terça-feira, 18 ago. 2026

FPF rejeitou proposta da FIFA para vender participações do Mundial a privados. Pedro Proença defende “valores inalienáveis”

A Federação Portuguesa de Futebol alinhou com as 55 federações da UEFA na rejeição da proposta de Gianni Infantino para abrir os direitos comerciais dos Mundiais a investidores privados. Pedro Proença diz que o futebol não pode ficar dependente de interesses privados.
FPF rejeitou proposta da FIFA para vender participações do Mundial a privados. Pedro Proença defende “valores inalienáveis”

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) acompanhou a posição das 55 federações da UEFA e rejeitou a proposta apresentada pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino, que previa a entrada de investidores privados na exploração comercial do Campeonato do Mundo e de outras competições organizadas pelo organismo internacional.

A posição foi revelada pelo presidente da FPF, Pedro Proença, numa carta enviada esta quinta-feira aos sócios da Federação e aos clubes da I Liga, II Liga e Liga 3, por ocasião do arranque da época 2026/27.

"No atual contexto internacional e perante a situação que se vive na FIFA, a FPF acompanhou, com sentido de responsabilidade institucional, a posição assumida pelas 55 Federações da UEFA, rejeitando a proposta de transferência de participações de propriedade no Campeonato do Mundo e noutras competições da FIFA para investidores privados", escreveu Pedro Proença.

Proposta previa entrada de investidores privados

A proposta apresentada por Gianni Infantino, a 28 de julho, previa a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária totalmente detida pela FIFA que reuniria os direitos comerciais das principais competições da organização.

O plano contemplava a venda de participações minoritárias a investidores privados, mantendo a FIFA o controlo operacional da nova entidade, inicialmente avaliada em 20 mil milhões de dólares.

Contudo, o projeto enfrentou forte contestação por parte de federações e outros agentes do futebol mundial e acabou por ser retirado. No passado sábado, Infantino reconheceu que a iniciativa já não cumpria "o objetivo inicial" e anunciou o recuo da proposta.

"Nunca abdicaremos destes valores"

Na carta enviada aos clubes portugueses, Pedro Proença considera que o modelo apresentado colocaria decisões estratégicas do futebol nas mãos de interesses privados.

"O modelo proposto pela FIFA, ao colocar nas mãos de interesses privados decisões determinantes sobre o calendário internacional, os formatos competitivos e o desenvolvimento futuro do desporto, configuraria uma alteração profunda e inaceitável da natureza do futebol", afirmou.

O presidente da FPF acrescentou que a Federação continuará a defender princípios como a boa governação, o mérito desportivo, a solidariedade entre competições e a estabilidade do futebol internacional.

"Nunca abdicaremos destes valores, que são para nós inalienáveis", garantiu.

Carta assinala início da nova época

A mensagem de Pedro Proença serviu também para assinalar o início da temporada 2026/27, após a realização da Supertaça Cândido de Oliveira.

O dirigente desejou sucesso aos clubes portugueses e apelou à colaboração de todos os agentes do futebol para reforçar o desenvolvimento da modalidade.

Portugal prepara Mundial de 2030

A posição da FPF surge numa altura em que Portugal prepara a organização do Mundial de 2030, que será realizado em conjunto com Espanha e Marrocos.

A competição terá ainda três encontros inaugurais na Argentina, Paraguai e Uruguai, assinalando o centenário da primeira edição do Campeonato do Mundo.

Será o primeiro Mundial da história organizado por seis países em três continentes.