Disputadas 17 jornadas, o FC Porto lidera destacado, deixando o Sporting a sete pontos e o Benfica a dez! Tem sido uma época quase perfeita, e dizemos quase perfeita porque algumas vitórias foram arrancadas a ferros. A última jornada foi exemplo disso, com o guarda-redes do Santa Clara a ‘oferecer’ o golo que deu o triunfo ao FC Porto. Mas é com vitórias sofridas e a necessária estrelinha da sorte que se fazem os campeões.
A chegada de Francesco Farioli teve um impacto imediato na equipa, que mostra um elevado nível competitivo e grande capacidade de reação em momentos difíceis, resultado da confiança inabalável passada pelo treinador. É também a mais consistente, com o maior número de vitórias: 16, e o impressionante registo de 13 clean sheet, isto é, jogos sem sofrer golos. Os azuis e brancos venceram os nove jogos fora de casa e, no Estádio do Dragão, apenas empataram com o Benfica. Desde então, não voltaram a perder pontos, bateram o registo do Benfica de 2019/20 com 48 pontos, e terminaram a primeira volta com mais nove pontos do que na época passada, ao invés do Sporting e Benfica, que têm apenas mais um ponto. Quando Jorge Costa, diretor para o futebol, afirmou «Voltámos a ter equipa», pouco antes de falecer, em agosto do ano passado, sabia o que dizia.
O FC Porto é uma equipa completa, que apresenta a defesa menos batida (quatro golos) e o segundo melhor ataque, em igualdade com o Benfica (36 golos), com uma média de 5,9 remates à baliza por jogo, totalizando 82 remates enquadrados. Se mantiver este registo na segunda volta, a conquista do 31.º título nacional – que foge há três anos – é uma mera formalidade. O treinador italiano, de 36 anos, reconhece: «O que fizemos até agora foi muito bom. São números impressionantes. Mas a nossa mentalidade não pode e não vai mudar. Isto é uma maratona e estamos no quilómetro 20, ainda faltam mais vinte para acabar. Não devemos ficar entusiasmados, temos de trabalhar para abordar os jogos como se estivéssemos 15 pontos atrás. Vamos ter um ciclo de jogos difícil em janeiro e não podemos relaxar. Queremos sentir o prazer de sofrer e suar juntos. É a nossa forma de ser. Nada nos vai mover do nosso trabalho».
No início da segunda volta, o FC Porto lidera com sete pontos de avanço sobre o Sporting, que joga no Estádio do Dragão, no dia 8 de fevereiro. Se os azuis e brancos vencerem, aumentam a vantagem (isto se não houver surpresas antes) e o nível de confiança dispara. À 21.ª jornada, podem colocar um ponto final no campeonato e a assestar baterias para a Liga Europa. Tendo em conta os adversários, o FC Porto pode muito bem vencer a competição, o que seria um feito notável para André Villas-Boas, que conquistaria a Liga Europa como treinador e como presidente do clube.
A estatística não ganha títulos, mas ajuda a compreender algumas coisas. Nos 90 anos de campeonato nacional, é a 11.ª vez que o líder termina a primeira volta com sete ou mais pontos de avanço sobre o segundo classificado, e só por uma vez não foi campeão, aconteceu com o Benfica em 2019/20, treinado na altura por Bruno Lage.
Sporting ainda acredita no tricampeonato
Na segunda volta, o Sporting tem de ser implacável com os adversários para se manter na luta pelo tricampeonato, o que não acontece há 77 anos! Mas, curiosamente, foi tetracampeão mais tarde, entre 1950/51 e 1953/54. Até ao momento, a equipa de Rui Borges obteve 13 vitórias, três empates e uma derrota. Mesmo sem o goleador Viktor Gyökeres, o Sporting apresenta o melhor ataque da prova, com 47 golos (2,76 golos/jornada), destacando-se as duas goleadas de 6-0 ao AVS e Arouca –ainda assim, fica atrás dos 48 golos marcados na época passada. E tem um volume ofensivo respeitável, com uma média de 7,6 remates à baliza por jogo e um total de 107 remates enquadrados.
A sobrevivência do Sporting joga-se no Dragão. A vitória significaria recuperar três pontos e relançar o campeonato, só que a equipa de Rui Borges ainda não ganhou qualquer jogo aos adversários que estão nos cinco primeiros lugares; perdeu com o FC Porto e empatou com o Benfica, Braga e Gil Vicente. Apesar disso, o técnico leonino acredita que vai ser feliz no final da época, já que a equipa está determinada a conseguir grandes feitos. «Os jogadores estão ligados a um objetivo, isso demonstra bem aquilo que é a equipa», referiu Rui Borges, que adiantou: «O discurso deles mostra que estão obcecados em continuar a fazer história. É um grupo que tem ganho tanto e que vai continuar a ganhar. Querem muito ficar na história do Sporting de forma ainda mais vincada».
O Benfica está numa situação bastante delicada por culpa própria, com os comprometedores empates em casa com Santa Clara, Rio Ave e Casa Pia, estes últimos três já com José Mourinho como treinador, a que se juntam os empates com o FC Porto, Sporting e Braga. O treinador dos encarnados reconheceu que o Benfica se atrasou na luta pelo título porque «o FC Porto fez uma primeira volta extraordinária que não deu possibilidade a quem está a fazer bem de se aproximar», e deixou um alerta: «Temos um calendário mais exigente do que os adversários no mês de janeiro».
É verdade que não sofreu qualquer derrota, mas é igualmente verdade que perdeu 12 pontos em 17 jogos e está a fazer a segunda pior temporada dos últimos 20 anos. Pior do que este ano, só em 2020/21, quando perdeu 15 pontos (três derrotas e três empates) na primeira volta, com Jorge Jesus, e terminou o campeonato na terceira posição. Apesar disso, José Mourinho mantém a confiança: «Estamos a fazer um bom trabalho. Faltam muito mais do que os dez pontos que temos de atraso. E agarro-me ao facto de sermos a única equipa que nas competições nacionais não perdeu». O facto de ter o melhor marcador do campeonato, Vangelis Pavlidis, com 17 golos e três hat-tricks, reforça a confiança do técnico, que já avisou: «Vamos com tudo até onde der».
Gil Vicente é a revelação
Referência também para o excelente quarto lugar do Gil Vicente. Com o empate frente ao Sporting, a equipa de César Peixoto chegou aos 28 pontos, é a melhor primeira volta da sua história, e entrou na luta pelos lugares europeus.
De referir que, segundo o Transfermarkt, o Sporting tem o plantel mais valioso, com 473 milhões de euros, seguido pelo FC Porto, com 413,4 milhões, e Benfica, avaliado em 352,5 milhões. O Gil Vicente aparece apenas na 10.ª posição, com um valor de mercado de 32,5 milhões de euros.
A arbitragem atingiu, uma vez mais, a mediocridade, e o mais espantoso é que os erros grosseiros vieram de árbitros internacionais, que estão pré-selecionados para o Mundial 2026. Não vamos pela teoria da conspiração de que há árbitros que favorecem determinado(s) clube(s), eles erram porque são maus no capítulo técnico e disciplinar e, consequentemente, incompetentes no seu trabalho em campo e no VAR.