A 31.ª edição da Major League Soccer (MLS) tem início amanhã com 30 equipas bem estruturadas - 27 norte-americanas e três canadianas -, estádios modernos, investidores milionários e mais adeptos em todo o mundo. O soccer adota um modelo de negócio virtuoso, que mistura desporto, entretenimento e investimento global, seguindo o exemplo de outras ligas, como a NFL (futebol americano) e a NBA (basquetebol).
É um campeonato com grande visibilidade, já que as 510 partidas são transmitidas pela Apple TV para mais de 100 países, com uma média de 711.000 espectadores por jogo.
A MLS registou um recorde de 665 milhões de dólares em receitas de patrocínio e as equipas geraram um total de 2,5 mil milhões de dólares de receitas. É a liga com maior valor económico fora da Europa, suplantando o campeonato brasileiro. Pode parecer muito… mas é muito pouco quando comparado com os 23 mil milhões de dólares da NFL e os 12,2 mil milhões de dólares da NBA.
Na época passada, a MLS teve 11,4 milhões de pessoas nos estádios, com uma média de 23.000 por jogo, só foi batida pela Premier League, com 15,3 milhões de espetadores. O soccer conquistou um lugar no coração dos americanos, sobretudo dos mais jovens, e já é um dos desportos mais praticados pelas crianças em idade escolar.
As equipas estão divididas em duas Conferências: Leste e Oeste, de acordo com a sua localização geográfica, sendo que cada conferência tem 15 clubes. A temporada regular prolonga-se até 7 de novembro e cada equipa vai disputar 34 partidas (17 em casa e 17 fora); 28 jogos são contra adversários da sua conferência e seis com equipas da outra conferência. O calendário inclui uma pausa de sete semanas durante o Campeonato do Mundo, que se realiza nos Estados Unidos, Canadá e México, entre 11 de junho e 19 de julho. Entretanto, a Major League Soccer anunciou que vai mudar o calendário a partir de 2027/28 de modo a acompanhar as ligas europeias, o que significa que a época começará em julho e terminará em maio. As sete melhores equipas de cada conferência avançam para os playoffs. Os vencedores de cada conferência decidem o título na final MLS Cup. Uma particularidade desta competição é que não há subidas e descidas de divisão como nos campeonatos europeus, o que proporciona maior estabilidade e segurança financeira às equipas.
Ricas equipas
Competir na MLS não está ao alcance de todos. É preciso ter um estádio aprovado pela MLS e avultados recursos financeiros para investir na equipa e pagar a franquia. Para ingressar no campeonato, os donos do San Diego FC pagaram qualquer coisa como 325 milhões de dólares. O interesse pelo soccer levou a que grandes nomes da NBA e NFL tivessem investido em clubes, como foi o caso de ‘Magic’ Johnson, Kevin Durant, James Harden, Giannis Antetokounmpo e Russell Wilson.
No total, as 30 equipas da MLS valem 23 mil milhões de dólares, sendo que o valor médio é 731 milhões de dólares. Quase todos os clubes aumentaram o seu valor relativamente à época anterior, as exceções são o CF Montreal, o Vancouver Whitecaps e o San Jose Earthquakes. Apesar deste crescimento, as equipas da MLS estão longe dos valores alcançados pelas equipas da NFL, NBA e NHL. Numa tabela que engloba todas as modalidades, o Inter Miami aparece no 116.º lugar entre 154 equipas.
A temporada de 2026 é considerada a mais importante na história da MLS, já que se realiza em ano de Campeonato do Mundo. É uma montra para os jovens e espera-se um número recorde de jogadores da MLS na seleção norte-americana. Na Conferência Oeste, o Los Angeles Galaxy, Los Angeles FC, Seattle Sounders, Portland Timbers e Austin FC são as equipas a bater. Na Conferência Leste, o destaque vai para o Inter Miami, Atlanta United, Orlando City, New York City Red Bulls e Philadelphia Union.
Em termos de jogadores, o avançado alemão Timo Werner (ex-RB Leipzig) vai reforçar o San Jose Earthquakes, naquela que é uma das maiores contratações da história da MLS, o colombiano James Rodríguez (ex-León) assinou pelo Minnesota e o argentino Juan Manuel Sanabria (ex-Atlético San Luis) é a mais recente contratação do Real Salt Lake. Robert Lewandowski termina contrato com o Barcelona em junho e pode ser reforço do Chicago Fire depois do Mundial. David da Costa (Portland Timbers), Leonardo Barroso e André Franco (Chicago Fire) e Pedro Amador (Atlanta United) são os portugueses presentes na MLS em 2026. O luso-canadiano Stephen Eustáquio (ex-FC Porto) é reforço do Los Angeles FC.
Segundo a revista Forbes, o Inter Miami é a equipa mais valiosa da MLS com um valor de 1.350 milhões de dólares, isso deve-se ao efeito Lionel Messi, eleito o melhor jogador da época passada com 29 golos e 19 assistências. A equipa de David Beckham gastou 48,9 milhões de dólares para formar o plantel que foi campeão pela primeira vez em 2025 e tem três dos cinco jogadores mais caros da liga. O Los Angeles FC surge na segunda posição com um valor de 1.320 milhões dólares e gastou 30,1 milhões na equipa e o Los Angeles Galaxy aparece na terceira posição com um valor de 1.080 milhões, tendo gasto 22,3 milhões a formar o plantel. No fim da tabela, aparece o CF Montreal, avaliado em 430 milhões de dólares e gastou apenas 12,9 milhões de dólares na temporada anterior.
A exemplo do que acontece em outros desportos americanos, existe um teto salarial de 4,9 milhões de dólares para cada equipa com o objetivo de tornar a competição equilibrada. Cada jogador pode receber até 650 mil dólares por época. Existe, contudo, a regra do ‘Jogador Designado’, que permite às equipas contratar, no máximo, três grandes nomes do futebol mundial com um salário muito superior, como é o caso de Lionel Messi, que, em 2025, recebeu 20.4 milhões de dólares. O segundo jogador mais bem pago foi Son Heung-Min com ‘apenas’ 11,4 milhões.
De salientar que a Adidas veste as 30 equipas com um equipamento personalizado e, pelo que já se viu, há camisolas bastante exuberantes. Os adeptos americanos são fanáticos por equipamentos e gostam de discutir o design das camisolas, quase sempre associados à cultura e a marcos históricos do clube. Mas também há lugar a homenagens, como é o caso das camisolas douradas do St. Louis City dedicadas a Tina Turner
História em dois atos
A North American Soccer League (NASL) foi a primeira competição de futebol nos Estados Unidos e disputou-se entre 1968 a 1984. A década de 70, o New York Cosmos, Los Angeles Aztecs e Boston Minutemen levaram a cabo uma operação de charme e contrataram estrelas mundiais como Pelé, Eusébio, Johan Cruyff, Gerd Müller, Franz Beckenbauer, Johan Neeskens e George Best, entre muitos outros. Foi uma aposta ganha, já que muitos jogos chegaram a ter mais de 70.000 espetadores nos estádios.
A Major League Soccer começou a disputar-se em 1996 com 10 equipas e foi-se expandindo, tendo atualmente 30 equipas e há a intenção de alargar a competição para 32 clubes. Existem três equipas canadianas a disputar este campeonato: Toronto, FC Montreal e Vancouver Whitecaps. Olhando para o historial desta competição, o LA Galaxy é o mais bem-sucedido, com seis títulos, disputou 1.030 jogos, obteve 447 vitórias e tem o melhor ataque com 1.667 golos. O Toronto é o único clube ‘estrangeiro’ que foi campeão norte-americano.