sexta-feira, 12 jun. 2026

"As coisas podem correr muito mal": especialistas alertam FIFA para calor extremo no Mundial 2026 que pode colocar jogadores em risco

A carta foi assinada por especialistas internacionais em saúde, clima e desempenho desportivo, afirmando que as diretrizes do orgão que tutela o futebol não estão em sintonia com as evidências científicas.
"As coisas podem correr muito mal": especialistas alertam FIFA para calor extremo no Mundial 2026 que pode colocar jogadores em risco

A preocupação com a meteorologia durante o Campeoanto do Mundo nos países anfitriões tem sido bastante debatida desde que soube que Canadá, México e Estados Unidos iriam acolher os jogos.

O tema ficou mais sério agora que um grupo de 20 especialistas internacionais assinou uma carta aberta direcionada à FIFA como forma de alerta para as medidas que devem ser tomadas contra o calor extremo na competição que pode prejudicar seriamente a saúde dos jogadores.

A carta foi assinada por especialistas internacionais em saúde, clima e desempenho desportivo, afirmando que as diretrizes do orgão que tutela o futebol não estão em sintonia com as evidências científicas e são "impossíveis de justificar". Nesse sentido, pedem á FIFA que introduza medidas de segurança mais exigentes, como intervalos mais longos para os jogadores se refrescarem e protocolos com diretrizes mais claras para adiar jogos em condições extremas e de risco.

O alerta estima ainda que as temperaturas em 14 dos 16 estádios onde estão marcados jogos podem ultrapassar "níveis perigosos", causando stress térmico no corpo dos jogadores, de acordo com o citado pela BBC Sports, com temperaturas médias de 30.ºC, a atingir os 40.ºC nas alturas mais quentes.

Os especialistas pedem o adiamento de jogos em que a medida de calor padrão para desporto esteja acima dos 28.ºC, pausas mais longas do que os três minutos definidos em cada metade dos jogos para resfriamento, sugerindo seis minutos, melhorias nas instalações de resfriamento para jogadores e atualizações regulares baseadas nas últimas evidências científicas.

No entanto, a FIFA garante estar "comprometida em proteger a saúde e segurança de jogadores, árbitros, torcedores, voluntários e funcionários", recusando comentar a carta aberta enviada, de acordo com a emissora britânica. Garante ainda que continuará a monitorizar as condições em tempo real e a aplicar medidas de contingência quando necessário.

As medidas atuais, que os especialistas consideram "desadequadas", incluem pausas obrigatórias para se refrescarem de três minutos em cada metada de cada jogo, independentemente das condições meteorológicas. Haverá também "bancos com controlo climático" para toda a equipa técnica e jogadores substitutos.

De forma mais especializada, a FIFA vai utilizar a medida de calor padrão para desporto, a Temperatura de Globo e Bulbo Húmido (Wet-Bulb Globe Temperature), que avalia o stress térmico no corpo, combinando calor e humidade. Se a leitura estiver próxima, igual ou acima de 32.ºC, deve ser de imediato tomada uma decisão para "evitar qualquer doença relacionada com o calor".

Quanto aos adeptos, que também estarão sob temperaturas extremamente altas, podem levar uma garrafa de água selada para os jogos, onde terão também sistemas de resfriamento, incluindo áreas com somba, sistemas de pulverização, e distribuição de água durante as partidas.

"Estamos preocupados que a FIFA esteja a jogar de forma imprudente com a saúde e segurança dos jogadores", afirma Andrew Simms, diretor do New Weather Institute e um dos coordenadores da carta aberta à FIFA, acrescentando um alerta: “A seguranças das pessoas é uma preocupação imediata e urgente, porque as coisas podem correr muito mal muito depressa em cenários de muito calor".

"Esperamos que esta carta aberta convença a FIFA a atualizar as suas diretrizes antes da Copa do Mundo", pode ler-se na descrição da carta, revelada pela BBC Sports.