terça-feira, 18 ago. 2026

Dragões’ contra as Linhas de Torres

O FC Porto, recordista de vitórias na competição, vai defrontar o SCU Torreense, que joga a sua primeira Supertaça. A equipa do Oeste foi a grande sensação do final da época passada, resta saber até onde consegue levar o seu sonho
Dragões’ contra as Linhas de Torres

Acabaram as férias, a partir de agora é a sério. A Supertaça é o primeiro troféu da época e realiza-se este sábado no Estádio Cidade de Coimbra (20h15, RTP 1). Vai ser um jogo de David contra Golias, onde o Torreense, vencedor da Taça de Portugal, vai tentar derrubar o poderoso FC Porto, campeão nacional, numa partida improvável. Na verdade, estamos a falar de realidades completamente distintas. Segundo o Transfermarkt, o valor de mercado do FC Porto é de 467,1 milhões de euros, o plantel do Torreense está avaliado em 20,3 milhões de euros…, dito de outra forma, o valor do extremo Borja Sainz vale tanto quanto toda a equipa de Torres Vedras.

O histórico é penalizador para o Torreense, fundado em 1917 por um grupo de jovens amantes do jogo da bola. Defrontaram-se 15 vezes, com 10 triunfos do FC Porto, uma vitória do Torreense e quatro empates. Os azuis e brancos ganharam quase todos os jogos por goleada, mas nem sempre foi assim. Em 1999, o Torreense cometeu a proeza de eliminar os ‘dragões’ da Taça de Portugal no ganhar (1-0) no Estádio das Antas, isto no ano em que o FC Porto foi pentacampeão. Contudo, o jogo mais marcante aconteceu na época de 1954/55. A equipa de Torres Vedras fazia a sua estreia na primeira divisão e terminou o campeonato no sétimo lugar. Além disso, disputou a final da Taça de Portugal frente ao FC Porto. Um jogo histórico, mas com resultado ingrato, já que foi derrotado (0-2).

O FC Porto tem uma apetência especial pela Supertaça, ganhou 24 das 47 edições disputadas, ou seja, venceu mais do que os outros quatro clubes juntos (Sporting, Benfica, Boavista e Guimarães). Ao defrontar uma equipa da segunda divisão, o FC Porto é naturalmente favorito. Em caso de vitória, conquista o 88.º troféu da sua história, ultrapassa o rival Benfica e torna-se o clube português mais titulado. Esta Supertaça é muito mais do que um jogo é uma questão de honra, e sabemos bem como isso pesa no balneário azul e branco.

Francesco Farioli apresentou um discurso positivo, mas prudente no início da época. «O que foi feito no passado faz parte da história, do museu. Isto não nos dá créditos adicionais, vamos começar do zero e temos de estar na nossa melhor versão para vencer a Supertaça perante uma equipa que merece todo o respeito por ter derrotado um adversário muito forte. Fizemos reset e temos de ser muito exigentes connosco mesmos. O nível da competição vai aumentar, temos visto como as coisas estão a mudar e quero uma equipa com a fome de um underdog. Vamos estar a todo o gás, porque é a única forma como sabemos competir», avisou o treinador do FC Porto.

A equipa da segunda divisão conseguiu o feito de derrotar (2-1) o Sporting na final da Taça de Portugal e, com isso, garantiu a presença na Supertaça e na Liga Europa, relegando o Benfica para as pré-eliminatórias. Os adeptos do Torreense esperam repetir em Coimbra o momento histórico que viveram no Estádio Nacional. Na região Oeste, há uma febre associativa e enorme orgulho no Torreense, as cores azul e grená do clube estão presentes nas janelas, nos cafés e nas ruas da cidade. Aquilo que para o FC Porto é (quase) uma rotina, para o Torreense é um momento único. O treinador Luís Tralhão está no mesmo registo: «Obviamente, o favoritismo está do lado do F. C. Porto, atual campeão nacional, que tem uma intensidade impressionante e marcou uma nova era no futebol português. Farioli é um revolucionário no que diz respeito à forma de jogar e ao estilo, mas vamos tentar ser felizes». O técnico sublinhou ainda que o Torreense não vai ser mero figurante em Coimbra. «Somos uma equipa que tem qualidade e que podia estar claramente na primeira liga. O grau de dificuldade é muito elevado, mas devem contar connosco». Luís Tralhão frisou também que: «A vitória na Taça de Portugal foi um feito histórico e inédito, que vai ser difícil repetir, mas não é o fim. Temos de continuar a elevar o nível», disse o primeiro treinador a levar uma equipa da segunda divisão a vencer a Taça de Portugal.

A Supertaça realiza-se desde 1979 e marca o arranque oficial da temporada. Até 2001, a decisão era feita a duas mãos, incluindo o recurso a uma finalíssima. É apenas a terceira vez que um clube da segunda liga disputa a Supertaça depois do Beira-Mar, em 1999, e do Leixões, em 2002. A partir de 2002, passou a ser disputada num único jogo em campo neutro. Teve cinco vencedores diferentes e o FC Porto é o grande dominador com 24 triunfos. Ao contrário do que acontece na Taça de Portugal, onde frequentemente há grandes surpresas – a final da época passada confirma isso mesmo – na Supertaça a lógica do mais forte tem prevalecido.