A XRacing vai organizar o Freita-Mythic Rally Stage, evento que leva à tenebrosa classificativa da Freita antigos carros de ralis, no fim de semana de 24 e 25 de abril. Os 50 participantes vão realizar três passagens por este troço que fica no Arouca Geopark, uma área classificada como Geoparque Mundial da UNESCO desde 2009.
Está confirmada a presença de Rui Madeira, campeão do mundo de Grupo N em 1995, de Fernando Peres, tricampeão nacional de ralis, e de Jorge Ortigão, entre outros. Está igualmente assegurada a participação do espetacular Audi Quatto S1 Evo, mas são esperadas outras máquinas que marcaram o Mundial de ralis. Antes de irem para a estrada, realiza-se uma tertúlia com pilotos de diferentes gerações, num desfilar de histórias de outros tempos.
O troço da Freita começou a ser utilizado nos anos 70 e fez parte do Rali de Portugal por 17 vezes, proporcionando momentos inesquecíveis. No Freita-Mythic Rally Stage vai ser utilizada a mesma estrada que deixava os pilotos à beira de um ataque de nervos em plena madrugada. Era um verdadeiro desafio à resistência física, às capacidades de condução e navegação e à mecânica dos carros. Os que conseguiam fazer os 24,2 km sem problemas chegavam ao final completamente exaustos, num estado de quase alucinação, e mal conseguiam falar.
Este troço ficou na história do Mundial de ralis por ser o único que teve asfalto, neve, gelo, terra e nevoeiro ao mesmo tempo, no Rali de Portugal de 1991. A experiência foi desastrosa para muitos. Armin Schwarz (Toyota Celica GT-4) e François Delecour (Ford Sierra RS Cosworth) ocupavam os dois primeiros lugares, mas desistiram devido a despiste, aconteceu o mesmo a alguns pilotos portugueses, e a classificativa teve de ser interrompida.
Carlos Bica, tetracampeão nacional, também lá esteve e contou: “Chegámos ao troço perto das duas horas da manhã e estava a nevar. Não estávamos preparados para aquelas condições e montamos pneus intermédios no Lancia Delta. Quando entrámos no troço, a neve era tanta que parecia uma classificativa do Rali de Monte Carlo. Só encontrava bocados de carros pelo caminho, para-choques, plásticos… Não era possível andar naquelas condições!” Fernando Peres conquistou três títulos, e lembrou: “Fiz oito quilómetros em primeira velocidade, porque não era possível andar mais depressa”.
Rui Madeira, venceu o Rali de Portugal em 1996, descreve esta classificativa como “um dos maiores desafios. Tenho saudades dessa especial, onde normalmente havia gelo e nevoeiro cerrado”. Jorge Ortigão foi dos melhores pilotos nacionais, e recordou: “Era um troço de grande dificuldade. Normalmente disputado com condições atmosféricas muito adversas e de madrugada, numa altura em que o cansaço já era muito”.
O Freita-Mythic Rally Stage é o primeiro evento integrado no projeto Mythic Rally Stage, que vai passar por outras classificativas portuguesas que ficaram na história do Mundial de ralis.
Programa:
Sexta-feira, 24 de abril
21h30 às 23h00 – Tértúlia ‘A Classificativa da Freita’
23h00 – Partida simbólica
Sábado, 25 de abril
11h00 – 1.ª passagem
14h30 – 2.ª passagem
16h30 – 3.ª passagem
18h30 – Final