O regresso dos grandes eventos internacionais ao circuito de Jarama (Espanha), aconteceu com o Mundial de Fórmula E, onde António Félix da Costa demonstrou, uma vez mais, a sua qualidade como piloto e a sabedoria para gerir uma corrida… que ganhou ao sprint. Foi um dia de muita emoção para o piloto português, que tinha a família e os amigos a assistir. «Foi incrível. É um sonho vencer assim, diante da minha família e com muitos portugueses a assistir. Sou uma pessoa emotiva e levei isso a um outro nível nesta corrida. Foi um dia perfeito», reconheceu o piloto, depois de ter recebido das mãos do Rei Felipe VI o troféu de vencedor. A proximidade com Cascais, local onde vive, fez com que levasse quase 100 pessoas até Madrid. «Não foi barato e provavelmente não foi um bom negócio para mim», disse com um sorriso, mas compensou pela forma vibrante e emotiva como piloto e convidados festejaram o triunfo.
António Félix da Costa largou da terceira posição, chegou a andar em 15.º, mas executou na perfeição o Pit Boost, paragem obrigatória na box para adicionar 10% de energia através de uma carga de 600 kW, e aproveitou ao máximo o Attack Mode, que dá 50 kW extra, para garantir uma vitória apertada, já que o colega de equipa Mitch Evans, Pascal Wehrlein (Porsche) e Dan Ticktum (Cupra Kiro) ficaram separados por menos de um segundo! O piloto fez uma grande recuperação e foi mestre na gestão de energia, com riscos medidos ao milímetro. Aquilo que pareceu ser uma corrida perdida, acabou numa estrondosa vitória - a 14.ª na Fórmula E. «A pista é muito exigente, é um desafio à moda antiga, e vimos muitos pilotos a cometer erros. Mostrámos que temos um grande andamento e executámos uma estratégia perfeita na paragem na box. A partir daí foi sempre a atacar. Foi uma corrida brilhante e vencer pela segunda vez consecutiva é muito especial», disse o piloto da Jaguar, o primeiro a conseguir duas vitórias esta temporada, depois de Jeddah (Arábia Saudita). A luta pelo título começa a aquecer. «Vamos tentar ganhar este campeonato», afirmou Félix da Costa, campeão de Fórmula E em 2019/20, que está a 19 pontos do líder Pascal Wehrlein, quando faltam disputar 11 corridas.
Ao nível da Fórmula 1
Os monolugares Gen3 Evo foram desenvolvidos para competir ao mais alto nível em qualquer circuito. São 30% mais rápidos do que os Fórmula 1 na aceleração de 0 a 100 km/h (1,8 s contra 2,1 s), mas perdem em velocidade máxima (350 km/h contra 322 km/h). Os carros têm chassis em fibra de carbono e alumínio, apurada aerodinâmica e tração integral, que é usada nos duelos da qualificação, partidas e Attack Mode.
Têm um motor elétrico com 470 cv (350kW) em Attack Mode e 95% de eficiência, superando largamente os 40% de eficiência típicos dos motores de combustão interna.
A capacidade da travagem regenerativa de 600 kW gera quase 50% da energia necessária para uma corrida. Os pneus com rasgos da Hankook são fabricados com 35% de materiais reciclados e sustentáveis. Por tudo isto, a Fórmula E é uma combinação única de inovação, rendimento e sustentabilidade, mas também um excelente banco de ensaio para tecnologias inovadoras de eletrificação.
A Nissan tem um legado de 85 anos no desporto automóvel e é dos construtores com mais presenças na Fórmula E. Desde a temporada de estreia em 2018/19, ganhou 23 corridas, obteve 56 pódios e 27 pole positions. O momento de glória aconteceu na época passada, quando Oliver Rowland se sagrou campeão do mundo. A presença da Nissan tem um objetivo bem definido: «Queremos promover o nosso compromisso com a eletrificação e a sustentabilidade. A Fórmula E é uma valiosa fonte de pesquisa e desenvolvimento. Cada insight da pista alimenta a próxima geração de veículos elétricos da Nissan - incluindo a gestão de energia, eficiência da bateria e otimização de desempenho, e vice-versa», afirmou Tommaso Volpe, diretor desportivo da equipa. A Fórmula E é muito diferente de outras categorias e a gestão energética é fundamental. «Nesta competição, a área de engenharia é crucial porque a gestão da energia é muito flexível, podendo ser reprogramada de diferentes formas. Todos nós queremos atingir a máxima eficácia na gestão da energia e no rendimento do carro durante a prova. De certa forma, a Fórmula E é uma competição de energia», explicou Tommaso Volpe, que adiantou: «É um campeonato de primeira linha, com enorme potencial de crescimento e, ao mesmo tempo, muito relevante para o futuro da indústria automóvel».