Atleta ucraniano expulso dos Jogos Olímpicos de Inverno por capacete com homenagem

Antes da desqualificação, o Comité Olímpico Internacional tinha proposto que o atleta exibisse o capacete apenas antes e depois da prova, permitindo-lhe também competir com uma braçadeira preta em sinal de luto. A proposta não foi aceite.

O atleta ucraniano da modalidade de "skeleton" Vladyslav Heraskevych foi desqualificado dos Jogos Olímpicos de Inverno, depois de ter competido com um capacete que homenageava desportistas ucranianos mortos na invasão russa. A informação é avançada pela Agência Reuters.

Segundo o Comité Olímpico Internacional (COI), a decisão foi comunicada ao atleta após uma reunião, ao início da manhã desta quinta-feira, com a presidente da organização, Kirsty Coventry, realizada no local das provas, pouco antes do arranque da competição.

A desqualificação deveu-se ao facto de o capacete apresentar imagens de 24 atletas falecidos durante o conflito, o que foi considerado uma violação das regras que proíbem mensagens políticas ou simbólicas em contexto competitivo.

A equipa de Heraskevych anunciou que irá recorrer da decisão junto do Tribunal Arbitral do Desporto.

Em declarações aos jornalistas, a presidente Kirsty Coventry explicou que tentou encontrar uma solução. "Eu não era para estar aqui, mas achei importante falar com ele cara a cara. Ninguém, especialmente eu, está a discordar com a mensagem. É uma mensagem poderosa, uma mensagem de lembrança, de memória", afirmou. No entanto, acrescentou: “O desafio era encontrar uma solução para o campo de jogo. Infelizmente, não conseguimos encontrar essa solução”.

Antes da desqualificação, o COI tinha proposto que o atleta exibisse o capacete apenas antes e depois da prova, permitindo-lhe também competir com uma braçadeira preta em sinal de luto. A proposta não foi aceite.

"Estou afastado da competição. Não vou ter o meu momento olímpico. Apesar do COI querer trair a memória destes atletas, eu não os vou trair", lamenta o atleta ucraniano após saber da desqualificação.

O atleta considerou que a decisão favorece a narrativa russa e afirmou que os atletas homenageados deram a vida para que eventos como os Jogos pudessem continuar a existir.

O Comité Olímpico da Ucrânia manifestou apoio ao atleta, mas garantiu que não pretende boicotar a competição.

Esta não é a primeira vez que o COI sanciona atletas por manifestações simbólicas ou políticas. Um dos casos mais conhecidos remonta aos Jogos Olímpicos de 1968, no México, quando Tommie Smith e John Carlos foram expulsos após levantarem o punho em protesto contra o racismo. Mais recentemente, nos Jogos de Paris 2024, a atleta afegã Manizha Talash foi desqualificada por exibir a mensagem “Free Afghan Women” ("Libertem as mulheres afegãs", em português).