FIFA quer atrair investidores para nova empresa que vai gerir direitos comerciais dos Mundiais

Organismo liderado por Gianni Infantino confirma plano para criar uma subsidiária que controlará os direitos comerciais das principais competições. UEFA critica a iniciativa e diz que "o futebol não é da FIFA para vender"
FIFA quer atrair investidores para nova empresa que vai gerir direitos comerciais dos Mundiais

A FIFA confirmou esta terça-feira que pretende criar uma nova subsidiária para gerir os direitos comerciais das suas principais competições e abrir uma participação minoritária a investidores privados, garantindo que manterá o controlo da estrutura e que todos os lucros serão reinvestidos no desenvolvimento do futebol.

Num comunicado divulgado após notícias publicadas pelos jornais britânicos The Times e Financial Times, o organismo liderado por Gianni Infantino esclarece que a futura FIFA Forward Enterprise (FFE) será responsável pela exploração dos direitos comerciais, incluindo transmissões televisivas e patrocínios das competições organizadas pela FIFA.

A proposta prevê que investidores externos possam adquirir participações minoritárias e sem poder de controlo, cabendo à FIFA manter a maioria do capital e a autoridade exclusiva sobre a governação do futebol, as competições, o calendário internacional e todas as decisões regulamentares e desportivas.

Segundo o Financial Times, a nova empresa poderá ser avaliada em cerca de 20 mil milhões de dólares e a FIFA pretende captar aproximadamente 4,6 mil milhões de dólares junto de investidores privados.

Joshua Kushner surge como principal investidor

A FIFA confirma que, caso o projeto seja aprovado pelo Conselho da organização e pelas federações nacionais, a sociedade de investimento Thrive Eternal deverá liderar o grupo de investidores.

A empresa foi fundada por Joshua Kushner, empresário norte-americano e irmão de Jared Kushner, genro do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Apesar das notícias que apontavam para um eventual envolvimento direto da Administração norte-americana no projeto, a FIFA não faz qualquer referência a Donald Trump no comunicado.

O organismo rejeita ainda as informações de que Gianni Infantino poderá assumir funções executivas na nova empresa.

"A FIFA manterá o controlo exclusivo da FFE e os investidores terão apenas uma participação minoritária, sem qualquer papel operacional", sublinha o comunicado.

Segundo o organismo, a criação da subsidiária não altera a natureza da FIFA enquanto entidade que regula o futebol mundial.

FIFA promete mais dinheiro para as federações

A FIFA defende que o novo modelo permitirá aumentar significativamente os apoios financeiros às 211 federações nacionais.

Segundo o organismo, cada federação poderá receber até 20 milhões de dólares no ciclo de desenvolvimento entre 2027 e 2030, face aos oito milhões atualmente previstos.

Os recursos destinam-se a financiar infraestruturas, formação de treinadores, desenvolvimento das seleções nacionais, competições, programas de formação e futebol feminino.

O projeto contempla ainda a criação do FIFA Fast Forward Programme, um mecanismo voluntário que permitirá às federações aceder a financiamento adicional até 20 milhões de dólares para projetos de desenvolvimento.

UEFA reage com duras críticas

A proposta foi recebida com fortes reservas pela UEFA.

Num comunicado, o organismo que tutela o futebol europeu acusa a FIFA de ultrapassar uma linha que nunca deveria ser cruzada.

"A alma e a governação do futebol não são bens comercializáveis. Nenhum de nós é dono do futebol. O futebol não é da FIFA para vender", afirmou a UEFA.

O organismo europeu criticou ainda a falta de transparência relativamente aos potenciais beneficiários financeiros da operação e apelou às federações nacionais para analisarem cuidadosamente o projeto antes de qualquer aprovação.

A proposta terá ainda de obter o apoio das federações-membro e do Conselho da FIFA antes de poder avançar.