As praias do Desembarque na Normandia, no noroeste de França, e o Monte Olimpo, na Grécia, foram este domingo declarados Património Mundial pela UNESCO, durante a 48.ª reunião do Comité do Património Mundial da organização, que decorre em Busan, na Coreia do Sul.
A reunião, que termina quarta-feira, analisa um total de 30 candidaturas apresentadas por diferentes países.
A inscrição das praias do Desembarque na Normandia culmina um processo iniciado há cerca de 20 anos e abrange mais de 80 quilómetros de costa entre os departamentos de Manche e Calvados.
O território inclui as cinco praias onde ocorreu o desembarque dos Aliados a 6 de junho de 1944 — Omaha, Utah, Sword, Gold e Juno —, bem como a Pointe du Hoc.
Mais de 150 mil soldados aliados desembarcaram na costa da Normandia durante aquela que viria a ser uma das operações militares decisivas para a libertação da Europa do regime nazi e para o fim da Segunda Guerra Mundial.
O Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), responsável pela avaliação das candidaturas apresentadas ao Comité do Património Mundial, destacou a existência de numerosos vestígios históricos, incluindo fortificações alemãs, paisagens marcadas pelos bombardeamentos, estruturas portuárias aliadas e navios naufragados.
Para o ICOMOS, trata-se de um conjunto associado a um "evento amplamente considerado como tendo possibilitado o regresso da liberdade e anunciado uma paz duradoura no continente europeu".
Turismo e alterações climáticas entre as ameaças
A organização recomendou, contudo, o reforço dos esforços de monitorização e preservação dos locais históricos da Normandia.
Entre as principais ameaças identificadas estão o impacto do turismo, as alterações climáticas e a subida do nível do mar, bem como a eventual construção de parques eólicos nas proximidades das áreas classificadas.
"É provavelmente o maior desembarque anfíbio de sempre. Deveria ser lembrado só por isso", afirmou recentemente o historiador David Edgerton, citado pela Associated Press.
Monte Olimpo reconhecido como património misto
A UNESCO inscreveu também o Monte Olimpo, na Grécia, como local de património misto, cultural e natural.
A decisão encerra um processo de candidatura desenvolvido durante 12 anos pelo país para obter o reconhecimento internacional da montanha mais alta da Grécia, que se eleva a 2.918 metros de altitude.
Na mitologia grega, o Monte Olimpo era considerado o lar dos 12 deuses do Olimpo e o trono de Zeus, o rei dos deuses. A montanha é também reconhecida pela sua elevada biodiversidade.
"Reafirmamos o nosso compromisso inabalável de salvaguardar o Monte Olimpo em benefício das gerações presentes e futuras", afirmou Georgios Koumoutsakos, delegado da Grécia junto da UNESCO.
"Como a mitologia grega sabiamente nos lembra, é sempre melhor manter boas relações com os deuses", acrescentou.
Japão e Sudão do Sul também entram na lista
O Comité do Património Mundial aprovou ainda a inscrição das antigas capitais japonesas de Asuka e Fujiwara e da paisagem migratória de Boma-Badingilo, no Sudão do Sul.
A classificação de Boma-Badingilo representa a primeira entrada do Sudão do Sul na Lista do Património Mundial. A área é palco de uma das maiores migrações de mamíferos terrestres do mundo.
A paisagem inclui vastas zonas húmidas, planícies aluviais e savanas moldadas pelas chuvas sazonais e pela dinâmica das cheias. Cerca de seis milhões de gazelas de orelhas brancas, tiang e Mongalla atravessam a região em resposta às alterações das condições ambientais.
O território proporciona ainda habitat a elefantes, leões, chitas e outras espécies selvagens e é fundamental para várias comunidades étnicas que vivem há séculos da pastorícia, agricultura e pesca.
No Japão, a nova classificação abrange 19 sítios arqueológicos das antigas capitais de Asuka e Fujiwara, na atual prefeitura de Nara, que remontam aos séculos VI a VIII.
Os locais preservam vestígios, em grande parte subterrâneos, de palácios reais, edifícios governamentais, templos budistas e túmulos. Estes centros urbanos tiveram um papel decisivo na formação do primeiro Estado centralizado japonês, influenciado pelos sistemas políticos e administrativos chineses, e contribuíram para o desenvolvimento posterior das capitais de Nara e Quioto.
Com estas novas inscrições, a UNESCO reforça a proteção internacional de locais de elevado valor histórico, cultural e natural, abrangendo património associado à Segunda Guerra Mundial, à mitologia grega, à história do Japão e à biodiversidade africana.