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A Federação Internacional de Automóvel (FIA) mudou por completo a Fórmula 1 com o novo regulamento técnico que torna os carros mais pequenos e leves, dá predominância à energia elétrica e introduz o conceito da aerodinâmica ativa. A ideia é privilegiar a capacidade de pilotagem, tornar as corridas mais disputadas e melhorar o espetáculo. Em teoria, tudo parece bater certo, mas os testes de pré-época deixaram muitas dúvidas. Os carros são mais rápidos em reta, mas mais lentos em curva e difíceis de pilotar, o que tem preocupado pilotos e engenheiros. Em alguns circuitos, podem ser dois segundos mais lentos do que os monolugares de 2025! O tetracampeão Max Verstappen criticou as novas regras, rotulando os carros de «anti-corrida» e comparando-os a um «Fórmula E com esteroides». E foi acompanhado tanto por Fernando Alonso, como por Lewis Hamilton, que se queixou da complexidade dos novos regulamentos técnicos.
A imagem clássica da Fórmula 1 é acelerar nas retas e ultrapassar os 350 km/h, mas é nas curvas que acontece a verdadeira magia, com os monolugares a curvarem a quase 300 km/h, como acontece em Suzuka e Silverstone, com forças laterais superiores a 6G. Isso só acontece pela influência da aerodinâmica, que este ano ganha uma nova expressão com as asas ativas, acionadas pelo piloto, e pelo difusor, duas soluções que deixam os carros colados ao asfalto.
As corridas vão ser diferentes, com os modos ‘reta’, ‘curva’ e ‘ultrapassagem’. Nas zonas definidas como ‘reta’, as asas dianteira e traseira reduzem o ângulo de ataque e o carro ganha velocidade. No modo ‘curva’ acontece o inverso, para aumentar o downforce e garantir a estabilidade e aderência. O modo ‘ultrapassagem’ assume o papel do DRS e consiste num push-to-pass, que está diretamente ligado à unidade motriz elétrica. Só pode ser usado quando o piloto está a menos de um segundo do carro que vai ultrapassar. Outra alteração significativa prende-se com as novas unidades de potência. Há um equilíbrio entre o motor a combustão (50%) e a unidade elétrica (50%), quando o ano passado era de 80% para o motor a gasolina e 20% para a parte elétrica. Essa mudança obriga os pilotos a adaptarem a sua condução para aproveitarem ao máximo a energia disponível.
Depois de seis dias de testes no Bahrain, podemos dizer que há três níveis de equipas, com uma diferença considerável entre elas. Num patamar mais elevado estão a McLaren, Mercedes, Ferrari e Red Bull, seguido por um grupo intermediário formado pela Alpine, Haas, Racing Bulls, Williams e Audi. Por fim, Aston Martin e Cadillac estão em grandes dificuldades neste arranque de temporada.
Corridas intrigantes
Foi com alguma surpresa que a Ferrari esteve entre as equipas mais rápidas. O SF-26 apresentou inovações interessantes, caso da asa traseira rotativa, e Charles Leclerc fez a volta mais rápida no último dia de testes. Ficou demonstrado que a Scuderia preparou bem a temporada. «Cumprimos o nosso programa e não tivemos problemas de fiabilidade, o que é um bom começo. Temos uma boa base para evoluir. É possível sentir a redução de peso, já que o carro está mais reativo», disse o piloto monegasco, que fez uma declaração curiosa: «Há muito mais trabalho quando estamos dentro do carro. A percentagem de condução pura é menor, pois há outras coisas a fazer. Tenho de me adaptar e mudar o estilo de condução constantemente». Em relação aos rivais, disse: «A Red Bull e as Mercedes mostraram um grande potencial, mas acho que estão a esconder o jogo».
A Mercedes foi competitiva nos testes e pode lutar pelos primeiros lugares em Melbourne. O W17 parece ser um carro bem construído, tem um motor potente e é fácil de conduzir, especialmente com pneus médios. «Os carros têm menor carga aerodinâmica e há menos turbulência. Em pistas como Melbourne e Jeddah, com retas muito longas, podemos ter corridas diferentes e bem intrigantes», referiu George Russell, que respondeu às críticas de Max Verstappen: «Tem sido uma experiência emocionante. O novo carro é muito agradável de conduzir por ser mais leve e compacto, e o motor é impressionante. Nenhum piloto é obrigado a correr na Fórmula 1 se não estiver satisfeito com o novo carro».
No final dos testes de pré-época, o campeão do mundo, Lando Norris, disse que o McLaren MCL-40 ainda não está em posição de lutar pela vitória, mas acredita que a equipa vai tornar o carro competitivo ao longo da temporada. «Neste momento, precisamos melhorar se quisermos lutar de forma consistente pelo primeiro lugar», referiu Norris, que adiantou: «O maior desafio é fazer a gestão da bateria e usá-la da melhor forma. É preciso decidir quando usar a energia, quanta potência aplicar e como distribuí-la durante a volta. Temos também um atraso na entrada do turbo o que influencia a pilotagem. É uma nova temporada com muitos desafios e vou fazer o meu melhor para defender o título e continuar a boa fase».
A Red Bull surge associada à Ford – é o regresso do construtor norte-americano à Fórmula 1 – e as performances do RB22 foram animadoras. Bem ao seu estilo, Max Verstappen disse: «Os adversários não esperavam que o nosso motor funcionasse tão bem. Eles provavelmente pensavam que o motor ia explodir. Nesse aspeto fizemos um excelente trabalho». Ainda assim, o piloto neerlandês mostrou-se cauteloso: «Temos de ser realistas e não acredito que possamos lutar pela vitória na Austrália».
A Fórmula 1 foi apanhada de surpresa pelo conflito entre EUA, Israel e Irão. Os testes da Pirelli no Bahrain foram cancelados depois de um míssil atingir uma base militar próxima do circuito. Se nas próximas duas semanas a situação no Médio Oriente se mantiver explosiva, os Grandes Prémios do Bahrain (12 de abril) e da Arábia Saudita (19 de abril) podem ser cancelados. Os circuitos de Portimão e Imola (Itália) são citados como possíveis substitutos. A seguir com atenção.