Relacionados
A quatro dias da final do Mundial 2026, que será disputada no MetLife Stadium, em Nova Iorque, os preços dos bilhetes continuam a gerar forte contestação entre os adeptos. As entradas disponíveis atingem valores que ultrapassam os 50 mil euros, tornando praticamente impossível a presença do adepto comum no encontro decisivo.
E assistir ao jogo ao vivo representa um investimento que vai muito além do preço do ingresso.
No portal oficial da FIFA já não existem bilhetes de categoria regular para a final.
As únicas opções disponíveis correspondem aos pacotes Hospitality e Premium, destinados a zonas exclusivas do estádio, com serviços como restauração, áreas VIP e melhores lugares.
Os preços começam nos 13.115 euros para a modalidade Hospitality e rondam os 50 mil euros para os pacotes Premium.
Mercado de revenda também apresenta preços elevados
Nas principais plataformas de revenda de bilhetes, como StubHub, Ticketmaster e TickPick, os valores mantêm-se igualmente elevados.
As entradas mais baratas rondam os 6.130 euros, enquanto os lugares mais valorizados chegam aos 34.100 euros, mesmo tratando-se de bilhetes convencionais.
Custos não terminam no ingresso
Além do preço do bilhete, os adeptos que pretendam assistir à final têm ainda de suportar despesas elevadas com alojamento, alimentação e transporte.
No caso do MetLife Stadium, o acesso pedonal não é permitido, obrigando os espectadores a recorrer aos meios de transporte disponibilizados para o evento.
Os comboios oficiais têm um custo de cerca de 85 euros, enquanto os serviços de shuttle em autocarro custam aproximadamente 17,50 euros por pessoa.
Queixa contra a FIFA chegou à Comissão Europeia
A política de preços da FIFA já motivou uma reação formal de organizações de adeptos e de defesa dos consumidores.
Em março, a Federação Europeia de Adeptos (FSE) e a Euroconsumers, organização da qual faz parte a DECO, apresentaram uma queixa à Comissão Europeia.
As entidades acusam a FIFA de abuso de posição dominante, alegando que a organização impõe preços excessivos e utiliza condições de venda pouco transparentes.
Entre as principais críticas está a aplicação de preços dinâmicos, um sistema que faz variar o custo dos bilhetes em função da procura, contribuindo para valores considerados incomportáveis para a maioria dos adeptos.
A polémica volta assim a colocar em debate o acesso dos fãs aos grandes eventos desportivos e o impacto da crescente comercialização do futebol de elite, numa final do Mundial que promete ser histórica dentro de campo, mas que dificilmente será acessível para quem pretende assisti-la ao vivo.