quarta-feira, 22 jul. 2026

Le Mans: corrida para a glória

Há mais de um século que Le Mans faz parte do imaginário de quem gosta de desporto automóvel. São 24 horas a fundo com espetaculares protótipos que atingem 345 km/h. A correr em casa, a Peugeot quer tornar esta presença ainda mais histórica.
Le Mans: corrida para a glória

A mais longa corrida do mundo começou em 1923 e tinha por objetivo comprovar a fiabilidade e resistência dos automóveis da época. Passados mais de 100 anos, continua a ser a prova mais prestigiada do desporto automóvel, onde os grandes construtores investem fortunas para chegar em primeiro lugar: a vitória nas 24 Horas de Le Mans é mais importante do que o título mundial de Endurance.

A edição deste ano começa este sábado (15 horas) e espera-se uma luta intensa e aberta entre os 18 hypercars, que vão correr num traçado com 13,6 km e 33 curvas, que utiliza estradas públicas e uma parte do traçado de MotoGP. É uma grelha de partida rica em qualidade e diversidade com os protótipos da Aston Martin, Alpine, BMW, Cadillac, Ferrari, Genesis, Peugeot e Toyota. De salientar que a Peugeot comemora os 100 anos de participações nesta clássica, onde já venceu três vezes.

A Hypercar é a principal categoria das corridas de resistência, onde são admitidos dois tipos de carros: LMH (Le Mans Hypercar) e LMDh (Le Mans Daytona h). São protótipos com carroçaria fechada, híbridos e não híbridos, com 680 cv, que têm de respeitar o Balance of Performance (BoP), que regula o peso, a potência e a energia, para garantir a equidade desportiva. Os protótipos LMH são desenvolvidos pelos construtores e permitem diferentes arquiteturas, nomeadamente ter tração às quatro rodas e sistema elétrico no eixo dianteiro. Os carros da LMDh utilizam um chassis Dallara, Multimatic, Ligier ou Oreca, têm motorização híbrida e tração traseira. A primeira regulamentação permite maior desenvolvimento e soluções técnicas avançadas, ao passo que a segunda tem uma base mais simples e económica. 

Le Mans já se tornou ponto de encontro dos melhores pilotos portugueses. Na edição deste ano vamos ter dois pilotos a correr na categoria Hypercar. António Félix da Costa (Alpine) e Filipe Albuquerque (Cadillac) não dispõem dos carros mais competitivos, mas podem conseguir um bom resultado final, apostando na fiabilidade e consistência. Os pilotos costumam dizer: «Não és tu que ganhas Le Mans, é Le Mans que te deixa ganhar». Por isso, pode haver surpresas até à última volta. 

Além da categoria principal, vão estar em pista 19 carros LMP2, protótipos reservados às equipas privadas com motor V8 4.2 de 510 cv, e 25 LMGT3, carros GT, com 520 cv, da Aston Martin, BMW, Corvette, Ferrari, Ford, Lexus, Mercedes AMG, McLaren e Porsche. 

Ao longo das 24 horas os pilotos fazem vários turnos de condução de acordo com a estratégia de troca de pneus e reabastecimentos, sendo que cada piloto tem de conduzir, no mínimo, seis horas e não pode exceder as 14 horas. 

Os primeiros treinos foram importantes para os pilotos encontrarem as melhores afinações para os carros e compreender o desgaste dos pneus, aspeto que ajuda a definir a estratégia de corrida e os pit stop. O melhor tempo realizado por um Aston Martin Valkyrie veio confirmar que a equipa está mais competitiva este ano, mas é difícil colocar os protótipos ingleses entre os favoritos quando estão em pista os Toyota TR010-Hybrid, Ferrari 499P, Peugeot 9X8, BMW M Hybrid e Cadillac V Serier R. Estes treinos nunca são conclusivos sobre o potencial de cada equipa, até porque há sempre quem esconda o jogo neste primeiro medir de forças, e é só na Hyperpole – que define a grelha de partida – se consegue ter uma ideia concreta das performances de cada equipa. 

Depois de três vitórias consecutivas em Le Mans, a Ferrari é a equipa a bater, apesar de ter começado de uma forma discreta, com o nono tempo, e de não ter ganho qualquer corrida este ano. A BMW e a Peugeot estão mais competitivas e podem surgir nos lugares da frente com o desenrolar da corrida e lutar pela vitória. 

O primeiro dia de testes correu bem aos pilotos portugueses. António Félix da Costa (Alpine A424) obteve o quarto tempo. «As primeiras voltas em Le Mans deixaram boas sensações e parece que todas as equipas estão muito competitivas» referiu o piloto. Filipe Albuquerque (Cadillac V Series R) realizou a sexta melhor volta e mostrou-se confiante. «Começámos bem. De manhã fomos os mais rápidos e à tarde ficámos em sexto, mas estou contente com o equilíbrio do carro», disse o piloto da marca americana. 

A título de curiosidade, a volta mais rápida em Le Mans pertence a Kamui Kobayashi (Toyota TS050-Hybrid) com 3m.24,791, a uma média de 251,8 km/h, em 2017. O recorde de velocidade pertence a Roger Dorchy (WM P88) que, em 1988, rodou na longa reta das Hunaudière a 405 km/h! Em 2010, o Audi R15+ TDI percorreu 5.410 km em 24 horas, ainda hoje é o recorde de distância percorrida.

A partida para as 24 Horas Le Mans tem lugar às 15 horas de sábado. O canal desportivo Eurosport vai transmitir a prova na íntegra.