Queria que começassem por me falar um bocadinho sobre cada um de vocês… Que cursos estavam a tirar quando esta banda foi formada? Como é que se conheceram?
Miguel Brites: O Francisco e o Tomás são irmãos! Eu conheci o Francisco no secundário. Éramos da mesma turma e, mais tarde, fomos para a Universidade e integrámos o Grupo Académico Seistetos, onde estava o David. Começámos a tocar juntos. Sobre os cursos… Nenhum de nós chegou a terminar. O David estava em Música, eu estava em Mecatrónica, o Tomás em Informática e o Francisco em Enologia. E com a chegada dos Vizinhos, nenhum foi capaz de acabar o curso.
E não é uma coisa em que pensem muito neste momento...
David Mendonça: Nós queremos muito acabar porque também foi do meio académico que viemos. Queremos provar que todos os estudantes têm margem para progredir e para evoluir na vida. Às vezes surgem imprevistos bons… (risos) Neste caso foi a música! Vamos ver como é que se desenrola este ano. Estamos com muitos concertos.
Como é que surgem os Vizinhos? Sempre tiveram vontade de formar uma banda?
Francisco Cartaxo: Tudo começou precisamente no Grupo Académico Seistetos na Universidade de Évora. Foi lá que começámos a tocar as primeiras músicas e, nós os quatro, sempre tivemos uma ligação forte. Entretanto, também assumimos a direção do grupo e foi lá que fizemos o projeto com os ÁTOA, nas músicas Ritinha e Romance de Balcão. Depois tivemos de sair da direção, passá-la para os mais novos… Foi aí que pensámos: «Porque é que não criamos uma banda?». No dia 1 de setembro de 2024 juntámo-nos num jantar e escrevemos a primeira parte da Pôr do Sol e depois, entre 1 de setembro e 8 de dezembro, que foi quando lançámos o primeiro vídeo, estivemos a pensar o projeto, no que íamos fazer. Foi quando surgiu a ideia de fazer ‘Do dia 1 a começar uma banda do 0’ até chegar ao Coliseu. Foi a isso que nos propusemos, a mostrar todo o caminho.
Mas o que é que vos fez sentir que isto podia ser mais do que um projeto casual?
David Mendonça: Foram as pessoas. As pessoas aderiram como se fosse uma moda, uma trend. Desde o primeiro vídeo que nós impusemos muitos objetivos e desafios. As pessoas foram vendo que cumpríamos e acreditaram logo muito no projeto. Foi uma avalanche de apoio tão grande que hoje em dia já contamos com milhares de seguidores e milhões de visualizações nas músicas e nos vídeos. Gostamos sempre de referir que foram as pessoas a levar os Vizinhos até aqui e não fomos nós propriamente que fizemos algo de especial… Os nossos vídeos são pensados diariamente pela nossa equipa, mas começou de uma forma muito simples. No primeiro gravámos com telemóvel e nem tínhamos microfones. Hoje em dia já temos uma equipa por trás disso que nos ajuda todos os dias a pensar na melhor forma de fazer as coisas. Foi um processo tão natural e tão simples que acho que conquistámos as pessoas.
E qual é que é o lugar de cada um nesta banda. Ou seja, o que é que cada um dá ao grupo?
Miguel Brites: Eu meto água fria na fervura quando os ânimos aquecem. (risos)
Tomás Cartaxo: Eu trato de tudo o que são questões mais técnicas. Coisas de informática, computadores, as cenas de programar concertos. Coisas assim mais nerds. (risos)
David Mendonça: Eu sou o mais maluco. (risos) Sou aquela pessoa que propõe ideias mais loucas e mais engraçadas. O Francisco traz mais responsabilidade. Põe-nos os pés mais assentes na terra.
Acredito que cada membro traga influências musicais diferentes. Como é que essas diferenças se transformam numa identidade sonora coesa?
David Mendonça: Acho que isso já vinha do grupo Seistetos. Nós lá já tínhamos estes instrumentos e cada um foi obrigado a aprender a tocá-los ainda melhor. Com o nascimento dos Vizinhos, nasceu também mais responsabilidade e mais coesão, porque fomos obrigados a dar um espetáculo bom às pessoas. Tivemos todos que melhorar muito nos nossos instrumentos: tanto no bandolim, como no baixo, guitarra… O Tomás também tocava baixo. O Miguel era quem tocava a guitarra. Depois trocaram… O Tomás assumiu a guitarra, o Miguel assumiu o baixo. O Francisco já tocava bandolim no grupo académico. Foi obrigado a criar melodias, o ritmo dele. Porque o bandolim é um instrumento que, às vezes, é complicado de encaixar. É o instrumento que sofre mais bullying dentro da banda. (risos) Mas acho que a coesão vem do nosso espírito académico. Fomos obrigados a fazer música para os estudantes, já preparávamos alguns concertos. Chegámos a fazer primeiras partes de alguns artistas em palcos já grandes, e fomos obrigados a montar um concerto todos juntos.
Como é que chegaram ao nome Vizinhos? Representa apenas proximidade ou há uma ideia mais conceptual por trás?
Tomás Cartaxo: Por acaso foi na mesma noite em que escrevemos a música Pôr do Sol. Foi uma noite muito boémia. (risos) E, nessas noites boémias, a pessoa que compõe connosco, o João Direitinho, volta e meia tem estas ideias brilhantes e espontâneas. De repente levantou-se da mesa e disse: «Vocês vão ser os Vizinhos!». O nosso nome era para ser Os Vara Larga, mas surgiu algo mais forte. (risos) Ele disse-nos que fazia todo o sentido que assim fosse, porque nós aproximamos as pessoas, juntamos a vizinhança toda. Nos primeiros dias não gostávamos, mas com o passar do tempo começou a entrar.
David Mendonça: Até porque nós moramos perto uns dos outros! (risos) Passamos os dias na casa do Francisco e do Tomás. Costumamos dizer que só não partilhamos as namoradas! (risos) A gente partilha muitas histórias e muitas memórias. Mesmo na vida pessoal… Não nos largamos. Até fazemos férias juntos! Em janeiro, por exemplo, planeamos ir para Cabo Verde.
Voltando ao projeto de X dias para o Coliseu. Porquê esse objetivo? Porquê estas salas?
Miguel Brites: A ideia do Coliseu nasceu muito da série que a gente tem: ‘Dia X a começar uma banda do 0’. Esse era o desafio em si. O Coliseu porquê? Por ser uma sala tão emblemática no panorama musical nacional. Foi a nossa maneira também de chocar um bocadinho as pessoas. De fazer com que acompanhassem. Ficarem com aquela ideia: «Será que eles vão conseguir? Vamos ter que acompanhar!». Não esperávamos que fosse tão depressa! (risos) Já temos as datas marcadas para novembro.
Dizem que tudo o que fazem é sempre natural e 100% orgânico. O que é que isto significa?
Miguel Brites: Acho que se pode comprovar nesta entrevista! (risos)
David Mendonça: É muito difícil não sermos nós próprios! Nós somos alegres, seja a beber uns copos, no cinema, no shopping… Estamos sempre a rir e a brincar! Sempre nas piadas. Daí o nome do álbum ser Só Se Estraga Uma Casa. Não precisa de palavras… Quando nós nos juntamos acontece a magia. Acho que ainda não assumimos muito isto de sermos famosos.
Francisco Cartaxo: Não temos mesmo medo de mostrar aquilo que somos. Às vezes nos vídeos, quando surge alguma coisa que supostamente um artista não deve fazer, a gente faz questão que apareça. Se algum dia correr mal, correu, mas ao menos somos nós próprios.
Como é que funciona o vosso processo de criação e composição?
David Mendonça: É difícil! Nós andamos sempre às turras uns com os outros. Temos todos muitas ideias, mas no fim lá nos arranjamos! O João é quem nos guia e arranjamos sempre um espaço para a ideia de cada um.
Tomás Cartaxo: Mas basicamente tentamos criar sempre uma história com a qual as pessoas se identifiquem. E normalmente é verdadeira! (risos)
Francisco Cartaxo: Queremos mesmo que as letras signifiquem algo. Na parte das melodias tentamos sempre sejam muito simples para as pessoas conseguirem cantar. São melodias fáceis e ficam no ouvido.
Começam pelas melodias ou pelas letras?
David Mendonça: Começamos sempre por uma ideia, mas eu penso logo muito na melodia. Quando temos uma letra fazemos logo uns acordes na guitarra e piano. Depois surgem sempre muitas alterações. A Pôr do Sol era para ter um refrão diferente. «Olha isto não encaixa tão bem aqui, vamos tentar desta forma». Vamos fazendo tudo um bocado ao mesmo tempo. Nós compomos sempre com instrumentos. Depois disso vamos para a produção e aí é magia pura.
Tomás Cartaxo: Muitas vezes nas composições fazemos de uma maneira, e quando chegamos a estúdio as coisas transformam-se.
David Mendonça: Sim, mas vamos sempre com uma ideia muito definida! As nossas maquetes já vão quase prontas, depois é acrescentar uma bateria, um baixo, uma guitarra. Temos sorte por termos boas condições. Temos um estúdio na casa do Francisco e do Tomás. É meio caminho andado para os produtores terem uma ideia daquilo que queremos e avançarmos com isso. Já chegamos lá com o processo a meio.
Francisco Cartaxo: Costumamos dizer que quando uma música soa bem só com a guitarra e a voz, vai ser um sucesso.
A música ‘Pôr do Sol’ foi e continua a ser um sucesso! Gostava que partilhassem um bocadinho da forma como ela nasceu… Quais eram as vossas expectativas? Achavam que ia ser tão bem recebida?
David Mendonça: Não! Na realidade, esta música era para os pardais. (risos) Era a música de lançamento que íamos testar. Era o patinho feio do grupo. A gente pensava isso, mas lá no fundo havia esperança. E felizmente correu super bem! A frase: «Se achas Lisboa grande o Alentejo ainda é maior», ficou marcada. As pessoas associam imediatamente a nós. Às vezes até se confundem e chamam-nos «Pôr do Sol», mas realmente somos mesmo, porque foi esta a música que fez os Vizinhos. Foi por ela que chegámos até aqui. É como se fosse a música de sucesso da banda, que liga também gerações. Foi a canção que mudou a nossa vida. E até agora ainda não falhámos com nenhuma! Todas resultaram bem! (risos)
O feeling às vezes não é o melhor, temos muitas dúvidas, somos muito perfeccionistas… Mas estamos num bom caminho. Vamos ver como é que o álbum vai ser recebido!
Não acham que correm o risco de se cansar dela? O Salvador Sobral ficou algum tempo sem cantar o ‘Amar pelos Dois’ nos concertos.
David Mendonça: Acho que isso seria o mesmo de irmos a Roma e não vermos o Papa. Todas as pessoas estão à espera do momento em que os Vizinhos dizem: «Viram o pôr do sol hoje?». É a música que nos deu tudo. Nós cantamos duas vezes no concerto, às vezes até apetece cantar mais outra, porque as pessoas mostram-nos e demonstram sensações maravilhosas. Não podemos negar aquilo que nos trouxe até aqui, e estar a fazer isso é estarmos a ser um bocado anti-vizinhos. Acho que vamos ter que tocá-la durante mais 40 anos! (risos)
Vocês escrevem muito sobre amor. É o que vos sai melhor?
David Mendonça: O álbum é amor. Só não se chama «Amor» porque sentimos que não se identificava muito com a nossa energia, com a alegria que temos como banda. Só Se Estraga Uma Casa é o caos perfeito. É um caos bonito, que representa também o amor que há entre nós, que há entre entre o público, entre a vizinhança… É um ditado muito conhecido. É o fruto das nossas músicas.
Francisco Cartaxo: É um tema com o qual as pessoas se identificam. E temos vários tipos de amor nas nossas músicas. O amor cómico, no Pobre Ex-Namorado e Casar é para Esquecer; um melancólico, na Pôr do Sol, e Daqui Ninguém me Tira; temos o amor fofinho na Laranjeiras e o amor real Onde É Que Eu Tinha A Cabeça.
David Mendonça: É isso! O álbum fala de amor. É a nossa forma também de retribuir aquilo que as pessoas nos dão. Se calhar o próximo álbum já vamos pensar de forma diferente, mas nós somos muito românticos. Mesmo no grupo académico, já cantávamos muitas serenatas às donzelas. (risos) Isso faz parte também da nossa vida.
Já são seis músicas lançadas… Como é que sentem que têm evoluído?
Tomás Cartaxo: Acho que temos evoluído bastante, principalmente em estúdio. A Pôr do Sol, era algo muito incerto, foi a primeira vez, estávamos muito nervosos.
Agora a maturidade é diferente. Nas últimas vezes que temos ido ao estúdio, tem sido sempre muito natural. Sabemos logo o espaço de cada um, o que é que um é capaz de fazer, quais são os limites. Mesmo as letras e as composições, já conseguimos entender se vai funcionar ou não. O mesmo com os concertos... Com o passar do tempo vamos experimentando coisas novas, vamos percebendo o que é que funciona, o que é que não funciona.
Francisco Cartaxo: A última faixa do disco, que é uma balada, revela esse crescimento e essa maturidade que nós ganhámos ao longo deste último ano. Acho que houve progressos muito, muito grandes. É uma música mais séria, mostra que não fazemos só músicas de galhofa, também conseguimos fazer coisas sérias!
David Mendonça: Tivemos aulas de instrumentos e aulas de voz. Tentámos melhorar o máximo possível porque fomos obrigados a ser cantores e a ser artistas! (risos) Com isso também melhoramos as produções…
Que artistas ou bandas tiveram/ têm maior impacto no vosso percurso? Sabemos que têm um grupo no Whatsapp com nomes como Luís Trigacheiro, Buba Espinho e Bandidos do Cante…
David Mendonça: Impacto real têm os Quatro e Meia, porque é uma banda que faz parte do nosso percurso. Quando estávamos no grupo académico todos juntos, já faziam parte da nossa vida. Ainda nem nós sabíamos que os íamos chamar de amigos. Temos as mesmas sonoridades e, sem dúvida, o mesmo espírito académico, porque eles também vieram de uma tuna. Foram a nossa maior inspiração em Portugal.
Miguel Brites: Mas se sairmos do panorama nacional, podemos ir até ao Brasil, ao Grupo Menos é Mais… Se formos fazer uma análise mais profunda às nossas músicas, podemos encontrar lá um registozinho de samba, um pagodinho… Zeca Pagodinho, Bruno Marrone...
David Mendonça: Mas não quer dizer que, em breve, não surja alguma coisa com os alentejaninhos! (risos)
Tomás Cartaxo: E acho que também devemos acrescentar que, além do João Direitinho, o Buba Espinho também nos tem dado muitos conselhos. Está sempre atento àquilo que estamos a fazer.
Francisco Cartaxo: E também a nossa distribuidora… Isto é importante porque somos um grupo independente, nós não temos editora. A única coisa que temos é uma distribuidora que acreditou em nós desde o princípio. Nem Spotify tínhamos criado. Temos também quem nos ajude a marcar concertos, mas de resto é tudo pensado por nós, os investimentos vêm todos da nossa parte. Nós decidimos o projeto todo.
É também uma forma de manter a liberdade criativa e artística?
David Mendonça: Sim, sem dúvida! Porque se nós estivermos com uma editora, de certeza que nos vai propor coisas que se calhar nós não queremos fazer naquela altura. Nós não queremos lançar uma música nova nos timings das editoras. Nós não queremos estar a fazer uma música só porque dizem que precisamos de uma música… Queremos fazer as coisas ao nosso ritmo e, se nós sentimos que temos que fazer quatro músicas numa semana, vamos fazer.
Há quem vos considere todos muito parecidos. Sentem que está a nascer uma nova geração de cantores que está a dar uma nova roupagem à música portuguesa?
David Mendonça: Sem dúvida! E, se calhar, foi também graças aos Vizinhos terem apostado um bocado mais na parte do pop alentejano. Acho que houve grupos que perderam a vergonha, finalmente, de criar uma banda com os amigos. Acho que há muitas bandas de garagem que, se calhar, nem saem da garagem por medo. Os Descendentes, os Bandidos do Cante, os Alentons… Há muitas bandas a saírem agora do Alentejo. As redes sociais ajudam muito nisso também! Foi o que aconteceu connosco! Toda a gente pode ser artista! Ficamos muito felizes por sentir que os Vizinhos também estão a marcar esta geração de forma positiva. Estamos muito contentes por motivar os jovens a criar uma banda e a quererem fazer músicas, a gravarem e a comporem…
E vocês tentam fugir de rótulos?
David Mendonça: Sim, porque querem-nos rotular como Cante Alentejano, e nós não temos nada a ver com o Cante. Claro que faz parte da nossa história, da altura do grupo académico onde toda a gente tinha de cantar uma modinha, mas neste momento não queremos estar associados porque está tão bem representado…. O António Zambujo, o Luís Trigacheiro, o Buba Espinho, os Bandidos do Canto, os Descendentes… São tantos e tão bons. Nós temos o nosso próprio rótulo e acho que não há ninguém a fazer o que nós fazemos em Portugal. No fundo, o que conta é que nós queremos marcar esta nova geração com uma nova sonoridade e termos a nossa identidade própria.
Francisco Cartaxo: As pessoas que chamam de Cante Alentejano à nossa música, não sabem realmente o que é, nunca ouviram realmente um grupo coral com o sentimento que eles têm, nunca se reuniram num café a cantar modas. Nós tivemos de ir a muitos sítios para saber o que é que realmente era. O Cante Alentejano carrega tradições, a cultura de um povo. Não é o que nós fazemos! Temos essa sonoridade do Alentejo devido ao sotaque, mas o que nós fazemos é outra coisa.
Como é que lidam com o reconhecimento do público? Como equilibram autenticidade com expectativa pública?
Miguel Brites: Sermos autênticos é sempre o nosso lema! Queremos manter-nos autênticos e reais! Portanto, apesar de sentirmos que vão dizer: «Não façam isto porque podem estar a ser vistos, vocês são artistas agora!», somos como somos e iremos sempre ser assim, independentemente do lugar em que estejamos. Acho que é isso que marca os vizinhos.
O que é que nos podem contar mais sobre este primeiro álbum?
David Mendonça: É o primeiro e é o início de muita coisa. Ainda temos 110 concertos a seguir para fazer. Muita coisa vai mudar… Posso dizer que já temos o segundo álbum quase terminado. Quem sabe se lançamos outro álbum daqui a um ano ou dois, quem sabe se lançamos amanhã! (risos) Mas acho que as pessoas vão gostar muito e vão querer mais! À medida que fomos lançando os singles foi isso que aconteceu. As pessoas pediam mais e mais. E decidimos que este álbum era para ser mesmo a nossa identidade, que nunca fugíssemos às nossas raízes. Prometemos que seria o mais marcante. E por isso é que fomos tão exigentes no processo criativo. Dentro do álbum temos várias sonoridades: temos a parte mais tradicional e a parte um bocadinho mais do samba e do pagode. Temos também uma balada…
Francisco Cartaxo: Eu diria que é a música mais bonita que alguma vez cantámos. É daquelas músicas que eu tenho a certeza que, a primeira vez que a gente for cantar, vamo-nos emocionar.
E o que é que sentem que esta banda vos tirou e vos deu? Vocês sentem-se pessoas diferentes desde que isso começou?
David Mendonça: Olha, deu-me tudo. A mim deu-me tudo! O que eu tenho na vida é graças aos Vizinhos. Foi também uma celebração desta amizade.
Miguel Brites: Tirou-nos da universidade! (risos) E estamos cada vez mais unidos e focados nos Vizinhos como se fosse um bebé. É o nosso filho.
Francisco Cartaxo: A mim tirou toneladas de quilos de uva. Toneladas de uva para processar e para transformar em vinho! (risos)
Tomás Cartaxo: Eu posso dizer que conquistei o meu sonho de criança. Há muitas das crianças que têm o sonho de ser futebolista. O meu era ser de ter uma banda, ser artista, ter sucesso com isso e poder viver apenas disso. Sempre foi o meu objetivo de vida.
E como é que vocês se imaginam daqui a 10 anos?
David Mendonça: Exatamente aqui, sentados nesta mesa, a falar contigo sobre o décimo álbum. Nós não costumamos pensar a longo prazo, porque isto foi tudo tão rápido... Ainda nem acreditamos que estamos a viver este sonho… Ainda estamos meio anestesiados. Os concertos, as entrevistas, as pessoas a pedirem fotografias… Queremos manter os pés bem assentes na terra e ser sempre muito gratos.
O que é que esperam destes concertos nos Coliseus? Conseguiram cumprir o objetivo em menos de um ano…
David Mendonça: Queremos que seja um concerto memorável, que as pessoas comprem o resto dos bilhetes que faltam, porque vai valer mesmo muito a pena. Vamos lá ter muitas surpresas, muitos convidados. Mas sem dúvida que, depois disso, queremos anunciar algo ainda maior. Vamos ver o que é que acontece. Esses concertos vão fechar um ciclo, será o culminar de tudo o que foi pensado até agora.