Fernando Pimenta chegou esta segunda-feira ao Porto com duas novas medalhas de ouro no currículo. O canoísta português venceu as provas de K1 1.000 e K1 5.000 metros nos Mundiais de Poznan, na Polónia, e encontrou à chegada familiares e centenas de adeptos.
Aos 37 anos, o atleta considera que a época decorreu de forma positiva, sobretudo graças à preparação realizada na fase final antes da competição. Chegou à Polónia em boas condições físicas e com confiança para disputar os títulos.
“Consegui esta dobradinha”, resumiu, destacando de forma particular a vitória nos 1.000 metros, decidida numa chegada muito equilibrada, e o desempenho nos 5.000 metros.
O próximo objetivo já está definido
Depois de mais dois títulos mundiais, Fernando Pimenta já tem um novo desafio no horizonte: os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.
O português lidera atualmente, a par de um atleta australiano, o ranking de apuramento olímpico. Ainda assim, recusa fazer previsões sobre aquilo que poderá acontecer na próxima edição dos Jogos.
“Quero desfrutar do processo até lá chegar”, afirmou.
A motivação, explica, não está apenas relacionada com a possibilidade de conquistar mais medalhas. O reconhecimento do público e o impacto que o seu percurso tem tido junto dos portugueses também continuam a ser importantes.
Uma carreira feita de sacrifícios
Manter-se entre os melhores do mundo aos 37 anos implica uma rotina exigente. Pimenta revelou que a preparação ocupa praticamente todos os dias do ano.
“São sete dias por semana dedicados ao treino”, afirmou, lembrando que as celebrações de uma conquista acabam por representar apenas uma pequena parte de todo o trabalho realizado.
A temporada teve ainda alguns obstáculos. As tempestades que atingiram a região onde treina provocaram estragos em árvores e telhados e obrigaram o atleta a adaptar a preparação para continuar a treinar no rio.
“Não queríamos apresentar desculpas”, explicou.
A exigência da carreira também passa pela dificuldade em conciliar períodos prolongados de estágio, treinos e competições com a vida familiar. É nesse contexto que Pimenta encontra parte da motivação para continuar, nomeadamente nos filhos e nas pessoas que o acompanham.
“Medalhas invisíveis”
Aos muitos títulos conquistados ao longo da carreira juntam-se marcas menos visíveis do esforço diário. Os calos nas mãos, provocados pelos treinos, são um desses sinais.
Pimenta chamou-lhes “medalhas invisíveis que vão ficar”.
O canoísta iniciou o percurso internacional em 2005 e, duas décadas depois, continua a integrar uma seleção portuguesa que considera ter uma geração com capacidade para manter o país entre os melhores da modalidade.
“Temos aqui uma grande geração e é continuar a trabalhar”, concluiu.
Agora, depois de mais duas medalhas de ouro, Fernando Pimenta prepara-se para iniciar um novo caminho, com Los Angeles 2028 como próximo grande objetivo.