terça-feira, 09 jun. 2026

Corrida aos cromos do Mundial 2026 dispara: completar a nova caderneta pode ultrapassar os 1.500 euros

Enquanto algumas papelarias de Lisboa apenas contam voltar a receber cromos no dia 11 de junho, quando arranca a competição, a Panini assegura ao Sol que a rutura de stock será ultrapassada ‘dentro de pouco tempo’.

Os fãs do futebol e do colecionismo entraram em euforia com a nova caderneta do Mundial 2026: a edição com mais seleções da história e, consequentemente, com mais cromos para colar. São 122 páginas e 980 cromos: o maior número de sempre. E isso, ao que tudo indica, despertou maior interesse, sobretudo nos portugueses.

Rutura de ‘stock’ 

Nada fazia prever a corrida aos cromos que se instalou este ano. O diretor-geral da Panini Espanha, responsável pela operação em Portugal, admite que a própria empresa foi apanhada de surpresa. «A procura surpreendeu-nos de forma positiva, não esperávamos que fosse tão elevada», afirmou ao SOL Lluís Torrent.

Para Torrent, a dimensão inédita desta edição do Mundial pode ser uma das explicações  para o interesse inédito,  já que a coleção reúne 48 seleções. Entre os portugueses entrevistados, repetem-se os relatos da dificuldade em encontrar os cromos em falta, a menos de um mês do arranque da competição, além do elevado custo que isso acarreta. 

Há papelarias em Lisboa que apenas preveem a reposição de cromos no primeiro dia de jogos da competição – 11 de junho. Já a Panini garante que a situação estará normalizada «dentro de pouco tempo», embora não queira avançar com uma.

Os valores para acabar a coleção

Em 1970, bastavam 270 cromos para ficar com a coleção completa. Em 2022, 670. Este ano, são precisos 980, uma diferença que pesa na carteira, pois quanto mais cromos mais despesa. 

Cada carteirinha de cromos, embora traga agora mais dois do que era hábito, aumentou para 1,50 euros. 

Feitas as contas, se, num cenário (completamente) hipotético, nunca saíssem cromos repetidos, a coleção ficaria completa com 140 saquetas, o que equivale a um gasto mínimo de 210 euros. 

No entanto, as hipóteses de completar uma caderneta sem cromos repetidos são nulas – e já há quem tenha feito essa estimativa.

O professor de matemática na Universidade de Cardiff, Paul Harper, traduziu a realidade de converter saquetas de cromos em euros. Segundo a sua extrapolação, serão necessários sete mil cromos para completar a coleção. Isso daria um total de mil saquetas, o que corresponde a 1.500 euros. 

Levar os cromos para a escola e trocar com os colegas é um clássico. Mas as redes sociais vêm permitir um novo método.

Há grupos nas várias redes sociais que permitem a troca de cromos – e que podem ser uma forma mais barata de acabar a caderneta antes do dia 11 de junho. Outro fenómeno comum, este ano, é a partilha de vídeos nas redes sociais com vários casais a completarem a caderneta juntos e a apelarem a outros que se juntem a eles. 

A ‘convocatória’ da Panini antes das oficiais

Em abril, a Panini já tinha revelado os pormenores da caderneta, já completa, com os 18 cromos em cada uma das 48 seleções. Mas as convocatórias oficiais só saíram esta semana… e os resultados não foram perfeitos. 

Portugal foi uma seleção sortuda, com 100% de precisão. Todos os 18 jogadores da caderneta foram convocados por Roberto Martínez, que ainda chamou mais oito.

O mesmo não aconteceu com o Brasil, onde a pontaria foi ao lado. A convocatória de Carlo Ancelotti diferiu em cinco jogadores daqueles que foram ‘convocados’ pela Panini – e Neymar a grande surpresa. 

No total, a empresa editorial italiana acertou em 273 atletas, das 17 seleções que já anunciaram os seus jogadores, o que dá um total de 90,1% cromos corretos. 

Mas a Panini parece ter pensado em tudo e já anunciou  um pacote atualizado com as convocatórias definitivas para o Mundial 2026.

Isso quer dizer que a coleção original se mantém, simplesmente os jogadores que não estavam incluídos (como Neymar) passam a constar nas novas saquetas. 

Desta forma, todos os colecionadores podem corrigir, substituir ou acrescentar cromos à sua coleção e terminá-la de forma exemplar.

A procura pelos cromos nos outros países

O fenómeno da caderneta do Mundial deste ano não abrange apenas Portugal. Na Argentina, milhares de pessoas juntaram-se em convívios para trocar  repetidos e tentar a sorte naqueles que são os mais especiais da coleção – os de Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Kylian Mbappé são os mais procurados, por pertencerem à categoria de ‘cromos especiais’, ao lado de nomes como Vini Júnior, Lamine Yamal, Alphonso Davies e Harry Kane.

Nesta categoria entram 20 jogadores considerados ‘icónicos’, em quatro categorias: roxo, bronze, prateado e dourado. Embora a Panini não revele a raridade de cada um, os colecionadores consideram os de ouro mais difíceis de encontrar. 

Estes cromos têm  ainda outra particularidade: são ligeiramente mais pesados do que os comuns, o que já despertou táticas como ‘pesar’ as carteirinhas antes de comprar.

Cuidado… não acredite em tudo o que vê

Fenómenos desta dimensão têm sido ótimos pretextos para burlas online.

O Portal da Queixa até já emitiu um alerta após o registo de várias denúncias de sites falsos que «simulam a venda e enganam compradores» .

A plataforma recebeu mais de 60 denúncias relacionadas com esquemas fraudulentos onde alegam vender produtos oficiais, aproveitando-se da elevada procura.

Na tentativa de alcançar a caderneta e a coleção de 980 cromos, muitas pessoas optaram por recorrer a estes sites que, na sua maioria, encontraram em publicidades nas redes sociais. 

A maioria dos casos revelam pagamentos realizados sem receberem o produto ou até o aliciamento de envio de dinheiro para cobrir outras taxas adicionais. 

O Portal da Queixa enumera alguns dos sites fraudulentos, embora deixe o aviso de que há referências de pagamento associadas a outras entidades desconhecidas até ao momento do pagamento.

Confrontada com esta situação, a Panini afirma estar atenta ao fenómeno, sublinhando que não aceita este tipo de práticas e que os casos estão a ser comunicados ao departamento jurídico.

A magia da coleção

Desde 1970 que a magia de colecionar cromos com a cara dos jogadores do Mundial de futebol preenche os fãs do desporto. Foi esse o primeiro ano  em que o grupo editorial italiano Panini  lançou o primeiro álbum oficial, referente ao Mundial realizado no México. 

A tradição mantém-se até hoje, acompanhando não só a evolução da competição, mas também o sentimento de nostalgia entre as várias gerações. 

Grande parte dos portugueses justifica a decisão de começar a coleção como uma ‘tradição’ de há já vários anos, sempre que se aproxima um Mundial de futebol. Faz parte do ambiente e da preparação para a competição. 

Acima de tudo, trata-se de um hábito que atravessa idades e cria ligação entre gerações: pais, filhos e amigos partilham álbuns e trocam cromos repetidos, num ritual físico que continua a resistir ao digital e a reforçar o lado coletivo do futebol.

Panini patrocina… mas Itália falha Prova

A Panini, um grupo editorial italiano  especializado em cromos colecionáveis, banda desenhada e publicações infantis, é conhecida pelo fenómeno das cadernetas há várias décadas. No entanto, desde 2018 que a empresa não tem o privilégio de fazer uma página com a seleção do seu país. A seleção italiana falha a competição há três edições consecutivas: 2018, 2022 e, agora, 2026. 

Coincidência ou não, até a parceria da Panini com a FIFA vai terminar: a edição deste ano é a penúltima com a empresa italiana.  A partir do Mundial 2030, as cadernetas serão feitas pela Topps, uma das maiores e mais antigas empresas norte-americanas de cromos de desporto e entretenimento.