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O Benfica realizou um bom jogo no Santiago Bernabéu, mas foi eliminado por culpa própria e não tanto por mérito do Real Madrid. Os encarnados tiveram uma abordagem destemida e condicionaram o adversário desde os primeiros minutos. Foi com surpresa que os ‘merengues’ viram o Benfica pegar no jogo e discutir a eliminatória em casa do ‘Rei’ da Europa, que tem 15 Taças/Ligas dos Campeões no museu! Mas a jogar assim, dificilmente chega à 16.ª.
O Benfica teve mais organização e executou bem a estratégia delineada para a segunda mão do playoff. Isso refletiu-se no domínio do jogo e em períodos de futebol de grande qualidade, especialmente na primeira parte, onde Thibaut Courtois salvou o Real Madrid com enormes defesas. O golo de Rafa aos 14 minutos deu expressão a desse domínio e fez abanar a confiança madrilena, só que ninguém esperava a falha do capitão Otamendi, quando ainda se festejava o golo encarnado. A falta de um goleador e os erros defensivos fizeram toda a diferença perante uma equipa experiente, que aproveitou os dois deslizes do adversário. O Real Madrid também falhou muitos passes e perdeu bolas de forma infantil no meio campo, só que o Benfica não soube aproveitar.
Os encarnados perderam uma excelente oportunidade de eliminar o colosso Real Madrid numa semana negra para o clube, e foram os ‘merengues’ que seguiram para os oitavos de final com uma vitória sem brilho (2-1). A prova disso mesmo foi dada pelo silêncio nas bancadas, onde cinco mil benfiquistas calaram 77 mil espanhóis.
Bom jogo, mau resultado
O Benfica saiu da Liga dos Campeões depois de uma exibição muito boa, mas com alguma frustração, como reconheceu João Tralhão, que substitui José Mourinho – o técnico principal estava suspenso e viu o jogo no autocarro da equipa. «Demos uma boa resposta. Fizemos uma grande primeira parte, dominámos a espaços na segunda e podíamos ter marcado. O mister José Mourinho está orgulhoso do que fizemos contra uma equipa gigante. Foram dois detalhes que resolveram o jogo, o que nos deixa frustrados», frisou. João Tralhão fez depois uma análise ao que se passou em campo: «Sabíamos das fragilidades do Real Madrid e o plano de jogo permitiu-nos dominar em alguns momentos. Os jogadores foram extraordinários, mereciam muito mais na primeira parte. O golo do Real foi fortuito. A equipa esteve sempre de cabeça levantada e com a baliza adversária na mente, infelizmente não conseguimos materializar o que criámos». O técnico adjunto do Benfica salientou ainda: «No conjunto dos três jogos contra o Real Madrid, empatámos 5-5. Não conta para nada porque não passámos, mas revela que estamos no bom caminho e que este grupo tem muito para conquistar».
Foi a segunda vez que o Benfica jogou neste estádio (a primeira foi em 1965 e perdeu pelo mesmo resultado), confirmando-se a maldição das equipas portuguesas no Santiago Bernabéu; em 12 jogos, registaram 11 derrotas e um empate, conseguido pelo FC Porto de José Mourinho, em 2003.
O treinador do Real Madrid, Álvaro Arbeloa, sabia que um fracasso na Europa significava o fim de linha e salvou a pele ao eliminar os encarnados no playoff da Liga dos Campeões, numa altura em que já havia possíveis substitutos. O peso da história era tremendo, há mais de três décadas que o Real Madrid atinge os oitavos de final da principal competição de clubes na Europa. A equipa madrilena tem mais talento individual do que o Benfica, mas a liderança e a forma como se preparam os grandes jogos é igualmente determinante. Neste aspeto, José Mourinho fez um bom trabalho de casa e a equipa com menos recursos foi mais competitiva no Santiago Bernabéu, como já tinha sido na Luz há três semanas. O Benfica cometeu muitos erros ao longo da temporada europeia, mas salvou a honra nos jogos contra o Real Madrid, onde fez muita coisa boa.
Mas nem todos se podem gabar do mesmo. Na segunda mão do playoff assistimos a um escândalo europeu que foi a eliminação do Inter de Milão, vice-campeão europeu, pelo estreante Bodo/Glimt, que ganhou os dois jogos aos italianos! Outra grande surpresa veio do Galatasaray, que foi a Turim eliminar a Juventus.
Esta semana pode ser importante para o futebol português. Se o AZ Alkmaar for eliminado pelo Noah (perdeu 0-1 na Arménia), Portugal garante o 6.º lugar no ranking da UEFA, o que permite ter três equipas na Liga dos Campeões em 2027/28 (duas com entrada direta e outra na terceira pré-eliminatória). Se essa possibilidade falhar, basta que Sporting, FC Porto ou Braga ganhem um jogo nos oitavos de final das competições que estão a disputar para garantir essa posição, ultrapassando os Países Baixos.
Sporting na elite
Terminado o playoff de acesso aos oitavos de final, a Liga dos Campeões entra na fase decisiva, a mais desejada pelos adeptos. A partir de agora não há lugar para falhas e quem perder sai da competição. Os oito primeiros da fase de liga qualificaram-se automaticamente para os oitavos de final como cabeças de série do sorteio, o que significa que vão defrontar um adversário que ficou entre o 17.º e 24.º lugar, com a vantagem de realizar o segundo jogo em casa.
O Sporting teve tarefa árdua para garantir o 7.º lugar na primeira fase da competição, destacando-se as vitórias em casa sobre o PSG, atual campeão europeu, e Marselha, e o empate com a Juventus, em Turim. Com os resultados do playoff, os leões já sabem que vão defrontar o Real Madrid ou o Bodo/Glimt nos oitavos de final. Os sorteios dos oitavos de final, dos quartos de final e das meias finais da Liga dos Campeões realizam-se hoje (11h00), em Nyon, na Suíça.
Concluída a primeira fase da Liga dos Campeões, o Observatório do Futebol (CIES) divulgou um estudo sobre os 20 jogadores mais rápidos por posição e destacou três nomes do Sporting e um do Benfica. O sportinguista Fresneda foi o quinto mais rápido entre os laterais, com uma velocidade de 35,08 km/h, Luis Suárez mostrou-se o sétimo avançado mais veloz, com 33,92 km/h e João Simões foi 20.º na tabela dos médios, com 32,13 km/h. O benfiquista Lukebakio é 16.º da tabela dos ponta de lança, com 33,84 km/h.