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O Mundial 2026 realiza-se na América do Norte (Estados Unidos, Canadá e México) e, à medida que se aproxima o início do torneio, aumentam as preocupações devido às constantes trapalhadas e exigências de Donald Trump, às quais o presidente da FIFA, Gianni Infantino, assobia para o lado e segue um caminho errático, que pode tornar este megaevento desportivo num caos. O Mundial mais complexo e arriscado da história vai jogar-se muito fora de campo.
A questão que se coloca neste momento é saber se o Irão vai ou não participar no Campeonato do Mundo depois dos ataques militares dos Estados Unidos e Israel contra o país. A Federação de Futebol da República Islâmica do Irão (FFIRI) apresentou uma lista de 10 condições para poder participar e exige que os países anfitriões – Estados Unidos, México e Canadá – aceitem essas condições. «Queremos competir sem qualquer recuo nas nossas crenças, cultura e convicções», disse Mehdi Taj, presidente da federação asiática, adiantando: «Não teremos problemas em participar, desde que não haja insultos, especialmente dirigidos às instituições oficiais e militares do país», numa clara alusão à Guarda Revolucionária, que os Estados Unidos consideram ser uma organização terrorista. Avisou ainda que, se isso acontecer, «será dada uma resposta proporcional e a equipa pode regressar ao país». Mehdi Taj solicitou também o reforço da segurança nos estádios, aeroportos e hotéis ao longo do torneio, bem como a garantia de que a bandeira e o hino nacional do Irão serão respeitados. Foi ainda pedido à FIFA que proíba as bandeiras do Orgulho LGBTQ+ nos seus jogos.
A FIFA e a federação iraniana vão reunir-se, até 20 de maio, para decidir o futuro. «Teremos, em breve, uma reunião e muitos assuntos para discutir», disse Mehdi Taj, frisando: «Precisamos de receber as necessárias garantias da FIFA para participar na competição».
Entretanto, o chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio, já se manifestou, dizendo que os Estados Unidos não querem excluir o Irão do Campeonato do Mundo, sublinhando que «o problema não é com os atletas, mas sim com as outras pessoas que querem trazer consigo». «Não podemos deixar entrar no nosso país um monte de terroristas da Guarda Revolucionária Islâmica, fingindo que são jornalistas e preparadores físicos», acrescentou.
Em relação a isso, o espectro de ataques de células terroristas iranianas durante o torneio ocupa a mente dos responsáveis da FIFA e da administração dos Estados Unidos.
O Irão está integrado no grupo G e vai estagiar na cidade de Tucson, no Arizona. Na fase de grupos, vai defrontar a Nova Zelândia e a Bélgica, em Los Angeles, e o Egipto, em Seattle. É certo que a seleção iraniana vai mostrar ‘músculo’ e tentar fazer história num contexto extremamente adverso, com a particularidade de poder defrontar os Estados Unidos nos 16 avos de final, em Dallas, caso as duas seleções fiquem em segundo lugar no seu grupo.
Entretanto, surgiu um novo quebra-cabeças para a FIFA, que se chama Pride Match. O ‘Jogo do Orgulho’, marcado para 26 de junho, em Seattle, pretende celebrar o Orgulho LGBTQ+. Acontece que o sorteio ditou que essa partida será entre o Irão e o Egipto, dois dos países mais repressivos em questões LGBTQ+. No Irão, as relações homossexuais são punidas com pena de morte e no Egito as autoridades recorrem às leis da moralidade para perseguir as minorias sexuais. A FIFA garantiu que não vai remarcar o encontro e os organizadores do Pride Match afirmam que o evento irá realizar-se, independentemente das equipas.
Barreiras Trump
Outro grande obstáculo ao normal desenrolar da competição são as restrições impostas pela administração Trump à concessão de vistos, pelo que os adeptos de alguns países poderão não entrar nos EUA e os imigrantes que forem aos estádios e às zonas de adeptos apoiar as suas seleções correm o risco de serem alvo do Serviço de Imigração e Controlo Aduaneiro dos Estados Unidos (ICE).
«A política de imigração, as suas medidas discriminatórias e as ameaças à liberdade de imprensa fazem com que seja visto como o Mundial do medo e da exclusão», afirmou Minky Worden, diretora de Iniciativas Globais da Human Rights Watch.
Mais de 120 organizações de direitos humanos apelaram aos adeptos e jornalistas para que «tenham cuidado» caso viajem para os Estados Unidos. O responsável pelo Football Supporters Europe, Martin Endemabbm, fez questão de lembrar que, enquanto as autoridades do Qatar se esforçaram por dar uma imagem positiva do país em matéria de direitos humanos, para a administração Trump «o assunto não tem qualquer importância».
Mas os problemas não se ficam por aqui. Os preços exorbitantes dos bilhetes, dos transportes públicos e do alojamento estão a tornar-se numa mina de ouro para os norte-americanos. Os bilhetes mais caros para a final do Mundial do Qatar 2022 custavam 1.400 euros. Agora, a FIFA adotou uma política de preços muito agressiva e os bilhetes da categoria 1 custam 28.000 euros. O tema voltou a gerar polémica na semana passada, quando o site de revenda da FIFA colocou bilhetes para a final com um valor de 1,7 milhões de euros!
Gianni Infantino defendeu-se dizendo: «Estamos num país onde o mercado do entretenimento é o mais desenvolvido do mundo. Por isso, temos de aplicar os preços de mercado. Além disso, os Estados Unidos permitem a revenda de bilhetes sem limites máximos». O presidente da FIFA disse ainda que houve 500 milhões de pedidos de bilhetes para os 104 jogos, mas não disse que 40% dos bilhetes continuam por vender.
A título de curiosidade, o jogo Portugal-Colômbia, que se realiza no Hard Rock Stadium, em Miami, é o mais caro da fase de grupos, com os preços a atingirem 2.200 euros, segundo informações do Ticket Data, que monitoriza os valores de revenda. Perante esta irracionalidade, a organização Football Supporters Europe (FSE) acusou a FIFA de «extorsão» e «traição monumental».
Alterações às leis
O Mundial 2026 é a primeira competição a adotar as novas regras do International Football Association Board (IFAB). VAR com funções alargadas, cronometragem rigorosa contra perdas de tempo e sanções disciplinares mais severas têm por objetivo tornar os jogos mais fluidos e espetaculares, embora haja quem defenda que as interrupções relacionadas com o VAR podem retirar emoção ao jogo. A partir de agora, o VAR pode anular a marcação de um pontapé de canto, desde que a revisão possa ser concluída imediatamente e sem atrasar o reinício do jogo. Há igualmente novidades no capítulo disciplinar. Um jogador que cubra voluntariamente a boca durante um confronto com um adversário é punido com o cartão vermelho e respetiva expulsão. Esta medida vem na sequência do recente episódio entre Prestianni e Vinicius JR.
Outra prioridade é combater as perdas de tempo nos reinícios de jogo e nos pontapés de baliza. Se a bola não for colocada em jogo no período de cinco segundos, a posse de bola passa automaticamente para a outra equipa. No caso do pontapé de baliza tardio, a equipa adversária tem direito a um canto a seu favor. No caso das substituições, o jogador tem dez segundos para sair do relvado.
Os protestos excessivos vão ser sancionados de forma mais severa e um jogador que abandone voluntariamente o campo após uma decisão do árbitro pode ser expulso. Esta regra aplica-se também a qualquer membro da equipa técnica que incentive os jogadores a abandonar o relvado. As interrupções por lesão também estão tipificadas. Qualquer jogador que necessite de assistência médica tem de abandonar temporariamente o campo e esperar um minuto antes de regressar ao jogo. Os cartões amarelos são limpos após os três jogos da fase de grupos e depois dos quartos de final.