quinta-feira, 11 jun. 2026

Afonso Eulálio admite perder liderança, mas sonha com etapa e top-10 no Giro

Ciclista português acredita que dificilmente manterá a camisola rosa da Volta a Itália no contrarrelógio frente a Jonas Vingegaard. Ainda assim, o corredor da Bahrain Victorious ambiciona vencer uma etapa e terminar o Giro no top-10.
Afonso Eulálio admite perder liderança, mas sonha com etapa e top-10 no Giro

O ciclista português Afonso Eulálio admitiu esta segunda-feira que dificilmente conseguirá manter a camisola rosa no Giro d'Italia no contrarrelógio da 10.ª etapa, que se realiza esta terça-feira, reconhecendo a superioridade do dinamarquês Jonas Vingegaard neste tipo de percurso.

“Não acredito que a mantenha”, afirmou o corredor português durante a conferência de imprensa realizada esta segunda-feira, dia de descanso da prova italiana, em Lucca.

Apesar disso, Eulálio garantiu que vai “lutar” para defender a liderança da geral, embora reconheça que o contrarrelógio de 42 quilómetros favorece claramente especialistas como Vingegaard.

“O Jonas é superbom, um dos melhores corredores do mundo”, afirmou.

O português da Bahrain Victorious parte para a etapa com 2m24s de vantagem sobre o campeão da Vuelta e bicampeão do Tour de França, mas descreveu o percurso como “o pior contrarrelógio para ciclistas leves”.

“É totalmente plano, sobre velocidade. É sofrer”, resumiu.

Aos 24 anos, o corredor natural da Figueira da Foz revelou que o plano inicial para este Giro passava por trabalhar para a equipa e aproveitar oportunidades na montanha, não imaginando lutar pela camisola rosa.

“Há um mês, o meu plano era encarar o contrarrelógio como um dia de descanso, e agora tenho de dar o máximo”, confessou.

Apesar das dificuldades previstas para a etapa de terça-feira, Eulálio mantém ambições elevadas para o restante Giro, embora prefira esperar pelo resultado do contrarrelógio antes de definir uma estratégia definitiva.

“Como sonhar é de graça, o que gostaria era de fechar no top 10 e ganhar uma etapa”, assumiu, citado pela agência Lusa.

Depois de ter abandonado a Volta a Itália de 2025 a apenas dois dias do fim, o ciclista português considera que já conseguiu “ajustar contas” com a corrida italiana.

“Acabámos por decidir o Giro porque deixei as contas em aberto no ano passado. E fizemos bastante bem em regressar”, afirmou.

Eulálio tornou-se líder da geral após a quinta etapa, na qual terminou em segundo lugar depois de integrar a fuga do dia.

Com a camisola rosa, o português já ultrapassou Acácio da Silva no número de dias na liderança do Giro, ficando apenas atrás de João Almeida, que liderou durante 15 dias na edição de 2020.

O corredor português destacou ainda a dureza das etapas de montanha e apontou a subida ao Blockhaus, na sétima etapa, como o momento mais difícil desde que veste a camisola rosa.

“Não apenas pela subida, mas pelo vento”, explicou.

Confiante na evolução demonstrada nos últimos anos, Eulálio acredita que ainda pode surpreender até ao final da Volta a Itália, que termina em Roma a 31 de maio.