FC Porto. Campeão desde a 1.ª Volta

Um FC Porto acima da média garantiu o título nacional por antecipação. Foi uma época de domínio azul e branco, mas com alguns passos em falso dentro e fora de campo. Saber ganhar também é importante.
FC Porto. Campeão desde a 1.ª Volta

Ganhar o campeonato no Estádio do Dragão tem sempre um significado especial para a nação portista. O empate do Benfica em Famalicão abriu caminho para a festa do 31.º título, que foi confirmado com o triunfo sobre o Alverca (1-0). A tarja exibida pelos adeptos: «Tudo normal no Norte… Que Trinta e Um» resume bem o que foi a temporada. Passados quatro anos, a festa azul e branca voltou às ruas da Invicta, com uma coincidência; o FC Porto sagrou-se campeão nacional no dia 2 e o golo do título foi marcado por um defesa central, tudo isto fez lembrar o ex-capitão Jorge Costa – foi central e jogava com esse número – que faleceu no início da época. Quando em agosto do ano passado o então diretor desportivo do FC Porto afirmou: «Voltámos a ter equipa», sabia o que dizia. A grande festa na Avenida dos Aliados está marcada para depois do jogo com o Santa Clara, dia 16 de maio.

Três equipas passaram pelo primeiro lugar esta temporada (Braga, Sporting e FC Porto), mas a conversa acabou à quarta jornada, quando os azuis e brancos venceram em Alvalade e assumiram a liderança. Estávamos a 30 de agosto e, a partir daí, só deu FC Porto.

Ganhar um campeonato nunca é fácil, mas a forma como Francesco Farioli fez a gestão do plantel/calendário foi brilhante. Demonstrou capacidade para encontrar soluções eficazes nos momentos difíceis da segunda volta, quando o nível exibicional e a frescura da equipa baixaram, tudo isto com uma confiança inabalável nos jogadores. Alguns já estavam no plantel, mas rendiam pouco, como era o caso de Pepê e Alan Varela, e foi o treinador que os recuperou. O técnico contou com 30 jogadores, onde o campeão mais novo, Oskar Pietuszewski, tem 17 anos, e o mais velho, Thiago Silva, tem 41 anos.

Os jogos entre os chamados três grandes são muitas vezes determinantes para a conquista do título, mas não foi o caso deste ano. Feitas as contas aos confrontos diretos, registaram-se quatro empates e uma vitória do FC Porto e Benfica… em Alvalade, sendo que o melhor que o Sporting conseguiu foi empatar (1-1) no Estádio da Luz e do Dragão. Ao longo da época o FC Porto teve períodos onde jogou melhor do que os rivais, mas não houve propriamente uma hegemonia. Houve, isso sim, uma grande regularidade, assente na nova identidade de jogo e numa rotatividade do plantel que permitiu a Francesco Farioli apresentar uma equipa para os jogos a meio da semana e outra para os jogos ao fim de semana. As exibições nem sempre foram de encher a vista e houve muitas vitórias tangenciais, mas isso faz parte do trajeto dos campeões. Foi uma equipa organizada e pragmática. Desde a sexta jornada que o FC Porto teve sempre três ou mais pontos de vantagem sobre os rivais e, nos momentos delicados, saiu por cima graças ao ADN Porto. Foi um título que deu muito trabalho ao treinador, jogadores e presidente.

Melhor 1.ª volta de sempre

O FC Porto fez a melhor primeira volta de sempre, com 49 pontos em 51 possíveis, cedeu apenas um empate frente ao Benfica, no Dragão, e manteve-se invicto até à 20.ª jornada, quando foi derrotado pelo Casa Pia (1-2), que não tinha ganho qualquer jogo em casa. A temporada ficou marcada pela vitória em Alvalade (2-1), pelo empate na Luz (2-2), pelo triunfo em Braga (2-1) e pelos quatro golos marcados ao Arouca e Casa Pia.

Recorde-se que ao serviço do Nice, na temporada 2023/2024, Farioli tinha feito uma primeira volta de alto nível, chegando a liderar a Ligue 1, mas a equipa foi-se abaixo na segunda metade da competição. Na época 2024/25, quando comandava o Ajax, tinha nove pontos de avanço sobre o segundo classificado a cinco jogos do termo do campeonato. Acabou por perder o título de forma clamorosa para o PSV Eindhoven. Em Portugal, havia quem temesse e quem desejasse esse mesmo desfecho. Mas a história não se repetiu. À 32.ª jornada, o FC Porto sagrou-se campeão nacional com um total de 64 golos marcados (32 em casa e 32 fora) e com a defesa menos batida (15 golos). Tem uma sequência de 19 jogos invicto e o impressionante registo de 11 vitórias consecutivas e 13 clean sheet, isto é, jogos sem sofrer golos.

Aos 37 anos, o técnico italiano conquistou o primeiro título da carreira. «É um triunfo merecido para todos neste clube», disse após a vitória da consagração frente ao Alverca. «Foi emocionante o momento com a bandeira do Jorge Costa. O campeonato vai inteiramente para ele e para o presidente André Villas-Boas, que me permitiu treinar o FC Porto. Desde o primeiro momento, sentimos que era a escolha certa para ambos».

De salientar que há cinco jogadores que voltaram a ser campeões quatro anos depois: Diogo Costa, Cláudio Ramos, Zaidu, Pepê e Stephen Eustáquio, que se transferiu para a MLS (campeonato norte-americano) em janeiro.

Aposta ganha

André Villas-Boas disse que ia reforçar o plantel em 2025/26 e cumpriu. O FC Porto fez um investimento total de 102,3 milhões de euros na contratação de 16 jogadores e a eficácia demonstrada no mercado de transferências esteve na base do sucesso a duas jornadas do fim. André Villas-Boas foi campeão como treinador em 2010/11 e agora como presidente, confirma-se que é a sua cadeira de sonho. Contudo, não resistiu a pisar linhas vermelhas, seguindo o exemplo do ex-presidente Pinto da Costa, para quem os adversários a sul eram inimigos. Os episódios passados no Dragão só envergonham quem os praticou.

André Villas-Boas sabe muito bem que o ataque ganha jogos, mas a defesa ganha campeonatos. No início da época contratou um defesa central de grande qualidade, Jan Bednarek (7,5 milhões de euros), que garantiu a necessária estabilidade defensiva, e até marcou o golo da vitória sobre o Nacional e Alverca. Contratou também o médio Victor Froholdt (20 milhões de euros), um dos melhores jogadores a atuar em Portugal, que fez a diferença no meio-campo azul e branco. Froholdt (2.762 minutos) e Bednarek (2.590 minutos) foram dos mais utilizados ao longo da época, só Diogo Costa jogou mais (2.835 minutos). Foi por aí que o FC Porto começou a ganhar o campeonato. Depois, no mercado de inverno, compensou as lesões e preparou-se para o desgaste de fim da época com os reforços Pietuszewski e Fofana.

Com a conquista do 31.º campeonato nacional, o FC Porto igualou o Benfica em número de títulos (87) entre competições nacionais e internacionais. O próximo objetivo é vencer os jogos com o AVS e Santa Clara, para igualar o recorde de 91 pontos de Sérgio Conceição, em 2021/22.