O Tribunal Federal de Nova Iorque considerou que a Live Nation e a subsidiária Ticketmaster operaram como um monopólio ilegal no mercado de concertos e venda de bilhetes.
O veredicto foi conhecido esta quarta-feira, após um julgamento que durou várias semanas, e que envolveu uma ação movida por dezenas de estados norte-americanos, com apoio do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, de acordo com o The Guardian.
A empresa utilizava a posição que tem no mercado para impor condições a salas e artistas, dificultando a entrada de concorrentes e limitando a escolha dos consumidores.
Estima-se que a Ticketmaster controlava cerca de 86% das vendas primárias de bilhetes nos Estados Unidos, reforçando a posição dominante da empresa.
Um dos pontos centrais do julgamento foi o impacto direto nos consumidores. O júri considerou que estas práticas levaram a um aumento artificial dos preços, com os fãs a pagarem, em média, mais 1.72 dólares (cerca de 1.46 euros) por bilhete devido à falta de concorrência, e este valor poderá ter que ser reembolsado.
“É tempo de os responsabilizar”, disse Jeffrey Kessler, advogado do Estado, chamando a Live Nation de “monopolista prepotente”.
A Live Nation insistiu que não era um monopólio, alegando que os artistas, as equipas desportivas e as salas de espetáculos definem os preços e as práticas de venda de bilhetes. “O sucesso não infringe as leis antitruste nos Estados Unidos”, disse David Marriott, advogado da empresa, que frisa que a dimensão abrangida no mercado é resultado da excelência e do esforço.
O processo ganhou particular atenção após a venda de bilhetes para a digressão de Taylor Swift em 2022, que expôs fragilidades do sistema e reacendeu o debate sobre o poder da Ticketmaster no mercado.
A decisão do tribunal não determina ainda as sanções, mas abre caminho a medidas significativas, que podem incluir indemnizações de centenas de milhões de dólares, mudanças nas práticas comerciais ou até mesmo a separação das duas empresas.
Segundo o The Guardian, a Live Nation afirmou em comunicado que pretende recorrer da decisão. “Continuamos confiantes de que o resultado final do caso do Estado não será materialmente diferente do previsto no acordo com o Departamento de Justiça”.