quarta-feira, 22 jul. 2026

Enfarte sofrido por Casillas "não é considerado um acidente de trabalho"

O episódio cardíaco aconteceu dia 1 de maio de 2019 e o antigo futebolista não recebeu qualquer indemnização.
Enfarte sofrido por Casillas "não é considerado um acidente de trabalho"

Iker Casillas continua envolvido numa batalha judicial com a seguradora Fidelidade e o FC Porto devido ao enfarte agudo do miocárdio que sofreu durante um treino dos dragões, em maio de 2019.

Os representantes legais do antigo guarda-redes, num esclarecimento enviado à Lusa, garantem que o antigo futebolista não recebeu qualquer indemnização ou prestação devido ao episódio que sofreu dia 1 de maio de 2019.

A Fidelidade considerou que o enfarte sofrido pelo jogador "não constituiu um acidente de trabalho".

A defesa de Casillas esclareceu, ainda, que o valor de 1,5 milhões de euros corresponde apenas ao limite anual de responsabilidade comunicado à seguradora para efeitos de delimitação da responsabilidade contratual, e não a uma quantia efetivamente paga.

Processo arrasta-se desde 2021

O caso encontra-se em tribunal desde outubro de 2021. Casillas defende que o episódio cardíaco sofrido durante um treino do FC Porto colocou um ponto final prematuro na sua carreira profissional e reclama uma compensação de 750.821,91 euros por incapacidade temporária absoluta e de 1.521.780,82 por incapacidade permanente absoluta para o trabalho habitual (IPATH).

Além da seguradora, o antigo guarda-redes espanhol pretende também que o FC Porto suporte a parte das indemnizações que considera não estarem cobertas pela apólice em vigor à data dos factos. Pede, assim, o pagamento adicional de 491.570,32 euros relativos à incapacidade temporária absoluta e de 996.324,50 euros referentes à IPATH.

Peritos divergem sobre a origem do enfarte

Durante a segunda sessão do julgamento, uma perita médica nomeada pelo Conselho Médico-Legal admitiu que o treino realizado naquela manhã pode ter funcionado como um "gatilho" para o enfarte, ao favorecer a rutura de uma placa aterosclerótica. No entanto, a especialista sublinhou que a causa principal do problema cardíaco estava relacionada com uma doença coronária pré-existente.

É precisamente esta questão que está no centro do litígio. Enquanto a defesa de Casillas sustenta que o esforço físico desenvolvido durante o treino esteve diretamente ligado ao enfarte, a Fidelidade e o FC Porto argumentam que não existe prova suficiente para estabelecer essa relação causal.

Carreira terminou após o episódio

O antigo guarda-redes foi assistido de emergência, após o episódio, e submetido a uma intervenção hospitalar que lhe salvou a vida, mas acabou por nunca regressar à competição profissional, anunciando o final da carreira em 2020.