Após cinco semanas de intensa competição e grande espetacularidade chegámos ao momento decisivo. A Argentina, campeã em título, vai defrontar a Espanha, campeã europeia, numa final histórica, que tem lugar no imponente MetLife Stadium, em Nova Jérsia, nos Estados Unidos (20h00, RTP 1 e Sport TV1).
Esta partida é considerada uma finalíssima entre as duas seleções que dominaram o futebol nos últimos quatro anos. O histórico é de grande equilíbrio. Defrontaram 14 vezes, com seis vitórias para cada lado e dois empates. Em fases finais, a Albiceleste e a La Roja defrontaram-se apenas uma vez, no Mundial de 1966, e a Argentina venceu (2-1). A última vez que se defrontaram foi em 2018, num jogo amigável em que a Espanha goleou (6-1). A final fica também marcada por nova polémica com o preço dos bilhetes, que disparou para valores absurdos. O bilhete mais barato custa 4.451 euros e o mais caro está nos 188.800 euros.
Pela primeira vez na história do Mundial, as quatro melhores seleções do ranking FIFA atingiram as meias finais e pudemos assistir a jogos intensos e espetaculares.
A Argentina derrotou a Inglaterra (2-1) e vai marcar presença no jogo decisivo pela segunda vez consecutiva. A seleção dos ‘três leões’ tinha ligeiro favoritismo na bolsa de apostas e esteve em vantagem até aos 85 minutos. Muitos pensavam que seria o ajuste de contas com a ‘mão de Deus’ de 1986, quando Maradona marcou o golo da vitória com a mão e vingou a derrota argentina nas Maldivas quatro anos antes. Pura ilusão, a fúria argentina virou o resultado em sete minutos e os ingleses foram para casa angustiados. Bem ao seu estilo provocador, Zlatan Ibrahimovic tinha avisado: «A Inglaterra viu a mão de Deus; agora vão ver o pé esquerdo de Deus», e assim foi… A velha rivalidade desportiva e política entre os dois países veio ao de cima no final, com os argentinos a exibiram uma tarja onde se lia «As Malvinas são argentinas», o que motivou um protesto do Governo britânico e o pedido de abertura de um inquérito à FIFA, enquanto que Jude Bellingham se entretinha a provocar os argentinos numa demonstração de mau perder.
A Argentina procura tornar-se o primeiro país em 60 anos a conquistar dois títulos consecutivos, depois do Brasil em 1958 e 1962. A equipa de Lionel Scaloni tem sido muito consistente, embora o futebol praticado não tenha impressionado. Passou por momentos difíceis com Cabo Verde e Egito e ganhou esses jogos muito com o coração. É a mais concretizadora da prova com 19 golos (2,7 golos/jogo), tem sete golos sofridos, 113 ataques realizados, 91% de acerto nos 4.772 passes executados e é a equipa que mais correu, com um total de 813 quilómetros em sete partidas.
Sobre a final de domingo, Lionel Scaloni reconheceu que: «A Espanha está a fazer um excelente trabalho e é das equipas mais completas do Mundial, mas nós somos únicos». Há uma relação de amizade entre os dois selecionadores, De la Fuente foi mestre de Scaloni «estou contente por ele, merece estar na final, é uma pessoa fantástica e sempre me ajudou», confidenciou o argentino.
Lionel Messi carregou sobre os ombros o peso das expectativas e cumpriu. Chega à final como o melhor marcador com oito golos e quatro assistências e igualou o recorde do brasileiro Cafu, são os únicos jogadores a disputar três finais de um Mundial. «Conheço muito bem a Espanha. É uma seleção fantástica, que joga desta forma há muitos anos. Vai ser um jogo muito equilibrado, mas somos os melhores, doa a quem doer e digam o que disserem», frisou o capitão da Argentina.
Na outra meia final, a Espanha voltou a ser besta negra dos franceses - é a terceira vez consecutiva que os gauleses foram eliminados - ganhou bem (2-0) e garantiu um lugar na final ao som de «olés». A Espanha volta a uma final 16 anos depois de ter conquistado o título mundial, na África do Sul. A equipa orientada por Luis De la Fuente realizou partidas quase perfeitas - a exceção foi o empate com Cabo Verde no primeiro jogo. É a seleção que joga melhor futebol e dá gosto ver a forma alegre, fluida e eficaz como troca a bola e ganha jogos, em muitos momentos faz os adversários parecer equipas medianas. A parte artística, bem podia figurar no Museu do Prado, em Madrid, é confirmada por números impressionantes: sofreu apenas um golo em sete jogos, tem 13 golos marcados (1,8 golos/jogo), mais ataques realizados (120), 91% de acerto nos 4.592 passes executados e foi a segunda equipa que correu mais, com 799,5 quilómetros em sete partidas.
Por tudo isto, o selecionador espanhol não poupou nas palavras. «Temos a melhor equipa do mundo», disse Luis de la Fuente. «É um orgulho ter jogadores como estes, são fantásticos. É uma grande responsabilidade estar na final do Mundial, é algo reservado apenas aos eleitos e é preciso assimilar isso. Quando começámos há quatro anos, fomos fiéis a esta ideia e ela trouxe-nos até aqui», lembrou. O selecionador fez ainda uma comparação curiosa sobre o momento atual de La Roja «recuperámos o espírito de 2010». Sobre a final, disse: «Estou ansioso por defrontar a Argentina devido à amizade que me une a Scaloni».
Para os derrotados das meias finais o castigo não acabou. França e Inglaterra disputam amanhã (22h00, Sport TV) o jogo de atribuição do terceiro e quarto lugar… aquele que ninguém quer jogar. Depois de cinco semanas a sonhar com a glória ninguém quer saber da medalha de bronze. É um jogo triste, são os jogadores que o dizem.