sexta-feira, 13 mar. 2026

Cristiano Ronaldo, Sérgio Conceição, Jorge Jesus: mais de 20 portugueses estão na zona de guerra no Médio Oriente

Com mísseis iranianos a atingir Riade, Abu Dhabi, Doha e Kuwait, os atletas e treinadores portugueses a trabalhar na região vivem dias de angústia. A AFC já suspendeu todos os jogos. Mas ninguém sabe quando ou se regressam.

Quando os primeiros mísseis norte-americanos e israelitas atingiram Teerão na madrugada de sábado, havia mais de 20 portugueses do mundo do futebol a trabalhar em países que seriam atacados nas horas seguintes. Jogadores, treinadores, técnicos. Alguns dos mais conhecidos do futebol mundial. Neste momento, Cristiano Ronaldo está em Riade. João Félix também. Jorge Jesus e Sérgio Conceição também. E nenhum deles sabe ao certo quando pode regressar a casa.

A Confederação Asiática de Futebol (AFC) decidiu adiar todos os jogos das três principais provas de clubes agendados para os próximos dias no Médio Oriente, por razões de segurança, entre os quais os encontros da primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões. Para os portugueses na região, o futebol passou para segundo plano.

Na Arábia Saudita, onde caíram drones

A Arábia Saudita é o país com maior concentração de portugueses de alto perfil. O Al Nassr, orientado por Jorge Jesus e com Cristiano Ronaldo e João Félix no plantel, é um dos clubes diretamente afetados pelas suspensões da AFC. O Al Ittihad, treinado por Sérgio Conceição e com Danilo Pereira e Roger Fernandes, também viu os seus jogos adiados.

O Irão atingiu a refinaria da Aramco em Ras Tanura, na Arábia Saudita, num ataque de drone que obrigou à suspensão das operações. O Ministério da Defesa saudita confirmou ainda ter abatido cinco drones perto da base aérea do Príncipe Sultão, no leste do país. Riade fica a menos de 400 quilómetros das zonas de impacto reportadas.

Nos Emirados, onde morreram três pessoas

O Al Wasl, dos Emirados Árabes Unidos, treinado pelo português Rui Vitória e com Pedro Malheiro e Serginho Andrade no plantel, foi outro dos clubes afetados pelas suspensões da AFC. O Al Ahli, também dos Emirados, orientado pelo compatriota Paulo Sousa, está igualmente em situação de incerteza.

Nos Emirados Árabes Unidos, morreram três pessoas em consequência dos ataques iranianos. Al Wahda, onde alinham Bernardo Folha e Guga, tem sede em Abu Dhabi, uma das cidades atingidas.

No Qatar, onde explodiram os primeiros mísseis

O Qatar foi um dos primeiros países atingidos pela retaliação iraniana. Em Doha trabalha Artur Jorge, treinador do Al Rayyan, clube onde jogam os portugueses André Amaro e Tiago Silva. O Qatar condenou o ataque com mísseis iranianos contra o seu território, depois de várias explosões terem sido ouvidas em Doha. No Qatar jogam ainda Diogo Abreu, Diogo Amaro, Artur Jorge filho e Rúben Lameiras, em diferentes clubes.

No Bahrein e no Irão

No Bahrein, o treinador Nandinho e os jogadores Elliot Simões e Bruno Santos, todos no Al Muharraq, acompanham a situação com preocupação. O Bahrein foi um dos países diretamente alvejados pelo Irão.

No próprio Irão havia um único português até há poucos dias: Ricardo Alves, jogador que, segundo o Observador, saiu do país de carro através da fronteira com a Turquia após o início dos ataques. Ricardo Sá Pinto, que treinava o Esteghlal, tinha sido despedido dias antes dos bombardeamentos.

Portugal tenta perceber o que fazer

Poderá tornar-se inevitável mudar a localização de encontros do Mundial 2026 previstos na zona, para o México ou para o Canadá. A FIFA espera "contar no torneio com todas as seleções apuradas" mas a situação está em avaliação.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português confirmou ter recebido dezenas de pedidos de apoio consular de portugueses na região, sem divulgar números discriminados por país. Para os atletas, os clubes assumem a responsabilidade de segurança, mas a decisão final de permanecer ou partir é, por enquanto, individual.

Por agora, Ronaldo está em Riade. E Riade continua debaixo de alerta máximo.