Relacionados
O ciclista português Afonso Eulálio admitiu esta segunda-feira que dificilmente conseguirá manter a camisola rosa no Giro d'Italia no contrarrelógio da 10.ª etapa, que se realiza esta terça-feira, reconhecendo a superioridade do dinamarquês Jonas Vingegaard neste tipo de percurso.
“Não acredito que a mantenha”, afirmou o corredor português durante a conferência de imprensa realizada esta segunda-feira, dia de descanso da prova italiana, em Lucca.
Apesar disso, Eulálio garantiu que vai “lutar” para defender a liderança da geral, embora reconheça que o contrarrelógio de 42 quilómetros favorece claramente especialistas como Vingegaard.
“O Jonas é superbom, um dos melhores corredores do mundo”, afirmou.
O português da Bahrain Victorious parte para a etapa com 2m24s de vantagem sobre o campeão da Vuelta e bicampeão do Tour de França, mas descreveu o percurso como “o pior contrarrelógio para ciclistas leves”.
“É totalmente plano, sobre velocidade. É sofrer”, resumiu.
Aos 24 anos, o corredor natural da Figueira da Foz revelou que o plano inicial para este Giro passava por trabalhar para a equipa e aproveitar oportunidades na montanha, não imaginando lutar pela camisola rosa.
“Há um mês, o meu plano era encarar o contrarrelógio como um dia de descanso, e agora tenho de dar o máximo”, confessou.
Apesar das dificuldades previstas para a etapa de terça-feira, Eulálio mantém ambições elevadas para o restante Giro, embora prefira esperar pelo resultado do contrarrelógio antes de definir uma estratégia definitiva.
“Como sonhar é de graça, o que gostaria era de fechar no top 10 e ganhar uma etapa”, assumiu, citado pela agência Lusa.
Depois de ter abandonado a Volta a Itália de 2025 a apenas dois dias do fim, o ciclista português considera que já conseguiu “ajustar contas” com a corrida italiana.
“Acabámos por decidir o Giro porque deixei as contas em aberto no ano passado. E fizemos bastante bem em regressar”, afirmou.
Eulálio tornou-se líder da geral após a quinta etapa, na qual terminou em segundo lugar depois de integrar a fuga do dia.
Com a camisola rosa, o português já ultrapassou Acácio da Silva no número de dias na liderança do Giro, ficando apenas atrás de João Almeida, que liderou durante 15 dias na edição de 2020.
O corredor português destacou ainda a dureza das etapas de montanha e apontou a subida ao Blockhaus, na sétima etapa, como o momento mais difícil desde que veste a camisola rosa.
“Não apenas pela subida, mas pelo vento”, explicou.
Confiante na evolução demonstrada nos últimos anos, Eulálio acredita que ainda pode surpreender até ao final da Volta a Itália, que termina em Roma a 31 de maio.