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O realizador russo Pavel Talankin, codiretor do documentário “Mr. Nobody Against Putin”, vencedor do Óscar de Melhor Documentário, foi oficialmente declarado “agente estrangeiro” pelas autoridades russas. A decisão foi anunciada esta sexta-feira pelo Ministério da Justiça da Rússia e surge poucos dias depois de o filme ter conquistado uma estatueta.
O caso está a gerar forte repercussão internacional, não só pelo simbolismo do momento, mas também porque o documentário é uma crítica direta à doutrinação ideológica de crianças russas em contexto escolar durante a guerra na Ucrânia. O filme acompanha o trabalho clandestino de Talankin, que registou durante meses o ambiente vivido numa escola da região de Chelyabinsk, na Rússia, antes de abandonar o país em 2024.
O nome de Talankin apareceu esta sexta-feira na lista online de agentes estrangeiros do Ministério da Justiça, um termo com conotações de espionagem que Moscovo aplica a pessoas consideradas envolvidas em atividades contra o regime russo, apoiadas por estrangeiros, segundo a Reuters.
“Sou um agente estrangeiro pela primeira vez, por isso não sei como reagir”, disse ao The Moscow Times.
“Honestamente, não esperava. Esperava comentários furiosos e reações negativas, mas nunca imaginei que chegaria a isto”, afirma Talankin.