Adele Vankerschaver é filha de pais belgas, mas nasceu em Portugal e representa o nosso país no Campeonato do Mundo Júnior de snowboard, onde desafia regularmente atletas internacionais mais velhos. Terminou a época passada no primeiro lugar do ranking de sub-13 da Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FSI), uma tabela elaborada com base no desempenho técnico e artístico dos atletas. Mais recentemente foi 7.ª na disciplina slopestyle numa prova da Europa Cup Premium, onde participaram muitos atletas que estiveram nos Jogos Olímpicos.
Desde muito nova que tem paixão pelo snowboard e skate, mas também gosta de atividades criativas, adora desenhar, e quer ser um exemplo e estimular outros jovens a serem ativos. Começou a fazer snowboard aos sete anos, como nos contou: «Foi o meu pai que me ensinou. Nos primeiros dias, ele segurava-me pela mão e, juntos, descíamos as encostas. A verdadeira paixão pelo snowboard começou quando fiz a primeira descida sem a ajuda do meu pai. A sensação de velocidade e de deslizar sem esforço pela montanha mudou tudo. A partir desse dia soube que queria fazer isto, o dia todo, todos os dias».
Adele explicou quais são as características que um snowboarder precisa de ter para chegar ao sucesso. «Em primeiro lugar, é preciso ter grande paixão pelo desporto. O snowboard pode, por vezes, ser um pouco frustrante e difícil, e se não tiveres paixão, onde é que vais encontrar a motivação necessária para continuar? Claro que também ajuda ter talento e não ter demasiado medo. É importante que os snowboarders se divirtam, porque é assim que evoluem e conseguem fazer descidas muito melhores».
O estilo é tudo
Quando lhe perguntámos se tinha um estilo próprio, a resposta foi categórica. «O estilo é tudo», afirmou. E salientou: «Tenho um estilo diferente dos outros, é um estilo mais de skater. O skate é a minha segunda paixão, e andar de skate em mini-rampas e bowls é o que faço durante todo o verão. Gosto de olhar para o snowboard de uma forma diferente, tentar mais do que um único ‘grab’, mudar as coisas e ver tudo de uma perspetiva diferente. Afinal, fica melhor e dá uma vibração mais fixe quando fazes uma descida com estilo», frisou.
O snowboard é um desporto espetacular, que se desenrola em cenários únicos, com saltos de cortar a respiração, que são o ponto de partida para manobras de 360 e 720 graus (rotações de uma e duas voltas). Já voou 22 metros, um verdadeiro salto olímpico, e quando lhe perguntámos se não tinha medo, a resposta foi a de uma profissional. «É quando abraças o medo que vais avançar! Claro que sinto medo, são novos saltos e cada vez maiores; na última competição os saltos tinham 20 metros. Quando tenho de fazer algo que nunca fiz antes, fico nervosa e sinto medo. Mas, depois, a sensação é ótima, é de felicidade, liberdade, realização», esclarece.
Na época passada, Adele Vankerschaver foi número um do ranking mundial de sub-13, o que mostra bem a evolução na procura de um lugar no topo. «Após o meu primeiro ano de competição, reparei que era a mais jovem com a melhor classificação no ranking. Não fazia ideia de que iria conseguir isso. Foi uma boa motivação para definir os objetivos para os anos seguintes».
Disputar o Campeonato do Mundo Júnior foi um enorme desafio, onde se aprende muito. «Foi super importante para mim», reconheceu. «Era a atleta mais nova e queria mostrar que pertencia a esse nível! Além disso, foi importante aprender a lidar com o stress de competições de maior dimensão, algo que me ajudou mais tarde na Premium Europa Cup. E, claro, competições deste nível ajudam a divulgar o meu nome e a ter maior reconhecimento pelo meu snowboard». Após estas experiências internacionais, tem planos bem definidos para o futuro. «O meu maior sonho e objetivo é tornar-me snowboarder profissional e representar Portugal nos Jogos Olímpicos de 2030», revela.
Sendo atleta, nem sempre é fácil conciliar o treino com a vida pessoal e escolar, admite Adele Vankerschaver. «Os meus pais construíram um skatepark e, no verão, passo muito tempo a andar de skate com os meus amigos. No inverno, a história é outra. Juntamente com o meu treinador, que é o meu pai, e a minha mãe, passo o tempo na montanha a treinar. Nesse período vivemos numa autocaravana, o que nos permite treinar nos melhores locais da Europa. A maior parte do treino é feito na Áustria, mas ultimamente temos vindo a explorar outros snowparks. Preciso de começar a praticar saltos maiores. No próximo ano passaremos a maior parte do tempo em outros locais. Depois dos treinos certifico-me de que os trabalhos escolares foram feitos e ponho as aulas online em dia».
Em relação ao melhor momento da sua curta carreira, foi peremptória: «A primeira participação na Premium Europa Cup, na Suíça. Os saltos eram enormes, é a maior pista de slopestyle do mundo! Muitos dos riders eram atletas olímpicos e poder competir com eles, aos 13 anos, deixou-me muito orgulhosa. Terminar na sétima posição da geral entre snowboarders dos sub-13 aos sub-18 foi ainda melhor, fiquei extremamente entusiasmada».