações", deixando em aberto um novo debate sobre a dimensão futura da principal competição do futebol internacional.